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Ler matéria →GM critica medida que beneficia BYD e propõe a Alckmin novo plano de incentivo para importados Proposta segue modelo mexicano que atrela inventivos à produção nacional; na terça-feira, governo estendeu benefícios fiscais a importações de elétricos
A GM apresentou na quarta-feira, 24, uma proposta ao vice-presidente da República, Geraldo Alckmin, de incentivo à produção local, durante evento em que anunciou uma ampliação de R$ 3,5 bilhões no plano de investimentos no Brasil até 2028, que soma agora R$ 10,5 bilhões. A ideia é apaziguar as disputas sobre cotas de importação no setor. A proposta seria parecida com a adotada no México, em que os benefícios tributários concedidos à importação de veículos seriam atrelados ao volume de automóveis produzidos pela mesma empresa no Brasil.
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Isso valeria tanto para a importação de veículos completos ou de componentes. " A gente tem a prática de sempre propor alguma coisa para tentar destravar qualquer dissenso no setor, que é complexo, mas tem mais convergências do que divergências", afirma o vice-presidente da GM América do Sul, Fabio Rua.
" Procuramos estudar as referências internacionais. Nesse caso, o México é um exemplo, mas podemos aprimorar o modelo deles.
" No México, a cada 100 mil carros fabricados, a empresa tem direito a cota de 10 mil carros com isenção tributária. " Leia também: Gutiérrez volta ao centro do debate na temporada
Podemos estabelecer que esses 10 mil carros sejam elétricos ou híbridos, para melhorar o modelo", diz o executivo. " Com essa proposta, podemos evitar que, a cada seis meses, quem se beneficia de cotas de tarifa reduzida vá pedir a renovação delas.
As cotas podem ser estabelecidas atreladas a avanços de etapas fabris. Vai se beneficiar quem gera emprego e investe em pesquisa e desenvolvimento, para estimular que continue investindo no País. E não vamos limitar as cotas a qualquer país.
Não se pode discriminar. " Na proposta apresentada pela GM a Alckmin, qualquer montadora que produzisse, pelo menos, 100 mil carros no País e tivesse um mínimo de R$ 500 milhões de investimentos locais, teria direito a cota de isenção para importar até 20% do total de veículos fabricados localmente.
Por exemplo, se produzisse 100 mil carros no ano, poderia importar com benefícios fiscais 20 mil unidades. A discussão ocorre porque, no dia anterior ao anúncio do investimento da GM, na terça-feira, 23, a Câmara de Comércio Exterior (Camex) anunciou a renovação, por seis meses, da cota de importação com alíquota zero para veículos eletrificados desmontados (CKD) e semidesmontados (SKD), no valor de US$ 463 milhões. O mecanismo beneficia principalmente a chinesa BYD, que monta veículos do tipo em Camaçari (BA).
A cobrança do imposto passaria a valer em julho. Para a GM, essa extensão não estimula o desenvolvimento da indústria e da cadeia produtiva do setor automotivo. " Mais de esporte
Entendemos a posição do governo, mas entendemos que, quando se importa o veículo semipronto, não se usam os fornecedores locais, emprega-se muito pouca gente e não se estimula a tecnologia no Brasil", diz Rua. A medida também foi fortemente criticada pela Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), que apontou riscos aos investimentos das empresas do setor no País e anunciou que pode recorrer à Justiça para reverter a decisão. Em nota à imprensa, a Anfavea salientou que "lamenta e vê com grande preocupação" a decisão de restabelecer incentivos à importação de veículos elétricos CKD e SKD.
Para a associação, a medida contraria os interesses dos trabalhadores, das fabricantes nacionais de veículos e das empresas brasileiras de autopeças. Desde a virada de 2025 para 2026, a Anfavea e as suas associadas esperavam um movimento da BYD para tentar estender os benefícios. Havia a expectativa de que a proposta fosse mencionada em reunião da Gecex de 15 de janeiro.
Dias antes disso, representantes do setor comentaram a situação em reuniões com integrantes do governo, para evitar que a proposta que beneficiaria a BYD avançasse, e ela acabou não sendo tratada pela Gecex, até agora. Integrantes do setor, no entanto, comentavam que a BYD ainda não teria esgotado suas tentativas e provavelmente trataria da questão por meio de integrantes do governo ligados ao PT da Bahia, como o ex-ministro-chefe da Casa Civil e ex-governador da Bahia Rui Costa e o ex-líder do governo no Senado Jaques Wagner. No último mês, a montadora chegou a se reunir com membros do governo federal e da Bahia e discutiu o tema. Leia também: alerta amarelo volta ao centro do debate na temporada
Em 20 de maio, Alckmin recebeu representantes da BYD, junto com o governador da Bahia, Jerônimo Rodrigues (PT). A BYD assumiu, em Camaçari, a fábrica da Ford, que deixou de fabricar carros no Brasil em 2021. Segundo a chinesa, as isenções ajudam a manter menores os preços dos carros elétricos, e isso ajudou ela a emplacar 21 mil automóveis no País em maio.
Procurada pela reportagem, a BYD não se posicionou. A montadora chinesa produz no Brasil certos modelos, como o Dolphin Mini e o Song Pro. Mas há outros modelos que vêm apenas por meio de importação ou são finalizados a partir dos kits desmontados.
A empresa também tem declarado que pretende ampliar a produção local. Em abril, a empresa anunciou que entraria em uma nova fase de expansão, com abertura de 1,6 mil vagas para ter um terceiro turno de produção, previsto para o segundo semestre, em seu complexo de Camaçari (BA). Com isso, ela se tornaria a terceira maior empregadora da Bahia, e diz já reunir quase 10 mil profissionais brasileiros diretos e indiretos.
Ao Estadão/Broadcast o vice-presidente sênior da BYD no Brasil, Alexandre Baldy, comentou na segunda-feira, 22, a resistência da Anfavea à sua proposta. " Nós respeitamos o governo, respeitamos o Brasil, cumprimos a nossa parte desse compromisso com o Brasil, com o brasileiro, investindo, gerando emprego para brasileiros, gerando emprego para os baianos, trazendo investidor estrangeiro", disse Baldy, ao ser questionado sobre declarações dadas, pela manhã, pelo presidente da Anfavea, Igor Calvet, de que a volta das cotas traria riscos aos investimentos de R$ 140 bilhões anunciados pelas montadoras e de que poderia ir à Justiça para evitar isso.
GM anuncia novos investimentos no Brasil O aporte adicional apresentado pela GM em evento com Alckmin, em Brasília, será destinado à renovação do portfólio de produtos e à introdução de novas tecnologias, como modelos híbridos. Além disso, conforme a montadora, deve acontecer uma modernização e ampliação das operações no País.

