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Família de Alexandre de Moraes quer me constranger com processo baseado em alegação falsa, diz senador Alessandro Vieira

Família de Alexandre de Moraes quer me constranger com processo baseado em alegação falsa, diz senador Alessandro Vieira Crédito, Estúdio Hertz - DF/BBC Legenda da foto

Família de Alexandre de Moraes quer me constranger com processo baseado em alegação falsa, diz senador Alessandro Vieira
Família de Alexandre de Moraes quer me constranger com processo baseado em alegação falsa, diz senador Alessandro Vieira
Alessandro Vieira está sentado em uma cadeira em seu gabinete. Ele usa um terno azul com uma gravata cinza a blusa branca, além de óculos de grau.

Crédito, Estúdio Hertz - DF/BBC

Legenda da foto, 'Ninguém pode achar normal um ministro voando de carona com dono de bet', diz Vieira
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    • Author, Marina Rossi
    • Role, Da BBC News Brasil em Brasília
  • 30 abril 2026, 13:51 -03
    Atualizado Há 14 minutos
  • Tempo de leitura: 21 min

Quando o senador Alessandro Vieira (MDB-SE) recebeu a BBC News Brasil para esta entrevista em seu gabinete no Senado, na terça-feira (28/4), ele havia acabado de ser informado sobre uma intimação da Justiça de São Paulo.

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A notificação estava sobre sua mesa, ao lado de uma bandeirinha do MDB, o quarto partido ao qual é filiado desde que foi eleito em 2018.

Trata-se de um processo movido pelo escritório Barci de Moraes, em nome do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes, sua mulher, Viviane Barci de Moraes, e a filha, Giuliana Barci de Moraes, pedindo R$ 20 mil de indenização para cada um por danos morais.

Segundo a petição, o senador, que foi relator da recém-encerrada CPI do Crime Organizado, fez "declarações públicas injuriosas e difamatórias" associando "falsamente" o ministro e sua família à facção Primeiro Comando da Capital (PCC). Leia também: Lula não se pronuncia sobre rejeição de Messias e Haddad lamenta: 'Gosto amargo'

"Essa é simplesmente uma afirmação que não existe", afirmou Vieira. "E eles provocam a Justiça, me obrigam a me defender no Estado de São Paulo, onde eu não resido, me parece que com o objetivo de constrangimento."

As declarações, segundo a petição, ocorreram durante uma entrevista ao SBT News em 15 de março, quando Vieira foi questionado sobre as conclusões que se poderiam ter naquele momento com a quebra de sigilos de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master.

O senador então respondeu que as apurações em andamento "apontam a chegada de recursos do PCC, uma organização criminosa violenta". E prosseguiu: "Você tem indicativos de pagamento a autoridades de diversos poderes, servidores públicos de carreira, políticos, eventualmente pessoas ligadas ao Judiciário".

"A gente tem informações que apontam circulação de recursos entre esse grupo criminoso a familiares dos ministros Dias Toffoli e Alexandre de Moraes", declarou Vieira.

"Não é razoável dizer agora que essa circulação de recursos é ilícita, moralmente falando, ela é absolutamente reprovável, juridicamente falando, a gente vai ter que ter mais passos para constatar", continuou o senador. Mais de mundo

"Quando o Master contrata o escritório de advocacia da família do Ministro Alexandre de Moraes, ele está contratando um serviço jurídico? Esse escritório prestou serviços correspondentes aos valores recebidos? Até o momento o indicativo é que não", disse no SBT News.

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Vieira tornou-se alvo do ministro depois de colocar o Supremo na mira. Seu relatório final da CPI pedia o indiciamento de Moraes, Gilmar Mendes e José Antonio Dias Toffoli, do Supremo, além do procurador-geral da República, Paulo Gonet. Foi rejeitado pela comissão depois de uma manobra para mudar seus membros. Leia também: A reação das lideranças evangélicas à rejeição de Jorge Messias para o STF

"O relatório tem mais de 200 páginas, acho que coisa de 15 páginas cuidava dos ministros do Supremo e PGR. Todo o restante cuidava desse diagnóstico, das sugestões, das propostas legislativas necessárias", disse Vieira à BBC News Brasil.

Seu discurso para justificar como uma CPI do crime organizado termina no Banco Master e não aponta nenhuma outra autoridade ou parlamentar que poderia ter relações com o caso, já está na ponta da língua.

Eleito com forte discurso contra o Judiciário — especialmente o STF — impulsionado pelos entusiastas da Operação Lava Jato, Vieira é insistente no tema.

Tentou aprovar a criação da CPI da Lava Toga em 2019, sem sucesso, e agora, novamente, quer abrir uma nova comissão para apurar a conduta de ministros do STF.

"Nós temos diversas propostas de reforma já em tramitação nas duas Casas [do Congresso] há muito tempo. Elas não avançam por falta de interesse do Poder Judiciário, materializado na posição dos ministros do Supremo", diz.

Alexandre de Moraes.
Uma manifestante de camiseta amarela co os dizeres "Anistia / não é política / é justiça / é amor / é família".
Legenda da foto, 'Ninguém será anistiado', diz Vieira, sobre a derrubada do veto ao PL da Dosimetria
Gilmar Mendes.
Repórter da BBC Brasil está sentada de frente para o senador Alessandro Vieira durante entrevista
Legenda da foto, Falando à BBC News Brasil, Vieira diz que ainda está 'procurando uma terceira via' na eleição de 2026

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