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Ler matéria →Irã diz que acordo para encerrar conflito com os EUA 'nunca esteve tão próximo'- Author, Olivia Ireland- Published- Tempo de leitura: 6 min Um acordo com os Estados Unidos para encerrar os confrontos com o Irã "nunca esteve tão próximo", afirmou o ministro das Relações Exteriores iraniano, Seyed Abbas Araghchi, nesta sexta-feira (12/6). O primeiro-ministro do Paquistão, Shehbaz Sharif, que tem atuado como mediador entre os lados em conflito, reforçou a declaração de Araghchi, dizendo que "um texto final consensual do acordo de paz foi alcançado".
" O Paquistão agora trabalha em estreita colaboração com ambas as partes para definir os próximos passos", disse Sharif. O presidente dos EUA, Donald Trump, republicou a declaração de Araghchi, que também pedia à imprensa que não especulasse sobre o conteúdo do acordo.
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A imprensa iraniana divulgou detalhes do suposto pacto, levando Trump a afirmar que eles "não têm nada a ver com os termos que foram acordados" e que "não guardam qualquer relação com a verdade". Trump diz que "não existe negociação de boa-fé" quando se trata de negociar com os iranianos e acusou Teerã de vazar os detalhes, acrescentando que os iranianos eram "pessoas muito desonrosas para se negociar". Na quinta-feira, o presidente dos EUA afirmou ter cancelado "ataques programados" contra o Irã porque os negociadores haviam "acabado de fazer um grande acordo"— um pacto que provavelmente seria assinado de forma iminente.
Ele disse a jornalistas que o acordo estava "sujeito à finalização de documentos, o que deve ser feito nos próximos dias" e que "provavelmente" haverá uma cerimônia de assinatura na Europa. Trump já afirmou em outras ocasiões que um acordo com o Irã estava próximo, sem que isso se concretizasse. Os EUA e Israel iniciaram ataques contra o Irã em 28 de fevereiro.
O Irã respondeu atacando Israel e países aliados dos EUA no Golfo e fechando o Estreito de Ormuz— uma rota vital para o transporte de petróleo e gás do mundo. Apesar de terem concordado com um cessar-fogo em abril, EUA e Irã trocaram ataques esporádicos desde então, incluindo duas rodadas de bombardeios retaliatórios nesta semana. Israel não participa das negociações, conduzidas principalmente com mediação do Paquistão. Leia também: Manaus celebra Copa do Mundo com agenda cultural diversificada e eventos de Dia dos Namorados
As conversas buscam ampliar o cessar-fogo e iniciar negociações sobre questões centrais, incluindo o programa nuclear iraniano. Em entrevista a jornalistas, Trump disse: "Temos um acordo de que o Irã nunca terá uma arma nuclear, que era todo o objetivo do que tivemos que passar para conseguir isso.
Portanto, é algo muito importante". Trump disse que haverá "provavelmente uma assinatura, talvez na Europa", assim que os documentos estiverem finalizados— e que isso deve ser concluído "bem rapidamente". Trump também disse que o Estreito de Ormuz será reaberto "assim que tivermos isso assinado".
O presidente americano disse que conversou com líderes na região, incluindo aliados do Golfo e o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, acrescentando: "todo o Oriente Médio está muito feliz". A Casa Branca tem pressionado por uma rápida conclusão das negociações com o Irã, com o objetivo de encerrar o conflito, além de tratar de questões como a segurança no Estreito de Ormuz e as ambições nucleares de Teerã.
Em 20 de abril, Trump disse que um acordo com o Irã seria alcançado "relativamente rapidamente", e tanto ele quanto figuras importantes do governo sugeriram que as negociações estavam avançando nas semanas seguintes. Mas, em 27 de maio, após relatos de que as duas partes estavam próximas de um acordo, Trump disse que não estava "satisfeito " com os termos.
As negociações continuam desde então. Há décadas, países ocidentais acusam o Irã de tentar desenvolver uma arma nuclear. Teerã nega as acusações e afirma que seu programa tem fins pacíficos, voltados à geração de energia e à pesquisa científica. Mais de noticia
Na sexta-feira, a agência iraniana Mehr publicou o que descreveu como os termos de um acordo— uma lista de demandas que Teerã vem defendendo publicamente e que os EUA têm rejeitado. Autoridades americanas também mencionaram exigências que o Irã rejeita de forma consistente. Entre os detalhes divulgados estava o fim de um bloqueio naval imposto pelos EUA e a concessão de "pelo menos US$ 300 bilhões (cerca de R$1,5 trilhão)
" para reparar os danos causados pelos ataques americanos e israelenses ao Irã. Segundo o suposto conteúdo do acordo, o Irã deseja que o texto final seja respaldado por uma resolução do Conselho de Segurança da ONU. "
O acordo final deverá se limitar a questões relacionadas ao futuro dos materiais enriquecidos e das atividades de enriquecimento, ao alívio das sanções e ao programa de reconstrução da economia iraniana", afirma o texto. O documento acrescenta que "as negociações finais não deverão começar até que metade dos ativos iranianos congelados tenha sido liberada, as sanções ao petróleo iraniano tenham sido suspensas e o bloqueio naval tenha sido encerrado". A lista de pontos inclui reivindicações tradicionais do Irã, entre elas o fim do conflito entre Israel e o Hezbollah, grupo apoiado por Teerã no Líbano. Leia também: Nubank: Erro em e-mail causa pânico com falsa liquidação
Do lado americano, uma alta autoridade do governo disse à BBC que o acordo com o Irã prevê a destruição e remoção do material nuclear e o desmantelamento do programa nuclear do país. Segundo essa autoridade, nenhum recurso financeiro seria liberado ao Irã até que Teerã atendesse às exigências dos EUA. O Estreito de Ormuz teria de ser reaberto e o Irã seria obrigado a deixar de financiar grupos terroristas— uma referência ao Hezbollah e a outros aliados regionais de Teerã no Oriente Médio.
O vice-presidente dos EUA, JD Vance, também se pronunciou posteriormente, afirmando ter observado "algumas coisas estranhas na cobertura jornalística das últimas horas". " Os iranianos não estão recebendo dinheiro, e nenhum recurso está sendo liberado simplesmente por assinar um acordo ou participar de uma reunião", escreveu Vance em uma publicação na rede
X. Ele acrescentou que o acordo "foi estruturado para garantir que as preocupações dos EUA e de seus aliados sejam priorizadas e que, se a República Islâmica do Irã cumprir suas obrigações, os benefícios econômicos serão destinados a eles e a toda a região". Em sua publicação no X, o primeiro-ministro paquistanês reconheceu " a campanha incessante de desinformação promovida por aqueles que querem sabotar o acordo de paz"
e afirmou que "a paz nunca esteve tão próxima quanto agora". Em meio às negociações, os dois países mantiveram os ataques. Na segunda-feira, Irã e Estados Unidos trocaram ataques após um helicóptero Apache dos EUA cair no Golfo.
Na quarta-feira, o Comando Central dos EUA (Centcom) disse ter concluído uma série de ataques contra alvos militares, de vigilância e radares no sul do Irã. Em resposta, a Guarda Revolucionária Islâmica do Irã (IRGC) afirmou ter lançado ataques contra bases americanas no Bahrein, Kuwait e Jordânia. Uma menina de 11 anos no Bahrein ficou ferida por um ataque com drone iraniano, disseram autoridades locais na quinta-feira, acrescentando que casas e carros foram danificados.
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