
Onze mil pessoas estiveram presentes para ver o Fluminense eliminar o Operário na Copa do Brasil nessa terça-feira, 12 de maio. Colocar onze mil pessoas no Maracanã é deixar que as câmeras mostrem 60 mil lugares vazios. A sensação, portanto, é de um jogo abandonado. E eu diria que foi isso mesmo o que aconteceu. Seria então preciso investigar os motivos.
O Fluminense está bem no Brasileirão, vivo na Copa do Brasil e ainda com chances na Libertadores. É capaz de fazer jogos eletrizantes e tem um histórico impressionante de vitórias atuando como mandante com o Maracanã tendo mais de 50 mil pessoas presentes. A torcida tricolor faz a diferença, e os jogadores sabem disso.
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Até o Fla-Flu adiado pela 11º rodada do Brasileirão a pedido do Flamengo, tudo parecia bem entre time e torcida. O Fluminense jogava um futebol bonito e competitivo e, embora estivesse vindo de uma atuação ruim na Libertadores, seguia em paz com a torcida, que esperava uma vitória sobre o grande rival para liderar o Brasileirão ao lado do Palmeiras. Leia também: botafogo de futebol e regatas
O ponto de inflexão foi justamente o clássico em questão. Quando a diretoria traiu a torcida tricolor, tudo mudou.
O adiamento do Fla-Flu aconteceu numa parceria entre Flamengo e Fluminense, com o presidente do Fluminense dando declarações estapafúrdias para tentar justificar tanta submissão. Basicamente, Montenegro disse que nada mudaria com o adiamento, que tudo ficaria bem, que o Fluminense não seria prejudicado. Nem time nem torcida foram consultados sobre a decisão, quem comprou ingresso e não poderia estar no estádio no dia seguinte, bem, sentimos muito, voltem em outro momento, aproveitem para adquirir a camisa nova na saída, tchau e benção.
O elenco ficou de bobo nessa história, e a torcida de otária. O time sentiu, Zubeldía teve trabalho dobrado para voltar todo mundo a uma mesma nota e foi colocado injustamente na corda bamba. Para piorar, Acosta e Martinelli - os dois melhores - se machucaram e ficaram ausentes nos jogos seguintes. O time passou a jogar mal e a demonstrar insegurança e desânimo em campo, coisas que até o Fla-Flu não tinham sido detectadas. Mais de entretenimento
O preço dos ingressos não ajuda ninguém, e a diretoria deixou claro que prefere fazer pactos com Bap e com a CBF do que com seus maiores patrimônios: torcida e jogadores. O que poderia dar errado, Brasil?
Tudo isso desaguou nessa terça-feira, 12 de maio. Podemos chamar de gestão temerária? Eu diria que sim. É exatamente o exemplo do que acontece quando aquele que lidera olha para o lado errado e faz pactos equivocados, negligenciando justamente os atores que importam. Leia também: resumo guerreiros do sol
Se o Fluminense tivesse dito não ao adiamento, ainda assim a CBF poderia ter bancado o pedido do Flamengo - provavelmente seria assim. Mas, nesse caso, a diretoria teria escolhido seu lado e não haveria o sentimento de traição que toda a torcida hoje sente.
É uma aula de como afastar sua própria torcida do estádio. Agora, o clube sai desembestado atrás de estratégias para trazer a torcida de volta. "O Fluminense é a sua gente", diz a recém-lançada campanha para lotar o estádio no próximo - e decisivo - duelo da Libertadores. Bem, mas vejam, se essa diretoria achasse mesmo que o Fluminense é a sua gente, então a única resposta a ser dada ao Flamengo e à CBF sobre o adiamento da partida seria: "de jeito nenhum, vamos manter o planejamento da comissão e respeitar nossa torcida". Palavras não importam quando as ações revelam o oposto.

