O Departamento de Estado dos Estados Unidos anunciou, na última quinta-feira (28), a classificação das facções brasileiras Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas. A medida, que se tornará efetiva a partir de 5 de junho e as designa também como “Terroristas Globais Especialmente Designados”, é parte da estratégia do governo de Donald Trump para a América Latina, focada no combate ao narcotráfico como tema de segurança nacional (segundo o g1).
Riscos e preocupações com a soberania
Para o promotor de justiça Lincoln Gakiya, especialista no combate ao crime organizado, a decisão é “muito grave” e “vai causar problemas de toda ordem” ao Brasil. Gakiya expressou receio quanto à possibilidade de os Estados Unidos realizarem ações militares secretas em território brasileiro, em moldes semelhantes ao que ocorreu no México e na Venezuela. Ele também alertou para um possível prejuízo na troca de informações entre os países, uma vez que as investigações passarão a ser de responsabilidade da CIA e das forças militares americanas, com um nível maior de sigilo (segundo o g1). Leia também: Ação dos EUA contra PCC e CV divide opiniões no Brasil
Impacto no sistema financeiro e estratégia de Trump
Outra preocupação levantada pelo promotor Gakiya diz respeito ao sistema financeiro brasileiro. Ele apontou que operações como a “Carbono Oculto” revelaram esquemas de lavagem de dinheiro do PCC que envolvem postos de combustíveis e fintechs com conexões a fundos de investimento e bancos. Gakiya teme que, se a classificação de terrorismo for levada ao pé da letra, bancos que não tiveram contato direto com integrantes das facções possam ser sancionados por receberem recursos indiretamente na cadeia de lavagem. A estratégia americana, sob a ótica do combate ao “narcoterrorismo”, prevê “paz por meio da força” e a possibilidade de ataques militares diretos contra organizações na região (segundo o g1).
Encontros políticos e realinhamento militar
O anúncio da classificação ocorreu na mesma semana em que o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) se reuniu com Donald Trump e com o secretário de Estado americano, Marco Rubio. A iniciativa de classificar facções brasileiras como terroristas já era cogitada desde 2025, quando o governo Trump iniciou uma ofensiva contra cartéis de drogas latino-americanos. A nova Estratégia Nacional de Defesa dos EUA, publicada em janeiro, já indicava o objetivo de assegurar dominância militar e comercial na América do Sul e a disposição em colaborar com países do continente, mas também alertava para a possibilidade de ações militares caso os interesses norte-americanos não fossem atendidos. Paralelamente, uma nova Estratégia de Política Externa divulgada em dezembro de 2024 sinalizou um foco maior dos EUA na América Latina, com um reajuste da presença militar para enfrentar “ameaças urgentes” no hemisfério ocidental (segundo o g1). Mais de noticia
O que se sabe até agora
- PCC e Comando Vermelho foram designados como “Terroristas Globais Especialmente Designados” pelos EUA.
- A partir de 5 de junho, as facções também serão classificadas como “Organizações Terroristas Estrangeiras”.
- Promotor Lincoln Gakiya alerta para risco de ações militares secretas dos EUA e sanções ao sistema financeiro brasileiro.
- A medida faz parte da estratégia do governo Donald Trump para a América Latina, focada no combate ao narcotráfico.
- Senador Flávio Bolsonaro se reuniu com Trump e o secretário de Estado americano Marco Rubio na semana do anúncio.
- Documentos recentes dos EUA indicam foco em dominância militar e comercial na América do Sul e possível intervenção.
A decisão americana de classificar PCC e CV como organizações terroristas representa uma potencial escalada na abordagem dos Estados Unidos ao combate ao crime organizado na América Latina. As implicações para a cooperação bilateral em segurança e para a soberania brasileira ainda serão sentidas nos próximos meses, especialmente com a entrada em vigor das novas designações em 5 de junho. Leia também: Resumo: EUA classificam PCC e CV como terroristas e combate a crimes em Roraima
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