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Exposição gratuita reúne gravuras de Rembrandt, mestre do claro-escuro, em São

Detalhe de 'A Fuga para o Egito - Atravessando um Riacho', gravura de Rembrandt - Francesco Pernigo / Divulgação João Perassolo Rio de Janeiro O chão de madeira estala

Exposição gratuita reúne gravuras de Rembrandt, mestre do claro-escuro, em São

Detalhe de 'A Fuga para o Egito- Atravessando um Riacho', gravura de Rembrandt- Francesco Pernigo / Divulgação

João Perassolo
Rio de Janeiro

O chão de madeira estala com o caminhar num ambiente intimista de luz baixa onde só se ouvem murmúrios. Neste local de silêncio e atmosfera solene, dezenas de pessoas observam bem de perto pequenos quadros, menores do que cartões postais —são ilustrações de mendigos e anônimos das ruas, cenas de família e de passagens bíblicas, autorretratos e paisagens.

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Trata-se de um conjunto de 69 gravuras de Rembrandt, o grande artista holandês, em exibição até 8 de novembro no Centro Cultural dos Correios, no Rio de Janeiro. A mostra —que depois viaja para a Casa Fiat de Cultura, em Belo Horizonte, e o Palácio Anchieta, em Vitória—, é uma rara chance de ver um bloco tão expressivo da obra do pintor e gravador, que produziu pouco mais de 300 gravuras. Não há previsão de que a exposição chegue a São Paulo.

Gravura em preto e branco mostra duas figuras: um homem em primeiro plano usando chapéu com penas e roupas do século XVII, e uma mulher ao fundo com touca e vestido da mesma época. Assinatura e data 'Rembrandt 1635' aparecem no canto superior esquerdo.
'Autorretrato com Saskia', gravura de Rembrandt - Francesco Pernigo/Divulgação

"As gravuras são muito velhas, mas também muito modernas e contemporâneas", afirma Luca Baroni, organizador da exposição e diretor da Rede dos Museus da Região Marche Nord, na Itália, que administra o conjunto de obras, todas parte de uma mesma coleção privada. Isto porque, diz Baroni, ao desenhar pessoas das ruas de Amsterdã, situações de seu cotidiano, sua mãe ou retratar a si mesmo, o artista "consegue criar uma conexão com o público, que pode ver o mundo pelos olhos de Rembrandt". Leia também: Homem que matou 3 na Bombril: o detalhe que mais repercutiu

Produzidas entre 1629 e 1665, período que coincidiu com as décadas em que Rembrandt van Rijn viveu em Amsterdã —então conectada ao mundo pela exploração e comércio marítimos realizados a partir da costa holandesa—, as gravuras são um atestado da maestria do artista com a técnica do "chiaroscuro", o uso da luz e das sombras que confere às obras forte contraste, no aspecto visual, e muita dramaticidade, no plano simbólico, assim como Caravaggio fez na pintura.

Exemplo disso é "Estudante à Mesa à Luz de Velas", exposta na segunda sala, uma água-forte que, se vista de longe, parece apenas uma mancha preta no papel, mas que revela o sujeito do título quando o espectador chega perto. Água-forte é um método no qual o artista risca o desenho numa placa de cobre com uma ponta afiada e depois mergulha a chapa num ácido, que penetra nos sulcos. Molhada, a matriz é então colada sobre o papel para formar a ilustração.

"O paradoxo da gravura é que o artista não cria a obra de arte final —ele trabalha na chapa, não no papel. Quando você pinta, você adiciona elementos e, assim, vê o trabalho à medida em que é feito. Já, ao fazer uma gravura, você precisa imaginá-la primeiro, porque não vê o resultado final [de imediato]. Você desenha e é o ácido que faz o trabalho por você", afirma Baroni.

Baroni ressalta que Rembrandt ficou famoso como gravurista antes mesmo de como pintor —seus óleos mais conhecidos, "A Lição de Anatomia do Doutor Tulp", e "Ronda Norturna"— foram executados depois que ele já vendia aos colecionadores centenas de impressões de suas gravuras para se manter. As pinturas alavancaram seu nome ainda mais. "Ele fez muito mais dinheiro com as gravuras. Porque, mesmo que fossem mais baratas que as pinturas, é possível fazer até mil impressões de uma." Mais de entretenimento

Dividida em duas grandes salas, a exposição traz algumas das mais importantes gravuras do artista, como "O Jogador de Golfe", uma das primeiras representações do assunto na história da arte, e "Autorretrato com Saskia", datada de 1636. O ano marcou o casamento de Rembrandt com Saskia van Uylenburgh, de uma família da aristocracia holandesa e que tinha um primo comprador e vendedor de arte responsável por influenciar a carreira de Rembrandt.

'A Morte da Virgem', gravura de Rembrandt - Francesco Pernigo/Divulgação

Em "Autorretrato com Saskia", ressalta o organizador da mostra, Rembrandt se desenhou com uma roupa pomposa e um belo chapéu, vestuário que sinalizava seu status social de prestígio adquirido após o casamento. Ilustrar sua mulher junto era uma forma de dar relevância para ela e celebrar uma união feliz num momento em que ele se estabelecia como o principal artista de Amsterdã —Rembrandt pintava retratos da burguesia sob encomenda. Leia também: Atriz Pri Helena lembra campanha de Leticia Colin por ela em 'Quem Ama Cuida'

Grande parte das gravuras é maior que um selo e menor que um cartão postal, porque as placas de cobre grandes eram mais caras e, por terem uma área maior a ser ilustrada, demandavam muito mais do artista. Era mais rápido —e economicamente vantajoso para Rembrandt— produzir obras em menor escala para suprir a demanda de seu aquecido mercado de colecionadores.

Ainda assim, a exposição traz algumas gravuras de grandes dimensões, a exemplo da representação bíblica de "A Morte da Virgem", em que vemos a mãe de Jesus cercada por apóstolos tristes no fim da sua vida. A imagem é uma nova versão de uma gravura de mesmo tema feita pelo alemão Martin Schongauer —considerado o primeiro grande gravador, que trabalhou no final do século 15—, e que Rembrandt mantinha em sua coleção de obras de arte.

Nesta gravura, chama a atenção a riqueza de detalhes. É possível ver com clareza as linhas das mãos dos personagens, o drapeado dos tecidos das roupas e as expressões desoladas de quem está ao redor de Maria, já com os olhos fechados no seu leito de morte. "Só Rembrandt era capaz de fazer isso, porque tinha domínio técnico", afirma Baroni.

Rembrandt – O Mestre da Luz e da Sombra

  • Quando Até 8 de novembro. Terça a sábado, das 12h às 19h
  • Onde Centro Cultural dos Correios - r. Visconde de Itaboraí, 2, Rio de Janeiro
  • Preço Grátis

Rembrandt – O Mestre da Luz e da Sombra

  • Quando De 25 de novembro a 25 de janeiro. Terça a sexta, das 10h às 21h; sábado e domingo, das 10h às 18h
  • Onde Casa Fiat de Cultura - praça da Liberdade, 10, Belo Horizonte
  • Preço Grátis

Rembrandt – O Mestre da Luz e da Sombra

  • Quando De 10 de fevereiro a 27 de março de 2026. Terça a sexta, das 9h às 17h; sábado e domingo, das 9h às 16h
  • Onde Palácio Anchieta - praça João Clímaco, s/n, Vitória
  • Preço Grátis

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