
Crédito, Agência Senado/Wikimedia Commons/Getty Images
- Author, Thais Carrança
- Role, Da BBC News Brasil em São Paulo
- Published Há 1 hora
- Tempo de leitura: 10 min
Um fundo offshore com sede no Estado americano do Texas está no centro de uma nova linha de investigação da Polícia Federal (PF).
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Os investigadores apuram se recursos repassados pelo ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, a pedido do senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ), teriam sido usados para custear o ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL) nos Estados Unidos.
Na quarta-feira (14/5), em entrevista à GloboNews, Flávio negou que o dinheiro tenha sido direcionado a Eduardo, reafirmando que o recurso teria sido integralmente destinado à produção do filme Dark Horse, cinebiografia sobre a vida do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
"Não foi para o Eduardo Bolsonaro. Todos os recursos que foram aportados neste fundo, que é específico para a produção do filme, foram usados integralmente para fazer o filme", disse Flávio. Leia também: Suíça vai divulgar arquivos secretos sobre Mengele, o 'Anjo da Morte' nazista
Na sexta-feira, o senador voltou a negar que parte do dinheiro tenha sido usado para bancar despesas do irmão, acrescentando que Eduardo sobrevive de uma doação feita pelo pai e de reservas próprias.
Eduardo vive nos EUA desde fevereiro de 2025. Na última segunda-feira (11/5), a Procuradoria-Geral da República (PGR) pediu a condenação do deputado federal cassado por coação no curso de processo, por ter articulado, a partir daquele país, sanções contra o Brasil e autoridades brasileiras, numa tentativa de influenciar o resultado do julgamento de Jair Bolsonaro por golpe de Estado.
Em 2025, Jair Bolsonaro enviou R$ 2 milhões a Eduardo nos Estados Unidos, no que foi considerado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) à época como um indício concreto da articulação entre pai e filho com o objetivo de interferir na atuação do Judiciário brasileiro.
Eduardo também negou ter recebido recursos de Vorcaro. "A história de que recebi dinheiro do fundo de investimento não se sustenta e é tosca. Não exerci qualquer posição de gestão ou emprego no fundo, apenas cedi meus direitos de imagem", escreveu, nas redes sociais.
Após a declaração de Eduardo, no entanto, o site Intercept Brasil publicou uma nova reportagem, afirmando que o ex-deputado teria atuado como produtor-executivo de Dark Horse, segundo um contrato assinado por ele e diálogos obtidos com exclusividade pelo veículo de imprensa. Mais de mundo
O contrato de produção ao qual o Intercept teve acesso, datado de novembro de 2023 e assinado digitalmente por Eduardo Bolsonaro em , traz a empresa GoUp Entertainment, sediada nos EUA, como produtora, e Eduardo Bolsonaro e o deputado federal Mario Frias (PL-SP) à frente da produção-executiva da cinebiografia.

Crédito, Reprodução/Intercept Brasil
"Os registros contradizem afirmações feitas por Eduardo Bolsonaro (...) sobre sua relação com o filme e colocam o deputado federal cassado como uma peça-chave com poder na tomada de decisões, inclusive financeiras, sobre o filme que conta a história do seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro", afirma a reportagem.
"Também mostram que Eduardo omitiu sua conexão com a busca de dinheiro para financiar o filme ao dizer, em post feito no Instagram, que apenas cedeu seus direitos de imagem e não exerceu qualquer cargo de gestão em Dark Horse."
Ao Intercept, a defesa de Mario Frias afirmou que "Eduardo Bolsonaro não é e nunca foi produtor-executivo da produção do filme Dark Horse" e "nunca recebeu qualquer quantia do fundo de investimento cujo produto privado final é o filme".
Já Eduardo afirmou que investiu R$ 350 mil em recursos próprios no início da produção do longa, mas que depois foi reembolsado após a entrada de investidores na produção. Ele disse que, naquele momento, atuava como diretor executivo do projeto.
O fundo suspeito


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