Helicóptero Apache dos EUA cai perto do Estreito de Ormuz; tripulantes resgatados
Ler matéria →A investigação dos Estados Unidos reacende o debate sobre a soberania dos sistemas de pagamento. Apesar das acusações de “concorrência desleal”, o uso de cartões de crédito cresceu 125% no Brasil desde a criação do PIX. Esse novo episódio de tensão na relação entre Brasil e Estados Unidos mostra como os meios de pagamento se tornaram um tema estratégico em um mundo cada vez mais digital.
Após a ameaça de novas medidas comerciais por parte de Washington, na última terça-feira (2), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva culpou Flávio Bolsonaro e participou de um evento em Goiás segurando um cartaz com a frase: “ O PIX é do Brasil”.
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Durante o discurso em Goiás, Lula voltou a defender o sistema. “Ninguém vai fazer a gente mudar o PIX”, afirmou o presidente, que também disse esperar um telefonema de Donald Trump para discutir os impasses entre os dois países. A reação ocorreu horas depois de o Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) concluir uma investigação aberta com base na chamada Seção 301 da Lei de Comércio, de 1974.
No documento, o Brasil é acusado de adotar práticas consideradas “irracionais” ou “discriminatórias” contra empresas americanas de pagamentos eletrônicos ao favorecer o PIX, um sistema de transferências instantâneas criado pelo Banco Central. Governo Trump conclui que Pix é 'injusto': por que sistema brasileiro incomoda tanto os EUA e o que pode acontecer com ele agora?—
Foto: Marcello Casal Jr/Agência Brasil Embora a decisão não leve automaticamente a sanções, ela abre caminho para possíveis medidas comerciais contra o Brasil. A investigação questiona, entre outros pontos, o fato de o Banco Central atuar ao mesmo tempo como regulador e operador do sistema, a obrigatoriedade de oferta do PIX por grandes instituições financeiras e as regras que garantem destaque ao serviço nos aplicativos dos bancos. Em resposta à conclusão preliminar da investigação, o governo brasileiro classificou as acusações como injustificadas e reiterou que o PIX é uma infraestrutura pública de pagamentos, aberta a empresas nacionais e estrangeiras. Leia também: Helicóptero Apache dos EUA cai perto do Estreito de Ormuz; tripulantes resgatados
Em nota, o Planalto manifestou “indignação” com a decisão do USTR e informou que continuará negociando com Washington até a divulgação do relatório final, prevista para 15 de julho. A controvérsia surge em meio a uma escalada mais ampla das tensões entre Brasília e Washington. Na última sexta-feira (29), os Estados Unidos classificaram as facções brasileiras PCC e Comando Vermelho como organizações terroristas.
Para o cientista político Feliciano Guimarães, professor de Relações Internacionais da Universidade de São Paulo (USP), os dois episódios fazem parte de um cenário mais amplo de deterioração das relações entre os dois países. "Estamos entrando em um dos capítulos mais perigosos da história do relacionamento entre Brasil e Estados Unidos desde a Guerra Fria", afirma. Mais de instrumentos de pressão
Na avaliação de Guimarães, a classificação amplia as ferramentas disponíveis para os Estados Unidos pressionarem indivíduos, empresas e instituições brasileiras possivelmente ligadas a essas organizações. Esse aumento de possibilidades de ação se torna ainda mais sensível com a proximidade da eleição presidencial, em outubro. "
Imagine o que aconteceria com a economia brasileira se, duas semanas antes das eleições, o Departamento de Estado designasse o Itaú como um banco ligado a organizações terroristas como o PCC e o Comando Vermelho", questiona. No cenário projetado pelo pesquisador, as ações do banco cairiam rapidamente, seus ativos nos Estados Unidos poderiam ser bloqueados e a instituição correria o risco de ser afastada do sistema Swift, usado para transações financeiras internacionais. "
Haveria uma quebra automática do sistema financeiro brasileiro, e o governo federal não teria capacidade de cobrir. A mesma coisa poderia acontecer com os outros bancos. Este é, de longe, o maior perigo. Mais de noticia
Agora, todos os bancos brasileiros têm que quintuplicar o departamento de compliance para retirar todo dinheiro suspeito de passar por PCC e CV de dentro da instituição, imediatamente. " Nas primeiras reações à classificação dessas facções como organizações terroristas, integrantes do governo brasileiro já demonstraram preocupação com possíveis efeitos sobre o PIX.
O receio é que os Estados Unidos adotem medidas contra o sistema de pagamentos e as empresas que o utilizam, com base na interpretação de que ele poderia facilitar atividades criminosas. Poucos dias depois, ao classificar o tema como "prática comercial desleal", o PIX passou ao centro da tensão diplomática. Investigação contra o PIX foi aberta em 2025
A ofensiva dos Estados Unidos contra o PIX não surgiu de forma repentina. A investigação foi aberta pelo USTR, em julho de 2025, e também analisa temas como comércio digital, tarifas, propriedade intelectual, acesso ao mercado de etanol e desmatamento ilegal. Desde então, o governo brasileiro contesta sua legitimidade, argumentando que o PIX é uma infraestrutura pública de pagamentos, aberta a qualquer instituição autorizada a operar no país, e que o uso da Seção 301 é incompatível com as regras da Organização Mundial do Comércio (OMC). Leia também: Campo Grande: 'Crossfiteiros do Agro' viralizam com treino temático e celebram cultura rural
Em abril deste ano, representantes do Ministério da Fazenda e do Itamaraty viajaram a Washington para prestar esclarecimentos às autoridades americanas. A China também consolidou plataformas próprias para pagamentos instantâneos, como Alipay e WeChat Pay— Foto: Don Huh via DW A economista Monica de Bolle, pesquisadora do Peterson Institute for International Economics, questiona a própria base da investigação.
" O PIX não é uma prática comercial. O PIX é um sistema público de pagamentos não discriminatório", define.
Para De Bolle, a investigação só pode ser compreendida quando se consideram os interesses econômicos envolvidos. Grandes empresas americanas do setor de pagamentos vêm pressionando governos em diferentes partes do mundo diante do avanço de sistemas digitais criados ou apoiados por Estados. "
Essas plataformas acabam afetando os negócios dessas empresas. Desde a adoção do PIX, empresas como Visa e Mastercard têm reclamado muito, alegando que vão perder mercado", afirma. Lobby do cartão de crédito Segundo a economista, o peso político dessas empresas ajuda a explicar por que o PIX foi incluído na investigação comercial dos Estados Unidos.
" Essas empresas têm um lobby muito forte. Como o governo Trump funciona muito com lobby, acabou aceitando as reclamações dessas empresas de cartão de crédito em relação ao PIX.
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