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Fim da escala 6x1 com transição curta 'é inviável', diz dono de pizzaria: 'Como

Crédito, Reprodução/Instagram Dom Romano Article Information Author, Mariana Schreiber Role, Da BBC News Brasil em Brasília Published 28 maio 2026, 16:47 -03 Atualizado

Fim da escala 6x1 com transição curta 'é inviável', diz dono de pizzaria: 'Como
Imagem foca em uma massa sendo servida por um garçom de avental azul que aparece desfocado ao fundo

Crédito, Reprodução/Instagram Dom Romano

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    • Author, Mariana Schreiber
    • Role, Da BBC News Brasil em Brasília
  • Published 28 maio 2026, 16:47 -03
    Atualizado Há 2 horas
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Proprietário da cantina e pizzaria Don Romano, com três unidades em Brasília, o empresário Wesley Moreira diz que "não está acreditando" no prazo de 60 dias estabelecido para o fim da escala 6x1, como prevê a proposta aprovada na Câmara dos Deputados. Segundo ele, é "inviável" adaptar seu negócio em um "prazo tão curto".

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A proposta ainda será analisada no Senado e só entrará em vigor se for aprovada pelos senadores com texto idêntico ao da Câmara.

A versão que teve aval dos deputados prevê a obrigatoriedade de dois dias de folga para todos os funcionários 60 dias após a promulgação da mudança, etapa que ocorre logo após a aprovação do Congresso. O mesmo período é previsto para a redução da jornada de trabalho de 44 para 42 horas semanais. Depois de mais um ano, a jornada cairia para 40 horas.

Moreira diz que o "tema não é de todo ruim", pois "o empresário busca a melhor condição de vida de seu colaborador", mas argumenta que o momento é especialmente desafiador devido à dificuldade para contratar, que ele a atribui a fatores como rígidas regras trabalhistas e ao "assistencialismo". Leia também: Os riscos econômicos para o Brasil com a designação de facções criminosas como

Na sua percepção, beneficiários de programas sociais evitam trabalhos com vínculo formal para não perder o benefício. Ele diz que desde janeiro tenta ampliar os empregados das três unidades, para se antecipar a esperada redução de jornada pelo Congresso, mas não tem conseguido preencher as vagas.

"Eu até agora não estou acreditando. Como eu faço para ter um chef de pizzaria em 60 dias, que faz a fermentação da massa? Ou um subchef, que controla a ordem dos fatiamentos dos produtos da pizza, controla o sabor do molho? É inviável [esse prazo para] a técnica de gastronomia", crítica.

"Estou nesse desespero porque tem coisa que a máquina não vai substituir. Se eu estou assim, fico pensando para o pessoal hospitalar. Como que arruma outro médico, outra técnica de enfermagem?", continua.

Para Moreira, que também atua como diretor da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes no Distrito Federal, o fim da escala 6x1 vai pressionar os custos de produção, ampliar o endividamento das pequenas empresas e causar uma onda de fechamento de negócios.

Estimativas do setor indicam que a contratação de mais profissionais vai provocar, em média, um reajuste de 8,5% nos preços.

Ele calcula que isso pode elevar em mais 20% o preço final de restaurantes, caso as empresas tentem manter sua margem de lucro. Leia também: 'Tiro pode sair pela culatra': potencial impacto de classificação de PCC e CV

"Como é que consegue pagar 30% a mais em um hambúrguer, R$ 50 para R$ 65? Até consegue, mas aí você [o cliente] vai querer aumentar o preço do seu serviço também".

No setor de alimentação, prevê, fornecedores de itens como carnes e queijos serão afetados.

Na sua visão, o problema é mais grave para empresas que têm até 10 colaboradores, pois grandes redes conseguem absorver melhor a alta de custos e têm mais capacidade de negociar com fornecedores repasses menores, o que não seria o caso dos negócios menores.

"As redes maiores vão segurar preço através de negociação. Só que o pequeno, quando ele falar isso pro fornecedor dele, vai receber uma fala assim 'amigão, sinto lhe informar, mas eu não consigo te atender porque você compra menos de meio por cento do que eu vendo no mês".

"Esse cara vai perder esse fornecedor, vai buscar outro, vai estar mais caro, vai só se endividar, vai ter fechamento de empresas, mais demissões", acredita.

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