Governo revogou a cobrança de 20% sobre compras internacionais de até US$ 50 e os parlamentares terão que manter ou revogar a medida às vésperas da eleição de outubro de 2026.
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Parlamentares avaliam que decisão do governo Lula foi tomada de olho nas eleições.
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Congresso é obrigado a formar comissão mista para analisar e votar a MP enviada pelo governo.
Leia no AINotícia: Datafolha: Lula e Flávio Bolsonaro empatam no 2º turno para 2026
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Oposição acusa o governo de oportunismo, e governistas tentam surfar a onda popular da medida.
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Líder do governo no Congresso, senador Randolfe Rodrigues, afirma que não vê polêmica em torno do tema.
Após sucessivas derrotas no Congresso Nacional nas últimas semanas — com a rejeição de Jorge Messias ao Supremo Tribunal Federal (STF) e a derrubada do veto à Lei da Dosimetria — o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) vê na Medida Provisória (MP) que revogou a chamada taxa das blusinhas a primeira reação ao movimento dos parlamentares. Leia também: PF apura se Cláudio Castro criou ambiente para crimes fiscais
A MP, que tem validade de 60 dias podendo ser renovada por mais 60 dias, foi editada na terça-feira (12) – a menos de cinco meses da eleição – e suspende a cobrança de 20% em imposto de importação sobre compras internacionais de até US$ 50.
A avaliação de parlamentares do Centrão e da oposição é que a decisão do governo Lula foi tomada de olho nas eleições e joga a pressão sobre o Congresso de converter em lei ou não uma MP com grande apelo popular.
⏳ O prazo de 120 dias de vigência da MP, caso seja renovada, acaba em 9 de setembro, a menos de um mês das eleições.
🗓️ O período pode ser maior caso o Congresso aprove a Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) no primeiro semestre, o que autoriza o parlamento a fazer um recesso formal no meio do ano. Caso isso ocorra, a MP valerá até 23 de setembro.
Lula entre Davi Alcolumbre (União Brasi-AP)(e) e Hugo Motta (Republicanos- PB) em 21/05/2025 — Foto: Wilton Junior/Estadão Conteúdo Mais de politica
Parlamentares terão que discutir tema
Diante da popularidade da medida e da proximidade das eleições, os deputados e senadores são obrigados a formar uma comissão mista para analisar e votar a MP enviada pelo governo.
“Isso vai votar, é certo. Não tem como não votar com essa pressão popular”, afirmou o líder do MDB no Senado, Eduardo Braga (AM). Leia também: 'Não se justifica mais': Tebet defende fim da taxa das blusinhas em ano
A expectativa, no entanto, é que a deliberação da MP vire palco para a oposição acusar o governo de oportunismo e governistas tentarem surfar a onda popular da medida.
Líder do governo no Congresso, o senador Randolfe Rodrigues (PT-AP), afirmou que irá alinhar com o presidente do Senado Federal, Davi Alcolumbre (União-AP), a instalação da comissão mista, mas não vê polêmica em torno do tema.
O líder do PL na Câmara dos Deputados, deputado Sóstenes Cavalcante (RJ), vê caráter eleitoreiro na MP que revogou a taxa das blusinhas.
“Um governo que não respeita o bolso do mais pobre cria taxas como a taxa da blusinha para empobrecer o povo ao longo de três anos. Aí chega agora, faltando quatro meses para as eleições, ele retira a taxa para enganar o povo mais uma vez”, afirmou o deputado.
Randolfe Rodrigues, por outro lado, lembrou que a medida de taxar as compras internacionais até US$ 50, instituída em janeiro 2023, teve o apoio de empresários ligados a oposição, como Luciano Hang, dono da rede de lojas Havan.
- Congresso Nacional
- Luiz Inácio Lula da Silva
- STF - Supremo Tribunal Federal
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