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Eventos presenciais se tornam mais valiosos em mundo virtual, diz ex-chefe

Durante mais de 30 anos, Hugh Forrest esteve à frente do South by Southwest (SXSW), um dos maiores festivais de tecnologia, cultura e inovação do mundo

Eventos presenciais se tornam mais valiosos em mundo virtual, diz ex-chefe do

Durante mais de 30 anos, Hugh Forrest esteve à frente do South by Southwest (SXSW), um dos maiores festivais de tecnologia, cultura e inovação do mundo. Por mais da metade desse tempo, ele foi diretor de programação e presidente do evento. Por isso, a saída do executivo em 2024 —uma decisão que não foi sua, como declarou à época— foi um choque para muitos.

Sob o comando dele, o South by Southwest fez apostas em novidades que prosperaram e outras que morreram na praia. Tudo do jogo. Mas as décadas à frente do festival tornam Forrest um privilegiado observador das mudanças tecnológicas.

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Hoje ele presta consultoria a eventos em áreas correlatas, a exemplo de uma iniciativa semelhante ao festival texano, que começa neste domingo (9), no parque Ibirapuera, em São Paulo: o SP2B. O projeto, realizado pela Da20, materializa a ideia que chegou a ser aventada no passado de trazer o SXSW ao país, algo que acabou não avançando.

Nesta entrevista à Folha, Forrest diz apostar em um período de relativa desilusão com a inteligência artificial, depois do entusiasmo inicial. Mas a tecnologia vai ser firmar com modelos melhores e uma percepção mais madura de tais ferramentas. Mas algo, acredita ele, deve central: o papel da criatividade humana.

O executivo diz que teremos mais razões para valorizar capacidades humanas únicas —como a de Gilberto Gil emocionar a plateia em uma apresentação ao vivo. Forrest também aposta que profissionais que transitam entre diversas áreas estarão mais protegidos da automação e que, em um mundo inundado pelo conteúdo sintético, criatividade, empatia e experiências presenciais serão ainda mais importantes. Quando estava à frente do SXSW, o sr. chegou a ter conversas sobre trazer o festival para o Brasil. Leia também: Eventos presenciais se tornam mais valiosos em mundo virtual, diz ex-chefe

Esse foi o ponto de partida do que estamos fazendo agora [o SP2B]. Há uma comunidade brasileira forte que frequenta o SXSW há anos. Parecia natural que o festival buscasse fazer algo no Brasil.

Mas, naquele momento, achamos que o ‘timing’ não era o ideal. Por isso, este projeto de agora acabou sendo desenvolvido de forma independente, fora da estrutura do SXSW. Eventos presenciais como esse ainda fazem sentido na era da inteligência artificial, em que as pessoas usam os chatbots para aprender?

Fazem ainda mais sentido hoje. No South by Southwest, conseguíamos reunir pessoas do mundo inteiro em um ambiente altamente criativo. Nesse contexto, elas conviviam, trocavam ideias e percebiam que tinham muito mais coisas em comum do que diferenças.

O evento sempre foi sobre construir pontes, não muros. E isso é especialmente importante hoje. Esses eventos oferecem algo que simplesmente não pode ser reproduzido no ambiente online.

Os investimentos previstos para o mercado de IA nos Estados Unidos chegam aos trilhões de dólares. Essa empolgação é justificada? Imagino que você tenha visto a entrevista do Sam Altman, no ano passado, em que ele dizia acreditar que estávamos próximos de uma bolha da IA semelhante à bolha das empresas de internet no início dos anos 2000. Mais de economia

Esse tipo de ciclo acontece com praticamente toda nova tecnologia. Acho que começaremos a viver um certo momento de desilusão, em que ficará claro que a IA não está resolvendo tudo aquilo que se imaginava. Mas acredito que isso será rapidamente substituído por modelos muito mais funcionais e por uma compreensão mais madura de como essa tecnologia realmente pode nos ajudar.

E há algo em que acredito profundamente: a criatividade humana precisa continuar no centro de tudo o que fazemos. Ainda temos muito trabalho e muita reflexão pela frente. Eventos como o SP2B podem desempenhar um papel importante nesse debate sobre qual deve ser o lugar do ser humano nesse futuro.

No futuro, não precisaremos mais de pessoas cuja única habilidade seja memorizar informações. Os computadores fazem isso infinitamente melhor. A maior parte dos setores representados em eventos como o SP2B vive da propriedade intelectual, que as empresas de IA são acusadas de ter violado no treinamento de seus modelos. Leia também: 45 anos de Federer: o hábito alimentar que ele repetiu por 20 anos

Para onde esse debate está caminhando? Precisamos de muito mais regulação para a inteligência artificial. Minha experiência no South by Southwest também influencia essa visão.

O festival cresceu porque estava no lugar certo, na hora certa, durante a ascensão das redes sociais. Recebíamos muitos dos pioneiros daquela tecnologia, discutindo o que ela era e como transformaria positivamente a sociedade. Olhando para trás, podemos dizer que as redes sociais trouxeram inúmeros benefícios para nossas vidas.

Mas elas aproximaram as pessoas? Curaram divisões? Tornaram o mundo melhor?

Não necessariamente. Na verdade, é possível defender que muitos dos efeitos negativos das redes sociais poderiam ter sido reduzidos se tivéssemos tido mais regulação. Seria excelente se conseguíssemos aprender com os erros cometidos na era das redes sociais e aplicássemos essas lições agora à inteligência artificial.

Executivos do Vale do Silício que antes eram democratas hoje são aliados dos republicanos. Essa virada é uma transformação ideológica ou o motivo são os interesses empresariais? A resposta mais simples é a mais correta.

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