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Flávio faz bate e volta aos EUA às vésperas da reunião entre Lula e Trump

Pix, minerais críticos e tarifas: o que o governo Lula quer discutir com Trump na economia - Author, Leandro Prazeres - Role, Da BBC News Brasil em Brasília - Tempo de

Flávio faz bate e volta aos EUA às vésperas da reunião entre Lula e Trump

Pix, minerais críticos e tarifas: o que o governo Lula quer discutir com Trump na economia - Author, Leandro Prazeres - Role, Da BBC News Brasil em Brasília - Tempo de leitura: 8 min Anunciada de última hora, a visita do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em Washington, deverá acontecer na quinta-feira (7/5). Esta será a segunda vez que Lula vai à capital norte-americana durante seu terceiro mandato, mas será a primeira vez que ele fará uma visita oficial ao atual presidente Donald Trump. A visita acontece em um momento em que já se falava, nos bastidores, de um eventual afastamento entre Lula e Trump após o que ambos classificaram como uma "boa química" obtida depois dos encontros que eles tiveram no ano passado.

O governo brasileiro ainda não divulgou, oficialmente, os temas que serão discutidos entre os dois governos em Washington, mas duas fontes ouvidas pela BBC News Brasil em caráter reservado afirmaram que a equipe econômica tem pelo menos três tópicos principais a serem discutidos com os norte-americanos durante a passagem de Lula pelos Estados Unidos: - as investigações do governo Trump sobre o Pix; - o fim das tarifas restantes do chamado "tarifaço" que ainda incidem sobre exportações brasileiras; - investimentos em minerais críticos. Essa agenda vinha sendo preparada há meses por integrantes de pelo menos quatro ministérios: Fazenda; Justiça e Segurança Pública (MJSP); Relações Exteriores (MRE);

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e Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC). Segundo a BBC News Brasil apurou, ainda não se sabe se todos os temas no radar da equipe econômica vão ser de fato tratados durante o encontro de Lula e Trump. Essa definição será finalizada próximo ao embarque do presidente e, segundo uma das fontes ouvidas pela BBC News Brasil, vai depender da "temperatura" que a Casa Branca dará à reunião.

Apesar da confirmação da viagem por fontes ligadas ao governo brasileiro, a Casa Branca ainda não se manifestou sobre o assunto. A discussão em torno do sistema Pix é um dos tópicos sobre os quais os técnicos do governo brasileiro mais se debruçaram nos últimos meses.

A equipe brasileira tenta dissuadir os Estados Unidos de adotarem medidas comerciais contra o Brasil em função da utilização do Pix. A preocupação do Brasil com o assunto começou em julho do ano passado, no auge da crise causada pelo tarifaço aplicado pelo governo norte-americano. Naquele mês, o Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR, na sigla em inglês) abriu uma investigação com base na seção 301 da Lei de Comércio do país sobre práticas comerciais supostamente irregulares do Brasil e incluiu o Pix entre os itens sob apuração. Leia também: Família Samsung paga R$ 40 bi em imposto de herança em sucessão turbulenta

As alegações norte-americanas seriam de que o sistema de transferência de valores eletrônico desenvolvido pelo Banco Central do Brasil representaria uma ameaça à atuação de empresas dos Estados Unidos que operam o mercado de meios de pagamento. O governo brasileiro respondeu à investigação em agosto de 2025 negando que o Pix promova qualquer tipo de discriminação em relação a empresas norte-americanas e afirmou que até mesmo empresas do país como o Google já utilizam a ferramenta. Apesar disso, o assunto voltou à tona em março deste ano.

O Pix foi mencionado em um relatório do USTR de 31 de março em que os EUA listam o que consideram barreiras comerciais de mais de 60 países contra empresas norte-americanas. O Pix é citado três vezes nas mais de 500 páginas do National Trade Estimate Report de 2026. "

O Banco Central do Brasil criou, detém, opera e regula o Pix, uma plataforma de pagamentos instantâneos. Partes interessadas dos EUA expressaram preocupação com o fato de o Banco Central do Brasil conceder tratamento preferencial ao Pix, o que prejudica os fornecedores de serviços de pagamento eletrônico dos EUA. O Banco Central exige o uso do Pix por instituições financeiras com mais de 500.000 contas.

" Os especialistas em comércio exterior e regulação econômica ouvidos pela BBC News Brasil em abril frisaram que os EUA não teriam jurisdição para agir diretamente contra o Pix. Segundo eles, as ferramentas à disposição dos norte-americanos caso queiram punir o Brasil pelo uso do Pix se concentrariam na esfera comercial, como prevê a Lei de Comércio de 1974 que baseia a investigação.

A lei prevê que os Estados Unidos podem retaliar suspendendo benefícios e acordos comerciais e restringindo importações de produtos ou serviços de um determinado país. Politicamente, no entanto, o governo brasileiro vem usando o Pix como bandeira desde que o mecanismo foi citado pela primeira vez pela administração Trump. Lula fez diversos discursos em defesa do Pix e o governo até lançou uma campanha publicitária sobre o assunto enfatizando que a defesa do Pix seria uma questão de soberania nacional. Mais de noticia

" O Pix é do Brasil e ninguém vai fazer a gente mudar o Pix, pelo serviço que ele está prestando à sociedade brasileira", disse Lula no início de abril durante um evento na Bahia. Guerra tarifária

Apesar do relaxamento do tarifaço de Trump a uma série de produtos brasileiros nos últimos meses, técnicos da área econômica brasileira querem aproveitar a visita a Washington para tentar diminuir ou eliminar o restante das tarifas que ainda vigoram sobre parte das exportações do país aos Estados Unidos. Uma estimativa do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) aponta que pelo menos 29% das exportações brasileiras aos Estados Unidos estejam submetidas a tarifas adicionais impostas pelo governo norte-americano. Em abril de 2025, os Estados Unidos impuseram uma tarifa de 10% linear a praticamente todos os países do mundo.

Em julho daquele ano, a administração Trump impôs uma tarifa adicional de 40% sobre diversos produtos brasileiros. À época, a medida foi justificada pelo governo norte-americano como uma resposta ao tratamento dado pelo Poder Judiciário ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), que enfrentava um julgamento por crimes como golpe de Estado pelo Supremo Tribunal Federal (STF). O governo Trump chamou o processo de "caça às bruxas". Leia também: Estupro coletivo em SP: criança ficou desaparecida por dois dias e dormiu dentro de carro

A administração do presidente Lula declarou que o governo não interferiria no julgamento de Bolsonaro, que foi condenado a 27 anos de prisão. Sua defesa alega que ele é inocente. O episódio foi considerado o auge do mal-estar nas relações entre os dois países, mas a partir de setembro daquele ano a situação começou a mudar.

Naquele mês, Lula e Trump tiveram um primeiro encontro, em Nova York. Depois, os dois trocaram telefonemas e se encontraram novamente na Malásia. Em novembro, o governo Trump retirou parte das tarifas que incidiam sobre produtos brasileiros.

Em fevereiro deste ano, foi a vez da Suprema Corte dos Estados Unidos decidir que o "tarifaço" de Trump era ilegal e derrubou outra parte das taxas cobradas pelas exportações ao país, o que beneficou países como o Brasil. Em seguida, os EUA implementaram uma tarifa linear de 15% sobre importações globais ao país.

Apesar de estudos como o do Global Trade Alert (GTA) apontarem que o Brasil foi um dos maiores beneficiados pela redução das tarifas, a equipe técnica brasileira quer convencer o governo norte-americano a reduzir tarifas que ainda incidem sobre segmentos considerados estratégicos para a economia brasileira como o da produção de máquinas industriais e a de revestimentos. Dados da Câmara Americana de Comércio para o Brasil (Amcham) estimam as exportações do Brasil para os Estados Unidos no primeiro trimestre deste ano atingiram a menor participação histórica desde 1997. As exportações somaram US$ 7,8 bilhões no período, o que aponta para uma redução de 18,7% em relação ao mesmo trimestre de 2025.

Os números apontam que os Estados Unidos passaram a responder por 9,5% das exportações brasileiras. Minerais críticos Um dos temas considerados estratégicos para ambos os países e que está na pauta dos negociadores brasileiros são os minerais críticos.

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