
Crédito, Reuters
- Author, Ayelén Oliva
- Role, Da BBC News Mundo
- Published Há 3 horas
- Tempo de leitura: 6 min
Incêndios, fogos de artifício e pichações contra o presidente Rodrigo Paz surgiram nesta semana na Plaza Murillo, em La Paz — sede de alguns dos principais escritórios do governo da Bolívia.
Leia no AINotícia: Panorama Mundial: Notícias que Marcaram a Semana
Os setores mais críticos, incluindo agricultores e trabalhadores ligados a organizações sociais associadas ao ex-presidente Evo Morales (2006-2019), chegam a pedir a renúncia de Paz.
Os protestos, que começaram há mais de três semanas com bloqueios de estradas, se intensificaram e afetam o cotidiano de grande parte da população boliviana, que sofre com a escassez de alimentos, combustível e medicamentos.

Crédito, Getty Images Leia também: Ypê orienta consumidores a não usar produtos afetados após Anvisa manter
"O presidente é teimoso, não quer ouvir nada, as pessoas estão revoltadas", afirmou Eddy, um motorista particular em La Paz que diz ter votado em Rodrigo Paz na última eleição, à BBC News Mundo (serviço em espanhol da BBC).
Os protestos mascaram um profundo descontentamento com Paz entre aqueles que votaram no presidente, mas sentem que, em seu primeiro mandato, ele não está atendendo às suas demandas.
"A novidade é que esta é uma mobilização multissetorial que adota uma postura abertamente desestabilizadora, que não se limita mais a pedir demandas específicas, mas sim a exigir a renúncia do presidente", disse a cientista política Luciana Jáuregui à BBC News Mundo.
O departamento de Estado dos EUA descreveu a situação na Bolívia como uma "crise humanitária" e classificou os protestos como "ações destinadas a desestabilizar o governo democraticamente eleito de Rodrigo Paz". A Argentina enviou uma aeronave militar de sua Força Aérea "para realizar pontes aéreas para o transporte de alimentos", enquanto o presidente colombiano, Gustavo Petro, descreveu a situação como um "levante popular".

Crédito, Reuters Mais de mundo
1. Propriedades rurais
Os protestos começaram no final de abril, depois que o presidente Paz anunciou uma reforma agrária com o objetivo de transformar pequenas propriedades rurais em propriedades de médio porte.
A Lei 1720 autorizou o Instituto Nacional de Reforma Agrária a converter uma pequena propriedade rural em uma propriedade de médio porte, desde que o proprietário o solicite voluntariamente.
Segundo o governo, o objetivo da medida é permitir que os proprietários de pequenas propriedades rurais as utilizem como garantia para obter crédito e, assim, reativar investimentos. Leia também: Waldirene, a 1ª mulher trans a passar por cirurgia de redesignação sexual no
No entanto, diversos grupos camponeses interpretaram a medida como uma tentativa de promover a venda de terras agrícolas para grandes proprietários.

Crédito, Getty Images
A Federação Camponesa Túpac Katari, apoiada pela Central Operária Boliviana (COB), a maior central sindical do país, bloqueou importantes rodovias em mais de 30 pontos, paralisando efetivamente a nação.
"Todas as estradas estão bloqueadas. As pessoas estão muito revoltadas", afirma o motorista Eddy.
Em resposta aos protestos, o presidente revogou a iniciativa na semana passada.
2. Baixos salários

3. 'Gasolina de má qualidade'

4. Reforma constitucional

Leia também no AINotícia
- Governo Trump indicia Raúl Castro: a derrubada de aviões pela qual EUA acusamMundo · agora
- Waldirene, a 1ª mulher trans a passar por cirurgia de redesignação sexual noMundo · 4h atrás
- Reality sobre casais já era visto como 'tragédia anunciada' antes de denúnciasMundo · 4h atrás
- Estrela pede recuperação judicial; relembre brinquedos históricos da marcaMundo · 4h atrás
