Uma mulher grávida e jovens em primeira consulta estão entre as vítimas de ginecologista suspeito de crimes sexuais contra pacientes, segundo a delegada Amanda Menuci. O médico Marcelo Arantes e Silva, de 50 anos, está preso em Senador Canedo, na Região Metropolitana de Goiânia. Ele é investigado por estupro de vulnerável.
O médico foi preso preventivamente na quinta-feira (23). Ele passou por audiência de custódia nesta sexta-feira (24) e teve a prisão mantida pela Justiça. Segundo a polícia, a vítima grávida começou a gravar as consultas após desconfiar das condutas do médico.
Até o momento, 23 mulheres denunciaram o ginecologista. Segundo a polícia, as idades das vítimas são entre 18 e 45 anos. Ao g1, a defesa do médico reputou como desnecessária sua prisão e afirmou que a prisão antes do trânsito em julgado de eventual sentença condenatória é exceção, somente viável quando medidas alternativas se mostram insuficientes (leia nota completa abaixo).
“Ele fazia perguntas sobre sexualidade, se a vítima estava gostando, se estava tendo prazer naquilo, temos uma vítima que estava grávida e ele não respeitou nem essa situação ainda mais vulnerável da gravidez”, disse a delegada. Marcelo Arantes foi preso suspeito de estuprar pacientes durante consultas em Goiás — Foto: Divulgação/Polícia Civil
A delegada afirmou que o médico estava fazendo do ambiente clínico um local seguro para a prática. “ Ele agia da mesma forma, com as mesmas práticas sexuais, ganhando a confiança da vítima, testando elogios, tocando libidinosamente as partes íntimas delas”, contou. Leia também: Desmatamento do Cerrado em MG aumenta quase 92% e atinge área maior que o tamanho de BH, aponta Inpe
- Ginecologista preso suspeito de estupro: paciente gravou consultas após desconfiar da conduta dele - MENSAGEM: Ginecologista suspeito de crimes sexuais mandou mensagem a vítima perguntando se houve mal-entendido após consulta, diz polícia De acordo com a Polícia Civil, há relatos de abusos ocorridos entre 2017 até 2026.
A delegada Ana Elisa Gomes da Delegacia Estadual de Atendimento Especializado à Mulher (Deaem) disse que as mulheres precisam denunciar abusos e procurar a delegacia para que a polícia continue atuando nesses casos. Como o médico agia A delegada relatou ainda que o modo de agir do médico se repetia: as primeiras consultas eram marcadas por toques físicos indesejados e perguntas inapropriadas sobre a vida íntima das pacientes.
A delegada apontou que Marcelo realizava exames sem usar luvas, fazia exame de toque enquanto fazia perguntas de teor sexual às pacientes. Em entrevista à TV Anhanguera, uma das mulheres que denunciou o médico disse que ainda tem medo dele e que está longe de trazer paz para as vítimas. "
Eu estou completamente traumatizada, a cada notícia intensifica a ansiedade, a insônia, as lembranças", disse. A investigação apontou que o suspeito tinha um padrão de comportamento e se aproveitava de momentos de fragilidade das vítimas. “É um verdadeiro predador sexual que faz do ambiente clínico um local de vulnerabilização das vítimas, se aproveita dessa autoridade médica que ele tem sobre elas”, destacou Amanda. Mais de noticia
A polícia investiga o médico por estupro de vulnerável, pois a polícia entendeu que os crimes ocorreram enquanto as vítimas estavam em uma situação de vulnerabilidade. Além disso, há o fator psicológico dos abusos, já que as mulheres estavam sob a autoridade do médico. Nota
A Defesa do médico Marcelo Arantes reputa, respeitosamente, como desnecessária sua prisão, compreendendo que medidas cautelares diversas da prisão bastariam ao acautelamento processual. Ele está afastado de sua atividade profissional em cumprimento a decisão judicial e contribui com a Justiça durante todo o curso da investigação. Leia também: Homem é preso por agredir com socos e cortar à força cabelo da ex-companheira em Divinópolis
A prisão antes do trânsito em julgado de eventual sentença condenatória é exceção, somente viável quando medidas alternativas se mostram insuficientes. Ele é um médico bem conceituado em sua área de atuação, probo e ético. Prevalece a convicção de que ele será mais uma vez absolvido, como já ocorreu em um dos processos.
Nota do Cremego O Conselho Regional de Medicina do Estado de Goiás (Cremego) informa que o registro do médico foi suspenso por ordem judicial. A informação consta no site do Cremego.
Sobre as acusações contra o profissional, o Cremego ressalta que todas as denúncias relacionadas à conduta ética de médicos, recebidas ou das quais toma conhecimento, são apuradas e tramitam em total sigilo, conforme determina o Código de Processo Ético-Profissional Médico. O Cremego também solicita esclarecimentos ao médico responsável técnico pela instituição citada nas denúncias. 📱
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