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Imóveis, em geral, são considerados ativos financeiros – especialmente no Brasil. É comum ver pessoas que possuem um imóvel para locação, possibilidade de venda futura e até mesmo como “segurança patrimonial”. Há um outro tipo de operação com imóveis menos conhecida, mas que pode ser uma alternativa a depender da circunstância: o house flipping.
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O termo em inglês para “casa virando”, na tradução livre, nada mais é do que a prática de comprar um imóvel abaixo do valor de mercado, reformá-lo e revendê-lo por preço maior. A diferença está no prazo em que isso acontece, geralmente bem mais curto do que o comum.
A lógica é capturar ganho em diferentes frentes: comprar o bem para depois fazer uma reforma que aumente o valor do imóvel e vender com margem após descontar todos os custos.
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“Na teoria parece simples, mas na prática é uma operação imobiliária de risco, porque envolve preço de compra, custo de obra, prazo, impostos, corretagem, documentação, vacância até a venda e liquidez do mercado”, afirma Leonardo Andreoli, especialista em investimentos da Hike Capital. Leia também: Durigan diz que Brasil teve paciência contra tarifaço dos EUA, ao contrário da
Ramiro Delgado, especialista em house flipping e CEO do Trade Imobiliário, explica que um dos diferenciais é que essa operação pode ser feita de forma alavancada, utilizando financiamento imobiliário.
Na prática, o investidor consegue adquirir imóveis de maior valor utilizando menos capital próprio, o que aumenta o potencial de retorno sobre o dinheiro investido.
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“Isso permite escalar as operações gradualmente: o lucro do primeiro imóvel pode ser reinvestido em um segundo imóvel de maior valor e assim sucessivamente”, comenta Delgado.
Vantagens x riscos
Para Douglas Tolentino, economista formado pela UFRJ e com experiência no mercado financeiro, a principal vantagem do house flipping é a possibilidade de gerar ganho de capital em prazo relativamente curto, com maior controle sobre a criação de valor via reforma, não ficando refém apenas da valorização via mercado. Mais de economia
Além disso, há possibilidade de arbitragem de ineficiências, com a captação de imóveis mal precificados ou subutilizados.
Por outro lado, existem alguns riscos relevantes, tais como de aumento de custos de obra, de demora na venda e de mudanças no mercado imobiliário. Dependendo da margem considerada em cada projeto, pequenos desvios de custo ou preço podem impactar o retorno final.
Entre os desafios desse tipo de investimento, Delgado, o especialista na modalidade, a oportunidade também não se apresenta facilmente. Leia também: Calendário econômico da semana: PIB, trabalho e inflação são foco no Brasil
“Não é possível garantir com precisão absoluta o valor final de venda do imóvel, embora seja possível estimar com base em imóveis semelhantes da região. Além disso, ao contrário dos leilões, não existe uma lista pronta de oportunidades. O investidor precisa construir uma rede de captação, estar preparado com crédito aprovado e agir rapidamente, porque bons imóveis costumam sair do mercado em pouco tempo”, revela.
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Para aqueles que utilizam financiamento imobiliário, vale lembrar que os juros desse crédito ainda são caros no Brasil.
“Com taxas em muitos bancos próximas de 11% a 12% ao ano mais TR, a liquidez para revenda pode ficar mais difícil, principalmente em imóveis de classe média e média alta”, lembra Leonardo Andreoli, da Hike Capital.
Quando fazer um house flipping?
O melhor momento, em geral, costuma ser quando há imóveis descontados, vendedores pressionados, custo de obra controlado, crédito começando a melhorar e demanda de compra aquecendo. Ciclos de queda de juros ajudam, porque reduzem o custo de financiamento para o comprador final e aumentam a disposição das famílias para comprar imóvel.
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House flipping e o financiamento imobiliário
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