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- Author, Atahualpa Amerise
- Role, BBC News Mundo
- Published Há 2 horas
- Tempo de leitura: 10 min
Caças cubanos abateram duas aeronaves pertencentes à organização Irmãos ao Resgate, de exilados cubanos em Miami, matando todos os ocupantes instantaneamente.
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O incidente provocou uma onda de condenação pela comunidade internacional, levou os Estados Unidos a endurecer as sanções contra o regime de Fidel Castro e sepultou qualquer possibilidade imediata de reaproximação entre o regime e o governo do então presidente Bill Clinton.
Mais de trinta anos depois, o incidente voltou aos holofotes.
O governo dos EUA acusou criminalmente Raúl Castro pela derrubada dos aviões cubanos nesta quarta-feira (20/5). Leia também: Gasolina de má qualidade e outros 3 motivos que explicam a onda de protestos na
A possível acusação do ex-líder cubano de 94 anos, pendente de aprovação do júri, representaria uma escalada significativa na pressão de Washington sobre a liderança cubana, seguindo o precedente recente da captura e extradição do ex-líder venezuelano Nicolás Maduro.

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Raúl Castro renunciou formalmente à Presidência de Cuba e à liderança do Partido Comunista em 2021, passando o cargo para o atual presidente, Miguel Díaz-Canel, mas continua sendo considerado por muitos o homem mais poderoso do país.
A notícia chega em um momento particularmente delicado para uma ilha mergulhada em uma crise econômica e energética que atingiu níveis extremos após a recente pressão do governo Donald Trump e a perda de apoio da Venezuela desde a queda de Maduro em janeiro.
E ocorre em uma data simbólica: marca a fundação da República de Cuba após sua independência da Espanha, embora a data não seja celebrada na ilha, já que, na prática, o novo país permaneceu sob tutela dos EUA por mais de 30 anos. Mais de mundo
O que fazia a Irmãos ao Resgate
A queda dos aviões da organização Irmãos ao Resgate ocorreu no contexto do Período Especial, a profunda crise econômica que atingiu Cuba na década de 1990, após o colapso de seu principal aliado econômico na época, a União Soviética (URSS).
A dissolução da URSS, juntamente com o restante do bloco socialista, mergulhou a ilha em uma crise econômica severa, com apagões, escassez de alimentos e falta de combustível.
Essa crise — que muitos comparam à atual — levou milhares de cubanos a tentar deixar a ilha por mar para se reunirem com familiares nos Estados Unidos, culminando na crise dos refugiados cubanos de 1994. Leia também: Estrela pede recuperação judicial; relembre brinquedos históricos da marca
"De repente, todos começaram a procurar qualquer coisa que flutuasse para tentar chegar à Flórida", explicou o historiador cubano e ex-diplomata Juan Antonio Blanco à BBC News Mundo, serviço de notícias em espanhol da BBC.

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O grupo começou realizando voos sobre o Estreito da Flórida para localizar barcos improvisados que transportavam migrantes cubanos.
"Tentávamos encontrá-los, marcar sua posição e informar à Guarda Costeira dos EUA para que pudessem resgatá-los", disse José Basulto, o líder de 85 anos da Irmãos ao Resgate, à BBC Mundo.
Os membros da organização, que frequentemente sobrevoavam o estreito, também lançavam água e comida para os barcos.

O ataque e o papel de Raúl Castro




Quais foram as consequências

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