Novo chefe de escritório dos EUA para América Latina já criticou Brasil
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Crédito, Getty Images
- Author, Mariana Schreiber
- Role, Da BBC News Brasil em Brasília
- Published Há 1 hora
- Tempo de leitura: 15 min
As pesquisas eleitorais têm mostrado uma certa estabilidade na disputa presidencial, sinalizando, no momento, para um segundo turno apertado entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), com pequena vantagem para o petista.
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O detalhamento das sondagens, porém, revela dados interessantes sobre a corrida eleitoral, ressalta a diretora do instituto Datafolha, Luciana Chong, em entrevista à BBC News Brasil.
Ela nota que o crescente eleitorado de idosos, com 60 anos ou mais, desponta como um possível "novo Nordeste" para o PT, em referência à região que tem dado larga vantagem de votos para o partido de Lula desde 2002.
Segundo a última pesquisa Datafolha, em eventual segundo turno, 55% desse grupo declaram apoio ao petista, contra 37% que preferem Flávio, uma diferença de quase vinte pontos percentuais. Leia também: Por que existe o Dia Mundial do Mosquito — e o que isso tem a ver com o Nobel
Os idosos também chamam atenção por seu engajamento maior na eleição em relação a outros grupos, nota Chong. Na pesquisa espontânea para o primeiro turno, ou seja, quando os entrevistados são perguntados sobre em quem vão votar sem que lhes sejam apresentados os nomes dos candidatos, apenas 34% do eleitorado mais velho responde que ainda não sabe seu candidato, contra 46% dos mais jovens (16 a 24 anos).
"Os idosos são agora 23% dos eleitores. Nunca houve um percentual tão alto de pessoas com 60 anos ou mais dentro do eleitorado. E hoje, porque há a questão da longevidade, uma pessoa de 60 anos, 70 anos, está muito ativa, diferente do que era há algumas décadas. Hoje, as pessoas estão trabalhando, são ativas e querem ir votar", analisa.
"É um segmento importante que está bem engajado com o Lula nesse momento. Acho que também muito por conta de todas as políticas econômicas que acabam acenando para esse grupo, como a valorização do salário mínimo [que aumenta também o valor de benefícios do INSS]", nota Chong.
Por outro lado, a maior dificuldade de Lula está entre a população adulta, na faixa de 35 a 44 anos, que a diretora do Datafolha chama de "geração Lava Jato", em referência à operação que desmantelou um grande esquema de corrupção envolvendo a Petrobras e diferentes partidos políticos durante os governos de Dilma Rousseff (2010 a 2016).
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É um grupo que passou boa parte de sua vida governada por governos petistas e acompanhou a grande repercussão do escândalo. Nessa faixa etária, Flávio aparece com 53% das intenções de voto em eventual segundo turno, contra 38% de Lula.
"Quando a gente pergunta qual o principal problema do país, eles citam a corrupção mais do que os outros grupos", destaca. Leia também: Quem é Natalie Harp, assessora que se tornou presença constante ao lado de Trump
Para Chong, o período eleitoral de campanha, que começou em 16 de agosto, e a propaganda eleitoral gratuita em rádio e TV (a partir do dia 28) ainda são capazes de influenciar o voto do eleitor, apesar da importância das redes sociais como meio de informação hoje.
Até o momento, porém, ela vê pouco espaço para algum candidato romper a forte polarização entre Flávio e Lula, como os ex-governadores Ronaldo Caiado (PSD), Romeu Zema (Novo) ou o novato Renan Santos (Missão).
Na sua visão, essa é mais uma eleição movida pela rejeição, em que o eleitor escolhe o seu candidato não tanto pelas propostas, mas em contraponto ao que mais rejeita, seja o presidente ou o filho de Jair Bolsonaro (PL).
Isso, diz Chong, contribui para o cenário de segundo turno apertado que vem sendo apontado nas pesquisas eleitorais, apesar da ampla vantagem de Lula nos levantamentos de primeiro turno.
"A gente vê que Lula vence todos os outros com percentuais parecidos, porque, para esse eleitor [anti-Lula], tanto faz se é Flávio, se é Caiado, se é Zema; ele é contra Lula. É mais um voto anti-Lula do que naqueles candidatos que estão ali apresentados. Então, quando houver realmente um segundo turno definido, toda essa direita vai se unir. Não vai ser uma eleição fácil", avalia.





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