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GDF usará Centrad em Taguatinga, complexo inativo há 12 anos

A governadora Celina Leão anunciou nesta segunda-feira (1º) a ocupação do Centro Administrativo do DF, prometendo economia com aluguéis. O Centrad, construído em uma PPP de

A governadora do Distrito Federal, Celina Leão (PP), anunciou nesta segunda-feira (1º) que o Governo do DF (GDF) passará a utilizar o Centro Administrativo (Centrad), localizado em Taguatinga. O complexo de prédios, que está pronto há 12 anos e nunca foi efetivamente ocupado, será usado como forma de economizar com os aluguéis de imóveis que atualmente abrigam as secretarias e órgãos do governo, conforme informou o G1. A Secretaria de Obras e Infraestrutura será a primeira pasta a iniciar a mudança, e o gabinete da própria governadora também está previsto para se transferir para o local.

Um Projeto Bilionário e Doze Anos de Abandono

O Centrad foi concebido por meio de uma Parceria Público-Privada (PPP) entre o GDF e um consórcio privado formado pela Via Engenharia e Odebrecht, com um valor previsto de R$ 6 bilhões e contrato de 22 anos. Pelo acordo, as empresas seriam responsáveis pela construção e, após a suposta inauguração, por serviços como manutenção, segurança e limpeza, recebendo R$ 17 milhões mensais. No entanto, esses valores nunca foram pagos devido à não-ocupação do complexo. Por outro lado, as construtoras alegam ter investido cerca de R$ 1,5 bilhão na construção e buscam reaver essa quantia. Leia também: PCC e CV ganha destaque após novo desdobramento em pcc e cv: temer diz que

A história do Centrad é marcada por uma "inauguração" simbólica e precoce em 2014, no último dia do mandato do então governador Agnelo Queiroz, com as obras ainda inacabadas. Desde então, o local permaneceu fechado, sendo alvo de invasões, vandalismo e depredação, exigindo que o GDF mantenha gastos com sua segurança desde a anulação da PPP em 2022, segundo o G1.

Controvérsias e Barreiras Legais

A ocupação do Centrad enfrentou diversas barreiras legais e éticas ao longo dos anos. Em 2015, o Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT) se manifestou contra o uso do complexo, não concedendo a Carta de Habite-se devido a irregularidades. O então governador Rodrigo Rollemberg desistiu da mudança do Executivo para o local pela mesma razão.

A PPP foi também alvo de investigações. Em 2017, durante delação no âmbito da Operação Lava Jato, um ex-executivo da Odebrecht, João Antônio Pacífico Ferreira, revelou que as negociações do Centrad foram permeadas por "acordos de mercado" e repasses para caixa dois de campanhas eleitorais. Em 2020, uma decisão da 4ª Vara de Fazenda Pública do DF chegou a proibir o GDF de repassar recursos ao consórcio, e o Ministério Público de Contas (MPC) solicitou ao Tribunal de Contas do DF (TCDF) que barrasse transferências, argumentando falta de vantagem econômica na mudança. Leia também: ONG é alvo de operação Mais de noticia

Próximos Passos e Questionamentos

Apesar do anúncio da governadora, o GDF ainda não divulgou informações sobre os custos envolvidos na mudança das secretarias e do gabinete para o Centrad, incluindo mobiliário e manutenção de espaços que estão desocupados há mais de uma década. O G1 questionou a governadora Celina Leão sobre o fato de o Centrad estar entre os imóveis incluídos na lei de socorro ao caixa do Banco de Brasília (BRB), mas não obteve retorno até a última atualização da reportagem.

O que se sabe até agora:

  • A governadora Celina Leão (PP) confirmou que o GDF ocupará o Centrad em Taguatinga.
  • O objetivo principal é gerar economia com o fim dos aluguéis de diversos imóveis públicos.
  • A Secretaria de Obras e Infraestrutura será a primeira a se mudar, seguida pelo gabinete da governadora.
  • O complexo está pronto, mas inativo e sem uso efetivo, há 12 anos.
  • O Centrad foi construído por meio de uma PPP de R$ 6 bilhões, mas foi marcado por irregularidades e a PPP foi anulada em 2022.
  • Não há informações sobre os custos da mudança e da manutenção inicial dos espaços.

A decisão de finalmente ocupar o Centrad representa um marco para o Distrito Federal, buscando dar utilidade a um patrimônio público que por mais de uma década representou um símbolo de desperdício e má gestão. Os desafios, no entanto, persistem, com a necessidade de transparência sobre os custos da transição e a gestão de um complexo com um histórico tão problemático. O acompanhamento atento será essencial para garantir que a promessa de economia e eficiência seja cumprida.

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