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Governo Lula liga alerta para risco de derrota em MP das blusinhas

Adriana Fernandes Marcos Hermanson Brasília Após os novos tarifaços do governo Donald Trump , empresários passaram a intensificar a pressão para reverter no Congresso a

Governo Lula liga alerta para risco de derrota em MP das blusinhas
Adriana Fernandes Marcos Hermanson
Brasília

Após os novos tarifaços do governo Donald Trump, empresários passaram a intensificar a pressão para reverter no Congresso a MP (medida provisória) que zerou o imposto de importação de 20% para compras de até US$ 50 em sites como Shein, Shopee e AliExpress.

A medida, que começou a valer em maio, ficou conhecida como a "MP das blusinhas".

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Avaliada como uma política eleitoreira do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), a MP gerou um aumento das importações. As empresas nacionais afetadas pela entrada de produtos importados com vantagem tarifária enxergam a isenção como um "duplo castigo", que se soma às novas tarifas.

Os empresários estão se movimentando para conseguir apoio no Congresso pela volta, ainda que parcial, da tributação ou a aprovação de medidas compensatórias.

A imagem apresenta uma colagem de telas de aplicativos de compras online. No centro, destaca-se o logotipo da Shopee, que é um ícone de uma sacola de compras laranja com a letra 'S' em destaque. À esquerda, há uma tela com várias imagens de produtos e a frase 'DAILY NEWS'. À direita, uma tela do aplicativo AliExpress, mostrando um ícone de sacola de compras e um botão de 'Get'.
Plataformas de venda digitais - Getty Images

O prejuízo com o tarifaço de Trump será um dos argumentos para acelerar essa discussão no Legislativo, após a volta do recesso parlamentar. A sobretaxa de 12,5% foi anunciada nesta quinta-feira (23) e deve se somar, em alguns setores, aos 25% já impostos na semana passada em outra investigação envolvendo produtos brasileiros. Leia também: Mensagens, viagens e proximidade com lobistas são principais elementos

Os Estados Unidos decidiram aplicar uma nova tarifa ao Brasil com base na Seção 301 da Lei de Comércio, em uma investigação sobre falhas no combate à importação de produtos feitos com o uso do trabalho forçado.

O setor têxtil, o mais afetado pela MP das blusinhas, patrocina, como forma compensatória, a aprovação de um projeto que permite a devolução de tributos incidentes sobre aquisições de artigos de vestuário e de cama, mesa e banho por famílias de baixa renda.

No curto prazo, o setor quer a isenção de PIS e Cofins. "Trabalhamos com a redução [da carga da indústria] e/ou com a volta da taxação [das remessas internacionais]", diz Fernando Pimentel, superintendente da Abit (Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção). "Essa desigualdade regulatória e tributária conta com muito apoio de vários parlamentares no Congresso", afirmou.

Uma das entidades mais vocais contra a MP das blusinhas, a Fiemg (Federação das Indústrias de Minas Gerais), vai defender em nota, na próxima semana, a volta da tributação. O posicionamento vai pedir isonomia e mostrar que os produtos chineses não têm a carga de impostos do Brasil. A produção têxtil de Minas é fortemente impactada pela alíquota zero do imposto de importação.

A MP precisa ser deliberada pelo Congresso até o dia 8 de setembro, perdendo validade no dia seguinte se não for votada, quando a campanha eleitoral estará em pleno vapor. Mais de politica

Um integrante do Ministério da Fazenda afirmou à Folha, na condição de anonimato, que o governo Lula já se posicionou sobre esse tema ao enviar a MP e ponderou que não há possibilidade de retrocesso.

A avaliação desse auxiliar do presidente Lula é que a proximidade das eleições é um fator que vai favorecer a aprovação da MP. Sobre a possibilidade de medidas compensatórias ao fim da taxação, ele ressaltou que setores afetados pelos tarifaços estão sendo bem atendidos com o socorro do governo federal.

A área econômica está monitorando o aumento da importação após a edição da MP. Leia também: Presos, generais do golpe resenham livros, fazem fisioterapia e estudam

Integrantes do Mdic (Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços) já identificaram sinais de que os setores afetados pela taxação estão atuando no Congresso contra a MP, mas ponderam que, caso a medida não seja votada, a responsabilidade será do Congresso.

ALTA DAS IMPORTAÇÕES

"A retirada do imposto de importação sobre produtos até US$ 50 é um risco para o setor produtivo nacional, seja ele indústria ou varejo", criticou o economista-chefe da Fiemg, João Gabriel Pio.

Segundo ele, já se observa um aumento de R$ 2,6 bilhões em julho nas importações de pequeno valor. "O grande risco que a indústria enxerga não é necessariamente só você tirar ou colocar o imposto, mas a forma como está sendo colocado", afirmou.

Ele lembrou que a taxação foi adotada no ano passado, após uma série de investigações que mostraram comércio desleal com a China e falta de isonomia.

"[O fim da taxação] tem um potencial de ser muito desastroso para o setor industrial brasileiro", disse Pio. Entre os segmentos afetados, ele destacou componentes eletrônicos, além do têxtil.

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