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Fernanda Montenegro lê livro de Gisèle Pelicot sobre abuso sexual; veja vídeo

Quando Gisèle Pelicot acompanhou seu marido à delegacia de Carpentras, cidade no sul da França próxima ao vilarejo onde haviam decidido passar a aposentadoria, imaginou

Fernanda Montenegro lê livro de Gisèle Pelicot sobre abuso sexual; veja vídeo

Quando Gisèle Pelicot acompanhou seu marido à delegacia de Carpentras, cidade no sul da França próxima ao vilarejo onde haviam decidido passar a aposentadoria, imaginou que os dois voltariam logo para casa, juntos. Ela sabia que Dominique, o homem com quem se casara em 1973, fora fichado dois meses antes por filmar por baixo das saias de mulheres em um shopping da região —ficou surpresa, mas decidiu permanecer a seu lado, com a promessa de que aquilo jamais ocorreria de novo. Naquela ida à delegacia, porém, a aposentada descobriria que, de 2011 até aquele dia 2 de novembro de 2020, seu marido a drogara dezenas de vezes.

O objetivo era convidar homens pela internet para estuprá-la desacordada e filmar os atos. Quatro anos depois, Pelicot tomou uma decisão inesperada ao rejeitar o direito ao anonimato e decidir por um julgamento público, em que todos os vídeos das violências que sofreu fossem exibidos ao público. "

Não são as vítimas que deveriam ter vergonha, são os acusados. As vítimas não são culpadas pelo que lhes acontece", reitera à Folha em entrevista por vídeo na sexta-feira (23). Dominique Pelicot e outros 50 homens foram condenados pelos estupros em dezembro de 2024.

Apenas um recorreu e, em outubro de 2025, teve sua pena aumentada pela Justiça francesa. Avessa ao público desde o fim do julgamento, ela lança em fevereiro o livro de memórias " Um Hino à Vida:

A Vergonha Precisa Mudar de Lado", editado no Brasil pela Companhia das Letras. Na obra, fala sobre sua infância e a construção de uma vida pacata e normal até o dia em que isso mudou totalmente. " Leia também: lei da ficha limpa

Quando digo que fui atropelada por um trem, é exatamente como me senti", diz. Nesta entrevista, a francesa fala sobre a dificuldade de conciliar as memórias de um casamento de cinco décadas com o "homem que acreditava ser perfeito" e aquele que conheceu nos vídeos. Discute ainda a falta de responsabilização masculina em casos de violência sexual.

" Espero que na prisão eles reexaminem suas consciências", afirma. "Mas não são doentes, são responsáveis por seus atos.

" Também afirma estar feliz por ter transformado sua história em exemplo, mas diz que não se considera um ícone feminista. E conta que agora tem um novo companheiro, quando achava impossível se apaixonar novamente.

" Somos duas almas com cicatrizes que se encontraram e querem seguir em frente. "

O livro tem passagens bastante gráficas dos vídeos dos estupros. Como foi relembrá-los ao escrever? Assisti aos vídeos só em maio de 2024, quando tomei a decisão de tornar o julgamento público. Mais de entretenimento

Meus advogados me disseram que seria necessário. Foi insuportável. Ainda vejo essa mulher [das imagens] e não me reconheço.

Sou eu, claro, mas me distancio dizendo que não sou, porque sou uma mulher viva. A que vejo na cama está como uma morta, viveu dez anos de anestesia geral. Isso também me ajudou a enfrentar esse julgamento. Leia também: Panorama do Entretenimento: Novidades na TV, Música e Eventos

Me ajudou a dizer que não era eu, criou um distanciamento. Por que a sra. achou importante descrever parte das cenas de violência em detalhe? Eu quis contar minha versão, porque a imprensa contou o que viu naquela sala de audiência.

Minha maneira de ser, de me portar, de me vestir, tudo foi descrito. Mas eu quis contar o que, como vítima, eu... É verdade, não tenho lembranças, mas quando assistimos a esses vídeos, é insuportável.

Tem a questão da vergonha. Não são as vítimas que deveriam ter vergonha, são os acusados. As vítimas não são culpadas pelo que lhes acontece.

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Eu quis contar uma anedota sobre um vídeo famoso [de uma mulher fazendo sexo consentido com Dominique Pelicot] em que estão convencidos de que sou eu. A mulher se parece estranhamente comigo, tem mais ou menos o mesmo corte de cabelo que eu, mas é muito mais jovem. Fiquei muito confusa quando um advogado disse que tinha um vídeo que ia provar que "a senhora

Pelicot não estava sedada". Meus advogados encontraram o vídeo e vimos que não era eu. Tive que fotografar uma pinta na minha barriga para provar, foi uma situação lunática.

Mas era preciso enfrentar, era preciso ser correto. É preciso ser irrepreensível [sendo a vítima] em um processo como esse. A sra. fala sobre sua dificuldade para reconciliar todos os anos que viveu com seu ex-marido com a figura que descobriu nos vídeos dos estupros.

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