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Festival Miacena ocupa São Paulo com arte gratuita em 19 espaços

O concreto, as buzinas e o fluxo frenético de quem corre contra o relógio pelas ruas paulistanas ganham uma pausa poética neste mês de agosto

Festival Miacena ocupa São Paulo com arte gratuita em 19 espaços

O concreto, as buzinas e o fluxo frenético de quem corre contra o relógio pelas ruas paulistanas ganham uma pausa poética neste mês de agosto. Em sua 3ª edição, realizada entre 11 e, a Miacena– Mostra Internacional de Artes Cênicas em Espaços Não Convencionais e

Alternativos espalha mais de 50 atividades gratuitas por 19 pontos da capital, integrando também o calendário da Jornada do Patrimônio. Idealizado por André Acioli e Dani Angelotti, o evento convida a população a redescobrir a metrópole ao ocupar praças, escadarias, prédios históricos, centros culturais e até o interior de um ônibus em movimento, transformando o cotidiano urbano em matéria-prima para o teatro, a dança, o circo e a performance. Para André Acioli, essa fricção entre a cena artística e o patrimônio edificado funciona como um verdadeiro dínamo para ambos os lados.

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Ele observa que o projeto lança um olhar de delicadeza e preservação sobre uma arquitetura que muitas vezes sofre com o apagamento de sua memória, ao mesmo tempo em que desafia os criadores a ressignificarem a forma de se comunicar fora dos palcos tradicionais. Longe de tentar silenciar o caos sonoro da cidade, o festival acolhe essa dinâmica como parte da dramaturgia. Segundo o idealizador, a capital se torna coautora da experiência artística:

"quanto mais pulsante for, mais humano também fica. O ritmo acelerado convida as artes cênicas a oferecerem presença e desaceleração, mas sem perder a poesia; a cidade vira coautora de ingredientes para somar ao trabalho". Com curadoria assinada por Celso Curi, Federico Irazábal, Malu Barsanelli, Wesley Kawaai e pelos idealizadores, a programação buscou de maneira quase intuitiva o equilíbrio entre raízes populares e experimentos contemporâneos e tecnológicos.

A abertura oficial que aconteceu no CCBB-SP, no dia 11 de agosto, comandada pelo grupo de breaking M.O.S. (Mantendo a Origem Sempre), deu o tom plural da mostra, que reúne desde estreias internacionais até pesquisas consagradas do teatro brasileiro. Entre as atrações de fora, destaca-se a performance "Anamnesis", criada por Robson Catalunha no The Watermill Center sob a supervisão artística de Bob Wilson e encenada pela primeira vez no Brasil, além da montagem portenha "La Gravedad de las Burbujas", que divide quatro histórias simultâneas no mesmo espaço cênico. A ocupação física da cidade ganha contornos radicais em obras como "Corpo Graffiti", da Cia. Base, que leva bailarinas e acrobatas às fachadas verticais da Prefeitura, e na ópera marginal "

TrabalhaDORES", da Zózima Trupe, que embarca o público na Praça Roosevelt para uma viagem cênica em homenagem aos trabalhadores do transporte. A diversidade do país também se faz presente com a pesquisa sobre exaustão do grupo amazonense Panorando em "Aboio: O Auto do Boi Cansado", com a parceria cênica entre Brasil e Argentina da S.E.M. Cia. de Teatro em " Mais de entretenimento

Um Depoimento Real", e com a força do solo "Carangueja", de Tereza Seiblitz, ao lado de intervenções marcantes de coletivos como a Cia. Os Crespos, Grupo XIX de Teatro e Núcleo Teatro de Imersão. Essa experiência vai além das apresentações e se estende aos debates de formação —incluindo um encontro sobre criação em espaços não convencionais com Antônio Araújo e Ricardo Karman— e à economia criativa com a MIA Feira, no Centro Cultural Fiesp. Para Acioli, integrar artesãos e criadores sustentáveis ajuda a reposicionar a própria arte como produto de valor social e econômico, superando a resistência de quem ainda hesita em reconhecer o trabalho cênico da mesma forma que valoriza um livro ou uma pintura. Leia também: Roteiro lista 26 endereços para comer: o detalhe que mais repercutiu

Ao celebrar a expressiva presença do público jovem nas plateias, ele reforça que o grande legado do festival é fortalecer a união da classe artística e democratizar o acesso, lembrando que a cultura não é algo distante: "as artes cênicas são para todos, e nós temos que dar o passo, ir atrás e fazer do consumo de arte um hábito diário". As atrações são gratuitas, com ingressos distribuídos nos próprios locais uma hora antes de cada sessão, e a programação completa pode ser consultada no site oficial miacena.com e no perfil @miacena_br do Instagram.

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