Quarenta anos atrás, em , um reator da usina nuclear de Chernobyl, na Ucrânia, explodiu, expondo quase 8,4 milhões de pessoas naquele país, em Belarus e na Rússia à radiação, segundo relatórios oficiais.
Centenas de milhares de moradores foram deslocados da região. Foi o pior desastre nuclear da história.
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Durante dez anos, a escritora bielorrussa e vencedora do Prêmio Nobel, Svetlana Alexievich, entrevistou mais de 500 pessoas que testemunharam o desastre. Leia também: Fim da escala 6X1: Câmara instala comissão decisiva e relator define prazo para votar
Com base nesses relatos escreveu seu livro Vozes de Chernobyl. Além de reunir depoimentos de bombeiros que participaram do resgate, políticos, físicos e familiares das vítimas, sua obra explora o cotidiano dos cidadãos afetados direta e indiretamente — tanto física quanto psicologicamente — após a explosão da usina nuclear.
"Quando convidados a sentar à mesa, comer o próprio sanduíche separadamente, eu não conseguia fazer isso, fui criada numa cultura diferente. Ainda que existisse o risco. Depois eu fiquei doente. O que posso fazer? É o preço a ser pago", declarou.
A autora também descreve uma mulher que encontra na intimidade a única forma de aliviar o sofrimento do marido, causado pela doença desenvolvida após a exposição à radiação. Mais de mundo
"Ele estava morrendo e ela, de alguma forma, conseguia chegar até ele à noite. Ela subornava funcionários, escalava um cano e entrava sorrateiramente na ala de isolamento do hospital", lembra.
"Ela só conseguia aliviar aquela dor quando eles faziam amor à noite." Leia também: Segurança Presidencial em Debate: Tiroteio em Jantar de Trump Gera Reunião na Casa Branca
O trabalho de Alexievich tornou-se uma fonte essencial para Chernobyl, a aclamada série da HBO.
Em 2015, ela recebeu o Prêmio Nobel de Literatura com o júri descrevendo sua obra como "um monumento ao sofrimento e à coragem do nosso tempo".
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