
Crédito, Tuane Fernandes/Bloomberg via Getty Images
- Author, Vitor Tavares e Mariana Schreiber
- Role, Da BBC News Brasil em São Paulo e Brasília
- Published 14 maio 2026, 07:15 -03
- Tempo de leitura: 11 min
A menos de 5 meses do primeiro turno das eleições presidenciais, o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) anunciou na terça-feira (12/5) o fim da chamada "taxa das blusinhas", o imposto criado em junho de 2024 que taxou em 20% as compras internacionais de até US$ 50 em plataformas internacionais como Shein, Shopee e AliExpress.
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Com a medida, o governo abre mão de uma taxa que impulsionou sua arrecadação crescente com impostos de importação. Só nos quatro primeiros meses de 2026, foram destinados R$ 1,78 bilhão aos cofres públicos, segundo a Receita Federal. No ano de 2025, foram R$ 5 bilhões.
No anúncio, o ministro do Planejamento e Orçamento, Bruno Moretti, disse, se dirigindo a Lula, que "o que importa mesmo é que são produtos de consumo popular".
"Os números mostram que a maior parte das compras é de pequeno valor. Então, o que o senhor [presidente] está fazendo é retirar impostos federais do consumo popular, do consumo das pessoas mais pobres", disse Moretti. Leia também: Pai de Daniel Vorcaro doou R$ 1 milhão a diretório do Partido Novo em MG quando
O fim do imposto se soma a um conjunto de medidas do governo para aumentar o poder de compra da população e aquecer a economia no ano eleitoral, como mostrou levantamento da BBC News Brasil.
"A gente tem monitorado isso há bastante tempo, desde que ela entrou em vigor praticamente, e, para maioria de mais de 60% a 65%, era o principal erro do governo", explica Yuri Sanches, diretor de risco político da AtlasIntel
Por isso, segundo Sanches, a taxa causou danos ao governo Lula ao colocar a carga tributária como um tema mais discutido nas eleições, alcançando camadas da população que não se envolvia diretamente na discussão sobre impostos.
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"O grande ônus que a taxa das blusinhas trouxe é porque ela ajudou a colocar num nível de didaticidade para o eleitorado base do Lula e um eleitorado mais pobre o argumento da direita de que o governo Lula é um governo que taxa muito e que impõe uma carga tributária muito alta sobre a população", avalia.
Para o diretor AtlasIntel, a revogação da taxa vem em um momento que pode ter algum efeito eleitoral positivo ao presidente, mas que irá se somar com outras notícias como a revelação do contato de Flávio Bolsonaro com Daniel Vorcaro.
"Não vai ser o fator que pode fazer com que Lula vença a eleição, que vá mudar a direção da tendência de aprovação de governo, de desempenho eleitoral. Mas, sim, ajuda", avalia Sanches. Leia também: Entenda a 'caixa-preta' do filme de Bolsonaro e por que orçamento é difícil de
Já o cientista político Hilton Fernandes, professor do Laboratório de Opinião Pública e Mídias Digitais da Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo (FESPSP), avalia que o fim do imposto "deve servir muito mais como vacina contra os ataques que a oposição faz ao governo, sendo uma medida com pouco potencial para melhorar a popularidade ou conseguir votos".
"A polarização faz com que o eleitorado não fique tão sensível a esse tipo de ação, pois a decisão do voto está muito mais relacionada a preferências pessoais, e não a avaliação de políticas públicas", avalia Fernandes.

Crédito, AFP via Getty Images
Segundo Yuri Sanches, o governo deve tentar se descolar durante a campanha da criação da taxa, feita no Congresso. Na época, o presidente Lula chegou a dar entrevistas criticando a medida como "desnecessária" — ainda assim, ele acabou a sancionando.
Na época da implantação, a medida atendeu a pedidos da indústria e do varejo têxtil nacional, que sempre alegaram que a isenção cria um desequilíbrio na concorrência com os fabricantes chineses.
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