O governo brasileiro manifestou, nesta terça-feira (2), "profunda indignação" com a conclusão preliminar de uma investigação conduzida pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR). O processo, conhecido como " Seção 301
" , apura supostas práticas comerciais desleais do Brasil e pode resultar em tarifas sobre produtos nacionais De acordo com a nota oficial a qual o blog teve acesso, a investigação foi motivada por "provocação da família Bolsonaro" e é vista pelo Itamaraty como uma tentativa de ingerência em temas internos
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O governo criticou a atuação de "falsos patriotas" que usariam cargos públicos para conspirar contra os interesses do país (leia mais abaixo). Ameaça ao PIX e superávit dos EUA Um dos pontos centrais da tensão é a menção explícita ao PIX nas recomendações preliminares dos EUA. Leia também: Alerta de Tempestades e Granizo no Espírito Santo para o Feriado
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O governo brasileiro defende que o sistema é uma infraestrutura pública, gratuita e neutra, operada pelo Banco Central, e que empresas norte-americanas já participam ativamente desse ecossistema. Para rebater as acusações de desequilíbrio comercial, o Brasil apresentou números que favorecem os americanos: - Superávit acumulado: nos últimos 15 anos (2011-2025), os EUA acumularam um superávit de US$ 424,5 bilhões com o Brasil. - Dados de 2025:
apenas no ano passado, o saldo positivo para os EUA foi de US$ 40,52 bilhões (bens e serviços). - Tarifas baixas: atualmente, 76% das importações dos EUA entram no Brasil sem pagar imposto, com uma alíquota média efetiva de apenas 3,1%. Lula anunciou acordo no mês passado para negociar impasse sobre tarifas e investigação comercial americana — Foto: Ricardo Stuckert/Divulgação Argumentos ambientais e de propriedade intelectual
O Brasil também utilizou dados técnicos para refutar as justificativas da investigação: - Meio Ambiente: o governo destacou que o desmatamento na Amazônia Legal recuou cerca de 50% em relação a 2022, e a área queimada no país caiu 40% em 2025. - Patentes: os EUA são os maiores beneficiários do sistema de patentes brasileiro, respondendo por 30% dos pedidos. O pagamento de royalties aos americanos dobrou entre 2020 e 2024, atingindo US$ 1,38 bilhão.
Etanol e Açúcar: O país aponta que, enquanto o Brasil é aberto ao etanol americano, o açúcar brasileiro enfrenta tarifas de até 80% nos EUA. Queda nas exportações e 'Lei de Reciprocidade' Mais de noticia
O clima de incerteza já impacta os negócios. No primeiro trimestre de 2026, a participação dos EUA nas exportações brasileiras caiu para 9,4%, o menor nível da série histórica. Apesar do embate, existe uma tentativa de solução diplomática.
Os presidentes Lula e Trump se reuniram em 7 de maio e estabeleceram um prazo até 15 de julho para que negociações tarifárias encerrem a investigação sem a imposição de sanções. Caso as tarifas sejam confirmadas, o Brasil afirmou que poderá acionar a Lei de Reciprocidade. A legislação, aprovada por unanimidade pelo Congresso Nacional, autoriza o Estado a adotar medidas para enfrentar injustiças comerciais que não tenham amparo nas regras internacionais Leia também: Pílula para Câncer de Pâncreas Duplica Sobrevida e Elogios na ASCO
Governo convoca reunião de emergência para discutir novo tarifaço dos EUA Encontro contará com a participação de ministros que devem discutir próximos passos frente à recomendação da imposição de novas tarifas de 25% sobre importações brasileiras O governo federal convocou para a manhã desta terça-feira (2) uma reunião de emergência para discutir possíveis ações frente à recomendação do USTR (Representante Comercial dos Estados Unidos) de imposição de tarifas de 25% sobre todas as importações do Brasil.
O encontro ocorrerá na Vice-Presidência da República e contará com a participação de diversos ministros. Até o momento, o governo prevê a presença do ministro da Fazenda, Dario Durigan, do MDIC (Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços), Marcio Elias, do MPO (Ministério do Planejamento e Orçamento), Bruno Moretti, da SRI (Secretaria de Relações Institucionais), José Guimarães (PT), e do ministro da Secom (Secretaria de Comunicação), Sidônio Palmeira. Ao chegar à reunião, José Guimarães disse a jornalistas que o senador e pré-candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL-RJ) "só atrapalha o Brasil".
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