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Fear Factory traduz para a música pesada o fascínio e o desencanto com a tecnologia

Na década de 1990, a humanidade passou por um período de deslumbramento com as possibilidades da tecnologia —o surgimento e a expansão da internet foram a face mais

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Fear Factory traduz para a música pesada o fascínio e o desencanto com a tecnologia

Na década de 1990, a humanidade passou por um período de deslumbramento com as possibilidades da tecnologia —o surgimento e a expansão da internet foram a face mais visível deste estado de espírito. Agora, 30 anos mais tarde, a inteligência artificial já não desperta a mesma empolgação, e estamos mais críticos em relação ao que antes talvez fosse tido como um avanço inconteste. Do passado até os dias atuais, o Fear Factory acompanha a euforia e o desencanto humano com a tecnologia.

A banda de Los Angeles cria um amálgama pesadíssimo de metal com programação eletrônica, acrescido de riffs de guitarra repetitivos como as batidas de um equipamento industrial. Depois de um show há três anos em São Paulo, a banda retorna para a cidade para se apresentar no festival Bangers Open Air, no dia 25 de abril. É um momento novo para o quarteto que, durante a pandemia, deu as boas-vindas ao seu novo vocalista, Milo Silvestro, após a saída do emblemático cantor Burton C. Bell, que ajudou a definir a identidade do conjunto ao lado do guitarrista Dino Cazares.

Silvestro cantou na capital paulista em 2023 e foi muito bem recebido pela plateia, mas agora ele está ainda mais integrado à banda, diz Cazares, numa conversa por vídeo. " O Milo aprendeu e foi influenciado pelo Fear Factory.

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Éramos uma das bandas favoritas dele. Ele desenvolveu muito do seu estilo ouvindo Fear Factory. Então, quando entrou na banda, foi praticamente perfeito", afirma o guitarrista, acrescentando que o único desafio foi o fato de o novo membro morar na Itália, não nos Estados Unidos. Leia também: Anitta e Shakira volta ao noticiário após novo desdobramento

Dois dos dez discos de estúdio lançados pelo Fear Factory se tornaram clássicos da música pesada contemporânea —"Demanufacture", de 1995, e "Obsolete", que saiu três anos mais tarde. Ao trazerem peso e melodia em doses certeiras, delinearam a sonoridade da banda, inovadora à época e imitada até hoje. A musicalidade de "riffs gordos e aspecto futurista", segundo Cazares, é o que as pessoas amam na banda.

Esta identidade sonora estará no novo disco do grupo, com possibilidade de ser lançado no final deste ano, embora isso ainda não esteja certo. Será o primeiro álbum com o novo vocalista, e o trabalho "está ficando incrível", diz o guitarrista. O novo cantor contribuiu bastante na feitura do disco.

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Além dos vocais, Silvestro compôs riffs de guitarra e passagens de teclado, fora a última faixa, que escreveu praticamente sozinho. Também ajudou no conceito do álbum, que ainda não teve o seu título divulgado nem qualquer música lançada. De acordo com Cazares, o disco gira em torno da relação do homem com a inteligência artificial. Mais de entretenimento

" Na verdade, oficialmente, já ultrapassamos a IA e não existimos mais como seres humanos. Restam apenas fragmentos.

Mas há esperança de que voltemos a ser uma espécie capaz de destruir a IA e viver uma vida humana. Essa é a explicação mais simples que consigo dar sobre o que está por vir. " Leia também: Companhia das Letras faz 40 anos e traz Carrère, Emicida e Socorro Acioli em eventos

Neste ano, o festival de metal Bangers Open Air chega à sua quarta edição, consolidado como o principal evento de música pesada do Brasil. Diferentemente do Monsters of Rock, que escala bandas clássicas, muitas das quais já vieram repetidas vezes para o Brasil, o Bangers olha mais para o presente e o futuro do metal no seu final de semana de programação.

No mesmo dia do Fear Factory se apresentam a banda de death metal Crypta, formada só por mulheres, e a alemã Luficer, que faz heavy metal tradicional com um pé no hard rock —ambos grupos relativamente novos e de destaque na cena. O principal show do sábado será o do Arch Enemy, que vem apresentar a sua nova vocalista. No domingo (26), a grande atração é o Angra, que fará um show de mais de duas horas em celebração aos 35 anos da banda, com músicas de todas as fases da carreira.

O grupo brasileiro de heavy metal melódico vai reunir no palco a formação clássica do álbum "Rebirth", com os músicos Edu Falaschi, Kiko Loureiro, Rafael Bittencourt, Felipe Andreoli e Aquiles Priester. Comentários Os comentários não representam a opinião do jornal; a responsabilidade é do autor da mensagem.

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