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Homem mais rico da Alemanha quer criar rival europeia de Google e Amazon

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Aos 86 anos, Dieter Schwarz, apontado por publicações especializadas como o homem mais rico da Alemanha, está direcionando parte de sua fortuna para um projeto ambicioso: transformar a Schwarz Digits em uma alternativa europeia às gigantes estadunidenses de tecnologia, como Google, Amazon e Apple.

A estratégia busca reduzir a dependência digital da Europa em relação aos Estados Unidos e à China por meio de investimentos em computação em nuvem, segurança digital, inteligência artificial (IA) e grandes data centers.

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Nova sede simboliza ambição tecnológica

  • Bernd Wagner, responsável pelas áreas de computação em nuvem e vendas da Schwarz Digits, faz questão de destacar a grandiosidade do empreendimento;
  • Ao apresentar as instalações à DW, ele ressalta que a construção utilizou “sete vezes mais aço do que foi utilizado na construção da Torre Eiffel” e empregou “cabos suficientes para ir daqui até Nápoles”;
  • Projetado para abrigar 3,5 mil funcionários, o Campus Schwarz Digits conta com creche, restaurante e academia;
  • O conjunto lembra as sedes das grandes empresas do Vale do Silício: são cinco edifícios envidraçados de vários andares, com formas curvas e estrutura inspirada em uma colmeia, construídos sobre uma elevação. No centro do complexo há um lago cercado por áreas verdes e bancos;
  • Para Wagner, o projeto representa mais do que um novo escritório. “Isso aqui é uma declaração de intenções. Não precisamos nos esconder da Google nem de ninguém”, afirma.

De supermercados ao setor de tecnologia

Foi em Heilbronn, cidade natal de Dieter Schwarz, que nasceu o império empresarial. Atualmente, mais de 600 mil pessoas trabalham nas empresas do grupo ao redor do mundo.

Conhecida por realizar internamente grande parte de suas operações, a companhia expandiu suas atividades para áreas, como produção de alimentos, gestão de resíduos, reciclagem e, mais recentemente, digitalização.

Em 2025, o Grupo Schwarz registrou faturamento de quase 185 bilhões de euros (R$ 1,1 trilhão), superando empresas alemãs, como SAP, Mercedes-Benz e Bayer. Apenas a Volkswagen apresentou receita superior entre as companhias do país. Leia também: Casa Branca nomeia astrofísico de Harvard para liderar grupo de estudo

Independência tecnológica para a Europa

Tradicionalmente discreto, o Grupo Schwarz raramente expunha seu fundador ao público. Existem poucas fotografias de Dieter Schwarz e relatos indicam que ele consegue caminhar pelas ruas de Heilbronn sem ser reconhecido.

Agora, porém, a empresa busca projetar uma nova imagem, associada à independência tecnológica da Europa. “Se você não está sentado à mesa, acaba fazendo parte do cardápio”, diz Wagner.

Inicialmente responsável pela infraestrutura de tecnologia dos cerca de 14,5 mil supermercados do grupo espalhados pelo mundo, a Schwarz Digits passou a oferecer serviços de computação em nuvem e segurança digital para empresas privadas e órgãos públicos.

Segundo Wagner, o objetivo é fortalecer a capacidade tecnológica europeia. “Queremos devolver à Europa sua capacidade de agir”, afirma.

A estratégia já começa a produzir resultados. Entre os clientes e parceiros da empresa estão o governo da Holanda, ministérios alemães e a Federação Alemã de Futebol (DFB, na sigla em alemão). Mais de tecnologia

Além disso, a companhia está construindo um centro de dados na região de Spreewald, ao sul de Berlim. Com investimento de 11 bilhões de euros (R$ 64,4 bilhões), trata-se do maior aporte individual da história do Grupo Schwarz.

O valor investido na nova sede de Bad Friedrichshall não foi divulgado. Segundo a empresa, o complexo foi concebido para manter profissionais de tecnologia na Alemanha e atrair novos talentos, oferecendo uma alternativa ao Vale do Silício.

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Heilbronn aposta em educação e pesquisa

A transformação promovida por Dieter Schwarz também é visível em Heilbronn. Na cidade, funciona o campus educacional da Fundação Dieter Schwarz, que reúne diversas instituições alemãs de ensino e pesquisa responsáveis pela formação de aproximadamente oito mil estudantes, número que ainda deve crescer.

Nas proximidades, está o Experimenta, apresentado como o maior centro de ciência da Alemanha. O espaço tornou-se um dos principais símbolos da cidade e permite que visitantes conheçam, na prática, tecnologias e aplicações de inteligência artificial (IA).

O prefeito de Heilbronn, Harry Mergel, participou da iniciativa que resultou na construção do Experimenta cerca de duas décadas atrás. A Fundação Dieter Schwarz foi uma das principais financiadoras do projeto.

Prefeito desde 2014, Mergel evita comentar detalhadamente sobre o empresário. “Toda pessoa tem direito ao anonimato”, afirma.

Cidade prepara megaprojeto de IA

A modernização da cidade também se reflete em indicadores econômicos. Heilbronn, que, segundo seus próprios moradores, já foi apelidada de forma autodepreciativa de “Heilbronx”, aparece atualmente em alguns rankings como a cidade com maior poder de compra da Alemanha.

Desafio é enfrentar gigantes da tecnologia

Rodrigo Mozelli
Rodrigo Mozelli
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Tags: Amazon Apple Dieter Schwarz Google Schwarz Digits

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