O senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ) desembarcou nesta segunda-feira (25) em Washington em busca de uma agenda com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. O encontro, no entanto, ainda não foi confirmado pela Casa Branca.
Segundo interlocutores, a reunião, prevista para terça-feira (26), teria sido articulada a partir de um convite do governo americano.
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No site do Senado, não há ofícios de Flávio solicitando licença nos dias de ausência do país. Em outras ocasiões, antes de realizar viagens ao exterior, o senador pediu licença à Casa e informou a agenda a ser cumprida. Desta vez, ele apenas comunicou que estaria no exterior entre os dias 24 e 28 de maio, sem detalhar seus compromissos.
A viagem ocorre no momento mais delicado da pré-campanha de Flávio, após a divulgação, pelo Intercept Brasil, de áudios nos quais ele pede ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, dinheiro para o filme "Dark Horse", produção sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro.
Embora interlocutores do senador minimizem os impactos da crise, a primeira pesquisa Datafolha divulgada após o episódio aponta piora no cenário eleitoral para o parlamentar. Lula ampliou de três para nove pontos percentuais a vantagem sobre Flávio em uma simulação de primeiro turno: agora aparece com 40% das intenções de voto, ante 31% do senador. Leia também: Filme sobre Bolsonaro: Jatinho de recursos vira 'comédia de erros' e ameaça pré-candidatura de Flávio
Na rodada anterior, os dois estavam em empate técnico dentro da margem de erro de dois pontos percentuais, com 38% para o petista e 35% para Flávio. No segundo turno, o empate em 45% deu lugar a uma vantagem de 47% a 43% para Lula.
Segundo pessoas próximas ao senador, Flávio deve estar acompanhado em Washington do irmão Eduardo Bolsonaro e do empresário Paulo Figueiredo. Ambos atuam nos Estados Unidos em articulações junto a setores conservadores americanos e, no ano passado, pressionaram por sanções contra integrantes do governo brasileiro e ministros do STF.
Nas redes sociais, Figueiredo afirmou que o encontro com Trump é tratado como especulação pela imprensa e que nem a campanha nem a Casa Branca confirmaram ou negaram a reunião. "De fato, Flávio Bolsonaro está em Washington p ara uma série de reuniões de alto nível. O resto saberão em breve", escreveu.
Uma eventual reunião entre Flávio e Trump ocorreria três semanas após o encontro entre o presidente americano e Lula. Integrantes do governo federal afirmam não ver motivo para tentar barrar a agenda, tratada nos bastidores como uma tentativa do senador de produzir um fato político positivo em meio à crise do "Dark Horse".
Reservadamente, porém, auxiliares do governo afirmam que qualquer gesto interpretado como tentativa de interferência externa no processo eleitoral brasileiro seria respondido de forma "rápida" e "contundente". Mais de politica
Entre aliados de Flávio, também há cautela sobre a divulgação antecipada da reunião. Interlocutores do senador afirmam que existe receio de cancelamento de última hora, já que Trump acompanha a guerra envolvendo o Irã e negocia um possível acordo com Teerã.
Nos bastidores, aliados classificam a viagem como uma aposta de alto risco e enxergam uma estratégia de "tudo ou nada" para tentar reposicionar a pré-candidatura.
Nesta semana, deputados federais, estaduais, vereadores e pré-candidatos do PL se reuniram em Dallas para um encontro com Eduardo Bolsonaro, na região em que o ex-parlamentar vive. Entre eles estavam Gil Diniz (PL), Lucas Bove (PL), Paulo Mansur (PL) e Cristiano Caporezzo (PL). Leia também: Donos de fundo que financiou filme de Bolsonaro abriram empresa em paraíso
Essas reuniões acontecem com frequência e, para alguns participantes, esta já é a terceira viagem aos Estados Unidos para encontros com Eduardo. Desta vez, o grupo reuniu cerca de 20 pessoas. Desta vez, memso que não pretendia comparecer, acertou de última hora a viagem para os EUA. A justificativa é que com o escândalo do banco Master era importante mostrar para o público que a base se mantém unida.
Eles afirmam custear as viagens com recursos próprios, parcelar passagens no cartão de crédito, buscar hospedagens baratas e economizar em refeições — como no supermercado Costco, onde um cachorro-quente com refrigerante custa US$ 1,50 (R$ 7,80).
Segundo aliados, o esforço vale a pena porque os encontros permitem estreitar a relação com Eduardo Bolsonaro e produzir conteúdo para redes sociais, ampliando alcance e engajamento político. O grupo, porém, não é homogêneo em relação a Flávio Bolsonaro. Parte dos aliados afirma que a crise do "Dark Horse" já foi esclarecida e sustenta que não houve irregularidade no pedido de apoio financeiro feito por Flávio a Vorcaro, já que ocorreu antes da revelação das suspeitas envolvendo o ex-banqueiro.
Nos bastidores, integrantes da base bolsonarista relatam que a relação com Eduardo Bolsonaro, mesmo vivendo nos Estados Unidos, é hoje mais próxima do que com Flávio. Segundo esses relatos, parte da militância sente falta de interlocução direta com o senador, embora continue atuando em sua defesa nas redes sociais.
Aliados descrevem a ida aos Estados Unidos também como demonstração de lealdade política a Eduardo, que está fora do Brasil há cerca de um ano. Nas redes sociais, os participantes divulgaram fotos e vídeos com o ex-deputado. Em publicações, se autodenominam "Eduardistas", defendem os encontros em solo americano como forma de manter a base unida e afirmam que as reuniões são fundamentais para a articulação política e para a definição de futuras candidaturas.
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