Hantavírus no Brasil: vírus de surto em navio circula no país há décadas; saiba onde Mais de 2 mil casos da doença, que é letal em mais de 40% dos casos, já foram registrados em território nacional ao longo do tempo A Organização Mundial da Saúde (OMS) afirmou, nesta terça-feira (5), que há indícios de que as pessoas atingidas por um surto de hantavírus em um navio atracado em Cabo Verde, na África, tenham se infectado fora do barco.
“ Levando em conta o período de incubação do hantavírus, que pode variar de uma a seis semanas, acreditamos que eles tenham sido infectados fora do barco, possivelmente fazendo atividades lá [em terra]”, afirmou Maria Van Kerkhove, diretora de Preparação e Prevenção de Epidemias e Pandemias da Organização. Ainda assim, segundo Maria, eles consideram que “alguma transmissão inter-humano tenha acontecido“, especialmente entre contatos muito próximos.
Leia no AINotícia: Panorama da Saúde: Novidades em Tratamentos e Cuidados Essenciais
Portanto, por um lado, a organização considera o fato de que o navio fez paradas em diversas ilhas com aves e roedores silvestres para observação da natureza, o que poderia representar uma fonte de exposição. Por outro, a entidade trabalha com a hipótese de que o primeiro casal a adoecer tenha contraído a doença durante contato com a vida selvagem antes de embarcar na Argentina. Em seguida, é possível que tenha ocorrido uma transmissão limitada entre pessoas que mantinham contato próximo, como casais que compartilhavam cabines.
A transmissão entre humanos é incomum para o hantavírus, que normalmente é propagado pelo contato com roedores silvestres, suas fezes, urina ou saliva – um processo um pouco parecido com o contato que leva à leptospirose, causada pela interação com ratos urbanos. “ A transmissão entre pessoas é raríssima; é muito pouco eficiente.
A forma mais eficiente [de propagação do vírus] é diretamente dos roedores para as pessoas”, explica o virologista Paulo Eduardo Brandão, professor da Universidade de São Paulo (USP) e colunista da VEJA SAÚDE. Mas a situação não é impossível. Aliás, há um tipo específico de hantavírus, conhecido como “vírus Andes” ou ANDV, que tem registro de casos esporádicos de transmissão de humano para humano, justamente no sul da Argentina, país de onde o barco saiu. Leia também: AVC isquêmico ganha destaque após novo desdobramento em avc isquêmico: entenda quadro que acometeu pai da shakira antes de show no rio isquemia é o tipo mais comum de avc e está relacionada ao
Por isso, por uma questão de precaução, as autoridades estão operando sob a premissa de que o caso se trate de infecções pelo vírus Andes. Ao todo, até o momento, foram notificados sete casos suspeitos na embarcação. Três pessoas morreram, incluindo uma delas ainda dentro do barco, um paciente está em cuidados intensivos na África do Sul e outros dois, estáveis, seguem no navio.
Hantavírus no Brasil Os casos de hantavirose são raros no mundo. Ainda assim, eles são importantes, já que a doença tende a ser grave.
No Brasil, a taxa de letalidade média da doença é de 46,5% e a maioria dos pacientes necessita de assistência hospitalar. Vale dizer que essa infecção pode provocar diferentes complicações de saúde, que variam de acordo com o tipo específico de vírus – cada parte do mundo tem um patógeno dominante. Na América do Sul, incluindo o Brasil, ela é mais associada à síndrome cardiopulmonar por hantavírus (SCPH), que em fase avançada por provocar taquicardia e dificuldade para respirar (potencialmente fatal), além de febre, dores generalizadas, sintomas gastrointestinais e tosse, entre outros sintomas.
Segundo o Ministério da Saúde, entre 1993 e março de 2026, o Brasil registrou cerca de 2,4 mil casos de hantaviroses, dos quais cerca de 960 culminaram em óbitos. Os anos de 2004 a 2011 foram os que registraram mais casos, com números que flutuaram entre 182 e 116 notificações anuais. Nessa época, houve anos em que a letalidade chegou a 53%. Mais de saude
Já o ano em que houve mais casos que culminaram em mortes foi 1999, quando 14 pessoas adoeceram, mas 12 morreram – 85% de taxa de letalidade. Ainda de acordo com a pasta, apesar de a doença ser registrada em todas as regiões brasileiras, Sul, Sudeste e Centro-Oeste concentram o maior percentual de casos confirmados. Das 27 unidades federativas do país, 16 já documentaram quadros de síndrome cardiopulmonar por hantavírus:
Pará, Rondônia, Amazonas, Bahia, São Paulo, Minas Gerais, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Paraná, Santa Catarina, Mato Grosso, Maranhão, Rio Grande do Norte, Goiás, Distrito Federal e Mato Grosso do Sul. Ainda assim, por aqui, os registros não são associados à transmissão entre pessoas, mas ao contato com os animais. A maioria dos casos ocorrem em áreas rurais, em situações ocupacionais relacionadas à agricultura, sendo o sexo masculino com faixa etária de 20 a 39 anos o grupo mais acometido.
De acordo com o MS, a maior parte dos casos está ligada a ações como desmatamento e aragem de terra, contato direto com roeador e limpeza de galpões. Vírus pode se espalhar? “É bem improvável que a hantavirose se dissemine”, considera Brandão. Leia também: Peptídeos e longevidade ganha destaque após novo desdobramento em peptídeos e longevidade: entre as promessas e os limites da evidência desvende os peptídeos mots-c e epitalo e entenda o que a
Isso porque para que um vírus tenha uma disseminação ampla, especialmente ao ponto de gerar epidemias ou, até, pandemias, é preciso que ela seja facilmente transmissível de humanos para humanos. “ Por exemplo, o coronavírus, que levou à pandemia de covid-19, se transmite bem entre humanos.
Mas esse vírus aqui não”, diz o médico. Segundo o especialista, embora Brasil tenha os reservatórios silvestres (isto é, roedores que carregam o vírus) em sua fauna, a vigilância epidemiológica tem agido de forma eficaz diante de infecções ao longo das décadas. Por isso, ele destaca que, especialmente para os brasileiros, essa doença é de “baixíssima importância, em termos de ocorrência em saúde pública”, diz.
Entretanto, reforça que os casos são graves quando ocorrem e, por isso, a prevenção individual continua sendo importante. Prevenção Segundo o Ministério da Saúde, evitar as hantaviroses passa, sobretudo, por reduzir ao máximo o contato com roedores silvestres e com seus dejetos, que podem carregar o vírus.
Para isso, medidas simples fazem diferença, como: - Manter o entorno da casa limpo e com a vegetação aparada - Descartar corretamente entulhos e lixo acumulado - Armazenar alimentos em recipientes bem vedados, resistentes à ação de roedores. Além disso, em áreas onde a presença desses animais é conhecida, o cuidado deve ser redobrado, com estratégias contínuas para evitar a aproximação e, consequentemente, a exposição ao vírus.
Leia também no AINotícia
- AVC isquêmico ganha destaque após novo desdobramento em avc isquêmico: entenda quadro que acometeu pai da shakira antes de show no rio isquemia é o tipo mais comum de avc e está relacionada aoSaude · agora
- “Realizei todos os sonhos de um atleta mesmo com asma”: 3 lições de Cesar Cielo sobre a doençaSaude · 4h atrás
- Peptídeos e longevidade ganha destaque após novo desdobramento em peptídeos e longevidade: entre as promessas e os limites da evidência desvende os peptídeos mots-c e epitalo e entenda o que aSaude · 4h atrás
- Risco compartilhado, terapias gênicas e “Netflix”: os planos para o futuro da saúde na América LatinaSaude · 8h atrás
![Hantavírus no Brasil ganha destaque após novo desdobramento em <p>hantavírus no brasil: vírus de surto em navio circula no país há décadas; saiba onde mais de 2 mil casos da doença, que é letal em mais de 40% dos casos, já foram registrados em território nacional ao longo do tempo a organização mundial da saúde (oms) afirmou, nesta terça-feira (5), que há indícios de que as pessoas atingidas por um surto de hantavírus em um navio atracado em cabo verde, na áfrica, tenham se infectado fora do barco.</p> <p>“ levando em conta o período de incubação do hantavírus, que pode variar de uma a seis semanas, acreditamos que eles tenham sido infectados fora do barco, possivelmente fazendo atividades lá [em terra]”, afirmou maria van kerkhove, diretora de preparação e prevenção de epidemias e pandemias da organização. ainda assim, segundo maria, eles consideram que “alguma transmissão inter-humano tenha acontecido“, especialmente entre contatos muito próximos.</p> <p>portanto, por um lado, a organização considera o fato de que o navio fez paradas em diversas ilhas com aves e roedores silvestres para observação da natureza, o que poderia representar uma fonte de exposição. por outro, a entidade trabalha com a hipótese de que o primeiro casal a adoecer tenha contraído a doença durante contato com a vida selvagem antes de embarcar na argentina. em seguida, é possível que tenha ocorrido uma transmissão limitada entre pessoas que mantinham contato próximo, como casais que compartilhavam cabines.</p> <p>a transmissão entre humanos é incomum para o hantavírus, que normalmente é propagado pelo contato com roedores silvestres, suas fezes, urina ou saliva – um processo um pouco parecido com o contato que leva à leptospirose, causada pela interação com ratos urbanos. “ a transmissão entre pessoas é raríssima; é muito pouco eficiente.</p> <p>a forma mais eficiente [de propagação do vírus] é diretamente dos roedores para as pessoas”, explica o virologista paulo eduardo brandão, professor da universidade de são paulo (usp) e colunista da veja saúde. mas a situação não é impossível. aliás, há um tipo específico de hantavírus, conhecido como “vírus andes” ou andv, que tem registro de casos esporádicos de transmissão de humano para humano, justamente no sul da argentina, país de onde o barco saiu.</p> <p>por isso, por uma questão de precaução, as autoridades estão operando sob a premissa de que o caso se trate de infecções pelo vírus andes. ao todo, até o momento, foram notificados sete casos suspeitos na embarcação. três pessoas morreram, incluindo uma delas ainda dentro do barco, um paciente está em cuidados intensivos na áfrica do sul e outros dois, estáveis, seguem no navio.</p> <p>hantavírus no brasil os casos de hantavirose são raros no mundo. ainda assim, eles são importantes, já que a doença tende a ser grave.</p> <p>no brasil, a taxa de letalidade média da doença é de 46,5% e a maioria dos pacientes necessita de assistência hospitalar. vale dizer que essa infecção pode provocar diferentes complicações de saúde, que variam de acordo com o tipo específico de vírus – cada parte do mundo tem um patógeno dominante. na américa do sul, incluindo o brasil, ela é mais associada à síndrome cardiopulmonar por hantavírus (scph), que em fase avançada por provocar taquicardia e dificuldade para respirar (potencialmente fatal), além de febre, dores generalizadas, sintomas gastrointestinais e tosse, entre outros sintomas.</p> <p>segundo o ministério da saúde, entre 1993 e março de 2026, o brasil registrou cerca de 2,4 mil casos de hantaviroses, dos quais cerca de 960 culminaram em óbitos. os anos de 2004 a 2011 foram os que registraram mais casos, com números que flutuaram entre 182 e 116 notificações anuais. nessa época, houve anos em que a letalidade chegou a 53%.</p> <p>já o ano em que houve mais casos que culminaram em mortes foi 1999, quando 14 pessoas adoeceram, mas 12 morreram – 85% de taxa de letalidade. ainda de acordo com a pasta, apesar de a doença ser registrada em todas as regiões brasileiras, sul, sudeste e centro-oeste concentram o maior percentual de casos confirmados. das 27 unidades federativas do país, 16 já documentaram quadros de síndrome cardiopulmonar por hantavírus:</p> <p>pará, rondônia, amazonas, bahia, são paulo, minas gerais, rio de janeiro, rio grande do sul, paraná, santa catarina, mato grosso, maranhão, rio grande do norte, goiás, distrito federal e mato grosso do sul. ainda assim, por aqui, os registros não são associados à transmissão entre pessoas, mas ao contato com os animais. a maioria dos casos ocorrem em áreas rurais, em situações ocupacionais relacionadas à agricultura, sendo o sexo masculino com faixa etária de 20 a 39 anos o grupo mais acometido.</p> <p>de acordo com o ms, a maior parte dos casos está ligada a ações como desmatamento e aragem de terra, contato direto com roeador e limpeza de galpões. vírus pode se espalhar? “é bem improvável que a hantavirose se dissemine”, considera brandão.</p> <p>isso porque para que um vírus tenha uma disseminação ampla, especialmente ao ponto de gerar epidemias ou, até, pandemias, é preciso que ela seja facilmente transmissível de humanos para humanos. “ por exemplo, o coronavírus, que levou à pandemia de covid-19, se transmite bem entre humanos.</p> <p>mas esse vírus aqui não”, diz o médico. segundo o especialista, embora brasil tenha os reservatórios silvestres (isto é, roedores que carregam o vírus) em sua fauna, a vigilância epidemiológica tem agido de forma eficaz diante de infecções ao longo das décadas. por isso, ele destaca que, especialmente para os brasileiros, essa doença é de “baixíssima importância, em termos de ocorrência em saúde pública”, diz.</p> <p>entretanto, reforça que os casos são graves quando ocorrem e, por isso, a prevenção individual continua sendo importante. prevenção segundo o ministério da saúde, evitar as hantaviroses passa, sobretudo, por reduzir ao máximo o contato com roedores silvestres e com seus dejetos, que podem carregar o vírus.</p> <p>para isso, medidas simples fazem diferença, como: - manter o entorno da casa limpo e com a vegetação aparada - descartar corretamente entulhos e lixo acumulado - armazenar alimentos em recipientes bem vedados, resistentes à ação de roedores. além disso, em áreas onde a presença desses animais é conhecida, o cuidado deve ser redobrado, com estratégias contínuas para evitar a aproximação e, consequentemente, a exposição ao vírus.</p>](https://saude.abril.com.br/wp-content/uploads/2026/05/Sin_Nombre_hanta_virus_TEM_PHIL_1136_lores.jpg?quality=85&strip=info&resize=1080,565&crop=1)