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Fim da mídia física no PlayStation pode deixar jogos mais baratos?

Fim da mídia física no PlayStation vira crise global para a Sony Por Jones Oliveira | Quase duas semanas depois de anunciar que deixará de produzir jogos em mídia física

Fim da mídia física no PlayStation pode deixar jogos mais baratos?

Fim da mídia física no PlayStation vira crise global para a Sony Por Jones Oliveira | Quase duas semanas depois de anunciar que deixará de produzir jogos em mídia física para novos lançamentos a partir de janeiro de 2028, a Sony segue enfrentando uma avalanche de críticas do público, de varejistas e de diferentes setores da indústria.

Em comunicado, a companhia japonesa afirmou que a decisão acompanha uma mudança na preferência dos consumidores, hoje muito mais inclinados às compras digitais. Jogos lançados antes de 2028 não serão afetados e poderão continuar recebendo novas tiragens em disco, mas os títulos posteriores à data serão vendidos exclusivamente pela PlayStation Store ou em lojas parceiras apenas em formatos digitais. A justificativa, no entanto, não convenceu e se transformou numa crise de imagem que envolve liberdade de escolha, formação de preços, preservação dos jogos e até o significado de possuir um produto digital.

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Varejistas acusam Sony de retirar escolha do consumidor Uma das manifestações mais contundentes veio da Digital Entertainment and Retail Association, a ERA. A associação britânica classificou a decisão da Sony como um “triunfo da conveniência corporativa sobre a escolha do consumidor”.

Em declaração publicada online, a CEO da entidade, Kim Bayley, afirmou que milhões de jogadores ainda compram versões físicas porque valorizam a possibilidade de emprestar, revender, colecionar e preservar os jogos. Segundo dados da própria ERA, 25% dos consumidores com menos de 25 anos ainda utilizam discos, enquanto o mercado britânico de jogos físicos movimentou mais de £ 300 milhões em 2025. O posicionamento tem peso porque a ERA representa empresas como Amazon, Spotify e YouTube, além de grandes varejistas britânicas como GAME e HMV e centenas de lojas independentes.

Ou seja: não é um grupo de colecionadores inconformados, mas de uma parcela da cadeia de distribuição que será diretamente afetada pela mudança. Para a associação, o formato digital deveria complementar a mídia física, não substituí-la. Afinal de contas, enquanto uma licença digital normalmente fica presa à conta do usuário e às regras da plataforma, o disco pode ser emprestado, vendido, presenteado ou guardado por décadas. Leia também: Órbita terrestre chega ao limite, segundo especialista espacial

Hideo Kojima alerta para risco de perder jogos comprados O posicionamento da ERA segue na esteira de praticamente todo o mercado. Figuras proeminentes da indústria também demonstraram preocupação, entre elas Hideo Kojima, diretor e criador das franquias Metal Gear e Death Stranding.

Durante participação no festival italiano Il Cinema in Piazza, Kojima afirmou que considera “realmente triste” o abandono das mídias físicas. O diretor explicou que hoje os jogos digitais permanecem armazenados no hardware do usuário depois de baixados, mas seu maior temor é quando a indústria avançar para um modelo baseado integralmente em streaming. Nesse cenário, o consumidor deixaria de possuir os dados e passaria a depender totalmente dos servidores e das decisões corporativas.

Uma alteração contratual, política ou comercial poderia retirar um jogo ou filme de circulação e impedir que o comprador tenha acesso ao conteúdo novamente. O alerta não é meramente hipotético. Nos primeiros dias da controvérsia, jogadores lembraram que a própria Sony havia informado que mais de 500 filmes da StudioCanal anteriormente comprados por usuários seriam removidos de suas bibliotecas devido ao encerramento de acordos de licenciamento.

É justamente esse tipo de situação que alimenta a percepção de que comprar um produto digital significa, na prática, pagar por uma licença temporária cuja continuidade depende das decisões da plataforma. Crise virou piada nas redes sociais Outros setores da indústria decidiram demonstrar sua insatisfação usando o deboche.

A fabricante de cadeiras gamer Respawn publicou um comunicado falso anunciando o fim da produção de cadeiras físicas e a mudança para um modelo de “cadeiras exclusivamente digitais”. Já o KFC Espanha afirmou que passaria a distribuir frango frito por download, em arquivos PNG. Na contramão das piadas, mas ainda aproveitando a repercussão do caso, o GitHub anunciou que desenvolvedores cadastrados na plataforma poderiam armazenar seus projetos em CD-ROM. Mais de tecnologia

“Guarde. Empreste aos amigos. Passe para seus filhos”, escreveu a plataforma pertencente à Microsoft, numa provocação direta ao discurso de que o formato digital oferece as mesmas possibilidades de posse e preservação de uma mídia física.

Brincadeiras à parte, a situação escalou rapidamente nas redes sociais. Até a publicação desta matéria, a publicação original da PlayStation no X acumulou cerca de 178 milhões de visualizações e 106 mil respostas, grande parte delas negativa. O descontentamento também deu origem à campanha pública

“Don’t Kill the Disc”. Organizada pela varejista canadense PNP Games, a petição pede que a empresa mantenha a produção de jogos físicos depois de 2028. O texto argumenta que a mídia física sustenta empregos em lojas, distribuidoras, fábricas e empresas de logística, além de manter vivos os mercados de usados e de colecionadores. Leia também: Upgrade na setup: monitores gamer com alta taxa de atualização em promoção

Até a publicação desta matéria, a campanha já reunia mais de 302 mil assinaturas verificadas. Alguns jogadores também começaram a publicar nas redes sociais capturas de tela de cancelamentos do PlayStation Plus e promessas de boicote à PlayStation Store. Apesar disso, o analista Serkan Toto acredita que a Sony não voltará atrás.

Para ele, a companhia sabia que enfrentaria uma onda de retaliações e agora apenas espera “a poeira baixar”. Mesmo um eventual cancelamento de 500 mil assinaturas representaria cerca de 1% da base estimada do serviço. Nas palavras do analista, o digital é simplesmente “lucrativo demais”.

Fim dos discos vira caso de Justiça A reação não ficou restrita às redes sociais. Nos Países Baixos, o grupo de defesa do consumidor Stichting Massaschade &

Consument entrou com uma ação de US$ 457 milhões em nome de aproximadamente 1,7 milhão de usuários neerlandeses do PlayStation. A entidade argumenta que a comissão de 30% cobrada nas vendas pela PlayStation Store pode inflacionar o preço dos jogos quando as versões físicas desaparecerem das lojas. Sem discos, o consumidor também perderia o acesso ao mercado de usados e a estabelecimentos capazes de oferecer descontos próprios.

O caso toca num ponto delicado para a Sony. Em disputas anteriores envolvendo acusações de monopólio, a empresa utilizou a existência do mercado físico e da revenda de jogos como argumento de que havia concorrência na comercialização de títulos para PlayStation. Ao eliminar essa alternativa, a companhia passa a concentrar praticamente todas as vendas digitais em sua própria loja e enfraquece parte dessa defesa.

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