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grand theft auto v: o detalhe que mais repercutiu

O ano 2000 não marcou apenas o começo de um novo milênio — também trouxe ao mundo aquele que, para muita gente, ainda é o melhor console de videogame de todos os tempos

grand theft auto v: o detalhe que mais repercutiu

O ano 2000 não marcou apenas o começo de um novo milênio — também trouxe ao mundo aquele que, para muita gente, ainda é o melhor console de videogame de todos os tempos. Confesso que esse tipo de afirmação categórica e arbitrária já foi mais o meu tipo. Hoje em dia sou muito mais adepto das nuances.

Mas não há dúvida de que a transição da quinta para a sexta geração de consoles foi quase tão impactante quanto a anterior: se nos anos 1990 a supremacia dos jogos em 2D e sua belíssima pixel art foi substituída pela inovação e pelas possibilidades do 3D poligonal , a passagem para a década seguinte mostrou que, enfim, o realismo gráfico se tornava realidade.

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Foi quando a indústria de games de fato começou a se tornar tão grande e séria, do ponto de vista criativo e orçamentário, quanto a indústria do cinema. E foi naquele momento de transição que a Polyphony digital anunciou e lançou Gran Turismo 3: A-Spec — que, mais precisamente, chegou ao mercado japonês em . Portanto, nesta semana, GT3 completou 25 anos.

No resto do mundo — o que, na prática, significa “Europa e EUA” — o terceiro título do Real Driving Simulator chegou semanas mais tarde, em junho do mesmo ano. A princípio, GT3 seria um título de lançamento para o PlayStation 2 — tanto que, na apresentação do console para a imprensa japonesa, em setembro de 1999 (detalhe: três meses antes do lançamento de Gran Turismo 2 para o PS1), um dos títulos anunciados foi justamente Gran Turismo 3, que ainda era chamado Gran Turismo 2000. Mudar o nome, aliás, foi uma decisão acertada: Gran Turismo 2000 pegava carona no hype da época, o que é compreensível, mas deixaria o game datado em pouco tempo.

Uma versão GT2000 chegou a ser distribuída em demo discs para o PS2 — e era bem diferente do produto final, parecendo mais Gran Turismo 2 com uma skin de alta resolução. Mas mesmo tendo levado um ano a mais do que o planejado para chegar às prateleiras, GT3 foi um dos títulos mais bem sucedidos do PS2 em seus primeiros anos — na verdade, com 14,9 milhões de cópias vendidas, Gran Turismo 3 só não vendeu mais que o ícone absoluto Grand Theft Auto: San Andreas, um título de apelo muito mais universal, que até 2011 vendeu mais de 27 milhões de cópias. Mesmo sendo um triunfo comercial, para muitos fãs — dos hardcore aos casuais — Gran Turismo 3 não tem o mesmo valor histórico e sentimental que seu sucessor, Gran Turismo 4, que foi lançado em dezembro de 2004. Leia também: orlando city

GT4 ainda é tratado por boa parte dos fãs como o melhor título da franquia, superando até mesmo o realismo cada vez mais exacerbado de seus sucessores. Esse é um tipo de discussão que raramente traz frutos concretos, porque há muita subjetividade na mesa. É divertido, claro, mas não passa disso.

O que é fato: Gran Turismo 3 pode ser chamado de um clássico injustiçado — era um baita jogo de corrida que merece ser lembrado por uma série de razões. E exatamente isso que farei hoje, na semana de seu aniversário de 25 anos. Meu primeiro contato com Gran Turismo 3 foi em uma pequena locadora de games que funcionava sob o modelo de “1 real a hora” — para muitos moleques, era a única forma de curtir as novidades do entretenimento eletrônico.

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O carro: Corvette C5R. A pista: Trial Mountain. Um resumo da experiência: “cara, eu pensei que sabia jogar Gran Turismo…

“ Quem tem experiência com simuladores sabe bem que, especialmente nos primeiros títulos,o slogan de Gran Turismo era muito mais uma jogada de marketing do que uma representação fiel da realidade. Já na década de 1990 os simracers legítimos traziam física muito mais sofisticada, e “arcade com elementos de simulador” era uma descrição muito mais precisa da experiência de Gran Turismo. Mas com GT3 a Polyphony Digital decidiu tornar a jogabilidade mais próxima de um simulador de verdade.

Frear no ponto certo e seguir o traçado ideal nas curvas ficou muito mais importante. A sensação de velocidade, por sua vez, parecia bem menor no primeiro Gran Turismo para o PlayStation 2 — mas, na verdade, a ideia era que o game transmitisse com mais fidelidade a experiência do mundo real. Curiosamente, o próprio fato de o Corvette C5R estar disponível logo de cara no game, sem enrolação, sinalizava uma ligeira mudança de abordagem em Gran Turismo 3: ser mais acessível para jogadores casuais, apesar da dinâmica mais requintada. Mais de entretenimento

Você não precisava completar todas as licenças e ganhar campeonatos para liberar os carros mais potentes e velozes — e, para liberar as pistas, bastava vencer corridas no modo Arcade. Essa mudança de abordagem conversava com outra característica importante de Gran Turismo 3 — algo que divide opiniões até hoje, um quarto-de-século depois: o primeiro game da franquia no PS2 era bem menor que seu antecessor. Se Gran Turismo 2 tinha mais de 650 carros, GT3 tinha pouco mais de 180.

Não era mais possível comprar carros usados, e várias marcas e modelos obscuros foram retirados do catálogo. Da mesma forma, pistas icônicas como High Speed Ring e Autumn Ring também não estavam incluídas. A explicação que circulava na época era simples — havia menos conteúdo em GT3, mas o conteúdo que estava no jogo era bem mais detalhado.

E é inegável que, graficamente, Gran Turismo 3 era mesmo impressionante. No começo do ciclo de vida do PS2, os desenvolvedores levavam a sério a capacidade gráfica do novo console, o que, no caso de GT3, resultou em uma atenção aos detalhes sem precedentes. São coisas pequenas, que só um olhar atento percebe, mas é o tipo de coisa que denuncia o capricho e o carinho no desenvolvimento de um jogo: a distorção na imagem causada pelo calor que subia do asfalto, os reflexos na carroceria que passaram a ser renderizados em tempo real, as faixas e banners nos circuitos que tremulavam com o vento. Leia também: catherine, princesa de gales: o detalhe que mais repercutiu

Não havia mais texturas serrilhadas ou elementos aparecendo do nada à sua frente à medida em que seu carro avançava na pista. Sem dúvida foi o maior salto em termos de gráficos em toda a franquia — a evolução do PS2 para o PS3, ou do PS3 para o PS4, foi muito mais suave. A modelagem dos pneus também recebeu atenção especial: a Emotion Engine do PlayStation 2 permitia que, enfim, eles tivessem física — não eram mais cilindros com texturas pixeladas que giravam, eram modelos tridimensionais que se deformavam e se comportavam de forma muito mais natural.

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Em termos de conteúdo, GT3 também trouxe algumas pistas novas bem interessantes que acabaram virando clássicos, como Côte d’Azur, que era totalmente inspirada no circuito de rua de Mônaco, ou Tokyo R246, que usava como base as ruas ao redor do escritório da Sony Computer Entertainment Tokyo (e dava até para ver o prédio onde a empresa ficava). Outros, como Complex String — uma pista de testes extremamente… complexa, com 11 km de extensão — nunca mais foram vistos. A trilha sonora também era espetacular — fora os temas clássicos, como “Moon Over the Castle”, ou o jazz-fusion com elementos eletrônicos dos menus, as músicas licenciadas também foram muito bem escolhidas.

Especialmente na versão americana, que era especialmente generosa com quem curtia guitarras distorcidas e contava com Mötley Crüe, Judas Priest, Jimi Hendrix e The Cult. Bons tempos em que o rock and roll e as corridas de carros andavam de mãos dadas e pareciam inseparáveis… Os efeitos sonoros também não decepcionavam — ao contrário: um dos principais argumentos a favor de Gran Turismo 3 na época do lançamento era justamente como cada carro tinha um ronco único e convincente, sem aquele som de “aspirador de pó” que até agradava na época do PlayStation, mas logo ficou ultrapassado.

Mesmo sendo bem verdade que, nos anos seguintes, franquias como Forza e até Need for Speed eram claramente superiores nesse quesito, em 2001 não havia nenhum jogo de corrida (ao menos nos consoles de mesa) com roncos tão bons quanto GT3 (mesmo que os efeitos sonoros dos menus fossem obviamente reciclados de Gran Turismo 2, o que dividia opiniões). Tudo isso era muito bem aproveitado no modo Arcade. Mas o modo de simulação, que sempre foi a alma de Gran Turismo, não deixava em nada a desejar.

Claro, as licenças — que eram legais para testar a nossa habilidade mas acabavam ficando repetitivas depois de um tempo — permaneciam, e é verdade que havia muito menos carros. Mas a forma como as corridas eram organizadas, divididas entre Beginner, Amateur, Professional, Endurance e Rally, tornava a sensação de progressão mais clara e linear. Os eventos de Endurance, com corridas longas de mais de 80 voltas, te permitiam salvar o progresso durante a prova e voltar mais tarde, o que era um belo avanço em relação aos títulos anteriores.

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