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Ler matéria →O Peru voltará às urnas neste domingo (7) para o segundo turno das eleições presidenciais. Keiko Fujimori, conservadora e filha de um ex-presidente condenado, enfrentará Roberto Sánchez, um esquerdista conhecido por usar um chapéu camponês de aba larga.
As pesquisas apontam para um cenário indefinido e indicam que o próximo presidente deverá ser eleito por uma margem apertada. O primeiro turno já havia sido assim: o Peru demorou um mês para saber quem avançaria para a disputa final após uma contagem voto a voto.
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Tanto Keiko quanto Sánchez têm um passado conhecido na política peruana. A conservadora, que terminou o primeiro turno na liderança, com 17,17% dos votos, é filha do ex-presidente Alberto Fujimori, que passou 16 anos na prisão por violações de direitos humanos cometidas durante o governo dele.
O legado de Fujimori ainda divide o país. Enquanto parte da população afirma que o governo trouxe estabilidade ao Peru na década de 1990, críticos dizem que a gestão foi autoritária. O ex-presidente morreu em 2024, aos 86 anos.
Esta é a quarta vez que Keiko tenta se eleger presidente. Em todas as disputas, ela chegou ao segundo turno. Nas campanhas anteriores, buscou se afastar da imagem do pai. Desta vez, porém, tem abraçado políticas públicas adotadas durante o governo dele.
Sánchez, por sua vez, foi ministro do ex-presidente Pedro Castillo, deposto e preso em 2022 sob acusação de tentativa de golpe. Ele recebeu 12,03% dos votos no primeiro turno e superou o terceiro colocado por uma margem de 21 mil votos.
O candidato de esquerda defende um novo começo para o Peru, inclusive com a elaboração de uma nova Constituição— a atual foi criada justamente durante o governo Fujimori.
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Uma nova Keiko
Aos 51 anos, Keiko Fujimori está na política desde a adolescência. Formada em administração de empresas nos Estados Unidos, ela foi eleita para o Congresso em 2006 com a maior votação já registrada para um parlamentar peruano. Mais de mundo
A candidata também passou anos sob investigação por suposto financiamento irregular de campanha. O caso foi arquivado no ano passado. Entre 2018 e 2020, ela foi mantida duas vezes em prisão preventiva e passou quase um ano e meio na cadeia.
Keiko tem se apresentado como a candidata mais capaz de restaurar a ordem e a estabilidade no Peru. Na campanha, ela tem explorado o contexto de violência vivido pelo país, marcado pelo aumento dos homicídios e das extorsões. Leia também: Crise política e 'impeachment express' levaram Peru a ter 9 presidentes em 10
- A preocupação dos eleitores com a segurança criou uma espécie de nostalgia do estilo de governo de Alberto Fujimori.
- Na década de 1990, ele derrotou guerrilheiros do grupo Sendero Luminoso com apoio das Forças Armadas.
- Nessa onda, Keiko promete medidas de segurança rígidas, leis antiterroristas mais duras e um papel ampliado para os militares no combate à violência.
- Ela afirma que travará uma "guerra frontal" contra o crime.
"Trabalharemos com instituições financeiras (.) para identificar, rastrear e bloquear dinheiro proveniente de extorsão", disse.
O discurso mais duro e o alinhamento a algumas ideias do pai foram vistos como o surgimento de uma "nova Keiko". Ainda assim, o partido faz questão de diferenciá-la de Fujimori, apresentando-a como uma candidata mais democrática.
A nova estratégia ajudou Keiko a reduzir os altos índices de rejeição que marcaram as campanhas anteriores. Segundo o Ipsos Peru, 40% dos eleitores afirmam que não votariam nela de jeito nenhum. O índice é menor que o registrado no primeiro turno, quando chegou a 59%.
Além do combate à violência, Keiko promete criar programas sociais voltados às famílias mais pobres, incluindo o pagamento de um auxílio.
- Peru
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