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Ler matéria →Regiane Bressan, especialista em relações internacionais na América Latina, explica como a região tem mudado, ao longo dos últimos 20 anos, a maioria ideológica entre seus presidentes.
'Eu acredito que os Estados Unidos continuarão tensionando a nossa região e acho que vão tensionar as eleições no Brasil', diz Regiane Bressan.— Foto: Samuel Corum/Sipa/Bloomberg/Getty Images via BBC
As mais recentes vitórias presidenciais na América Latina reforçaram o movimento que a região vem promovendo há alguns anos: a de ter seus países governados pela direita.
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Após mais de três semanas de apuração das urnas, Keiko Fujimori se consagrou como vencedora das eleições no Peru. Com uma diferença de 49.641 votos a mais sobre o candidato da esquerda, Roberto Sánchez, esta foi mais uma eleição acirrada na América Latina, onde direita e esquerda disputaram, voto a voto, a preferência do eleitor.
Foi mais uma eleição em que a direita sai vencedora na região, a exemplo também da vitória de Abelardo de la Espriella no disputado segundo turno na Colômbia.
Ambos são de direita, embora tenham características antagônicas, como explica Regiane Bressan, professora de Relações Internacionais da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), especializada em América Latina. Leia também: Governo Trump vai 'tensionar' eleições no Brasil por medo da China, diz
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Enquanto De la Espriella é tido como um outsider— um jovem empresário que nunca ocupou nenhum cargo eletivo antes— Keiko Fujimori vem de uma família tradicional na política de seu país e concorreu em outras três eleições presidenciais antes desta última, em que saiu vitoriosa.
Esse movimento vem acontecendo desde o início dos anos 2000, explica Bressan e já na última década tingiu o mapa da América Latina quase que todo de presidentes da direita (veja abaixo).
Ela atribui essa guinada à direita a diversos fatores, mas reforça que a estão muito presentes.
Mas o denominador comum desse movimento não é um discurso, é um país: os Estados Unidos. Mais de mundo
Para Bressan, o país interfere— direta ou indiretamente— nas decisões da região. E as eleições do Brasil, neste ano, não serão diferentes.
"Eu acredito que os Estados Unidos continuarão tensionando a nossa região e acho que vão tensionar as eleições no Brasil", afirma ela.
Nesta entrevista, ela conta o que está por trás dessa "tensão" americana na região, por que um presidente de direita não é automaticamente um aliado de Trump, e como o discurso baseado na segurança pública está tão presente em todas as campanhas. Leia também: Os tensos minutos de silêncio para tentar ouvir sobreviventes sob os escombros
BBC News Brasil– Podemos começar fazendo um panorama dos principais líderes da América Latina e seus alinhamentos políticos?
Regiane Bressan– Bom, na Argentina, o Javier Milei é um presidente de direita, alinhado com Donald Trump.
Na Bolívia, o presidente Rodrigo Paz Pereira está alinhado à direita e encerrou um longo ciclo de hegemonia do movimento socialista, representado pelo Evo Morales.
No México, a Claudia Sheinbaum, que é de esquerda. E é importante falar do México, que é um país e uma líder que tentou ao longo desses últimos anos não apenas ser governado pela esquerda, mas ter autonomia e reforçar a sua soberania. Ao mesmo tempo, eles têm uma política muito próxima dos Estados Unidos, isso é histórico devido à fronteira, aos acordos internacionais, pelo próprio Nafta, que hoje, com o México, chama-se T-MEC.
No entanto, a Claudia Sheinbaum vem encontrando muita dificuldade para manter certa autonomia, já que as questões da migração, do narcotráfico e mesmo do comércio, com as maquiladoras— que são as empresas americanas que estão no México— causam uma interdependência muito forte.
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- Keiko Fujimori
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