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Foo Fighters troca luto por fúria em novo álbum 'Your Favorite Toy'

O décimo segundo álbum de estúdio do Foo Fighters, "Your Favorite Toy", chega cercado por uma sensação inevitável: é impossível ouvir o disco sem comparações

Foo Fighters troca luto por fúria em novo álbum 'Your Favorite Toy'

O décimo segundo álbum de estúdio do Foo Fighters, "Your Favorite Toy", chega cercado por uma sensação inevitável: é impossível ouvir o disco sem comparações com o anterior, "But Here We Are" (2023), marcado pelo luto pela morte por overdose do baterista Taylor Hawkins e pela perda da mãe de Dave Grohl. Se aquele trabalho era um exercício de desconstrução da dor, com letras em busca por algum tipo de sentido na vida, o sucessor opta por outro caminho. um de menos introspecção e mais fúria.

Grohl já disse em entrevistas que cada disco da banda parece funcionar como uma resposta ao anterior, e aqui isso fica evidente. Sai a reflexão e a resignação, entra a urgência, o barulho e uma energia quase juvenil. "

Your Favorite Toy " soa como um grito, um disco que troca a catarse emocional pela descarga física.

É como se, diante dos problemas pessoais recentes, incluindo crises familiares e mudanças na formação, a banda tivesse decidido não explicar nada, mas simplesmente tocar mais alto. O resultado é um álbum que aposta em uma estética crua, direta. Na faixa de abertura, "Caught in the Echo", a mensagem já está clara: guitarras cortantes, em ritmo acelerado, e um Grohl berrando como se ainda estivesse nos tempos da garagem.

Vem depois " Of All People", que reforça essa impressão de urgência. Soa como punk americano dos anos 1980.

Em vários momentos, o disco parece menos interessado em desenvolver canções e mais em capturar a sensação de uma banda tocando de um jeito descompromissado. Muitos grupos sentem falta disso e, quanto mais o tempo passa, fica mais difícil conseguir esse resgate. Essa abordagem funciona especialmente bem nas faixas pesadas como " Leia também: Sepultura lança disco final e guitarrista diz que morte dá uma intensidade ao presente

Spit Shine " e "

Of All People". Elas têm aquele impulso quase descontrolado rumo ao refrão, como se a banda quisesse pular os outros versos. Há uma crueza que remete tanto ao início do Foo Fighters quanto às raízes hardcore de Grohl.

Ao mesmo tempo, o disco não abandona completamente o lado mais acessível e palatável do grupo. "Window" e "Child Actor" trazem de volta o rock alternativo feito para tocar nas rádios, ainda que inserido em um contexto mais áspero. Como clara candidata a hit do álbum está "Window", com um riff simples e um groove envolvente, a música cresce até um refrão explosivo, recurso habitual de Grohl desde o Nirvana.

Em cima dessas camadas sonoras, as letras são erráticas. Há versos que sugerem um incômodo pessoal muito forte, como " Eu me perdi enquanto usava as palavras de outra pessoa", em "Child Actor", mas nada traz uma narrativa clara.

Ao contrário do álbum anterior, em que o luto era explícito, aqui os sentimentos aparecem confusos. O disco é menos sobre explicar emoções e mais sobre exorcizá-las. Além de ser um álbum curto, com pouco mais de 30 minutos de música, as faixas são um tanto repetitivas, mas isso parece deliberado. Mais de entretenimento

Será que Grohl quis emular punk básico? Pode ser. Para não dizer que o disco não tem um momento de ousadia, ela se concentra em "

Asking for a Friend". De andamento mais lento, a faixa cresce até um clímax de rock de arena, e todos sabem que o Foo Fighters faz isso muito bem. É quase um gesto de afirmação de que a banda ainda pode fazer hinos de estádio. Leia também: Veja como comprar ingressos para festival Bangers Open Air com Black Label Society e Angra

A entrada do baterista Ilan Rubin traz técnica apurada, como não poderia ser diferente numa banda que é comandada por Grohl, um dos grandes do instrumento. " Unconditional", "

Amen, Caveman" e " If You Only Knew" são aquelas que poderiam ir além do rock simples que guia o álbum, exibindo até um pouco de blues.

Mas ainda são dominantes guitarras urgentes e refrões berrados. O Foo Fighters poderia facilmente soar cansado ao tentar revisitar suas origens. Mas é preciso admitir: esse disco simplifica sua fórmula, e a banda se apresenta mais viva.

Em vez de revelar o que se perdeu com o tempo, tem energia, instinto e capacidade de transformar crise em alimento para seu som. Se "But Here We Are" era um disco sobre encarar a dor, este é sobre seguir em frente. Talvez sem respostas claras, mas com volume alto o suficiente para gritar a que veio.

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