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- Author, Pedro Martins
- Role, Da BBC News Brasil em São Paulo
- Published Há 37 minutos
- Tempo de leitura: 8 min
Uma ida ao metrô dificilmente está entre os passeios que mais atraem quem visita São Paulo pela primeira vez. Mas nesta semana o infectologista Ricardo Vasconcelos, da USP, se viu conduzindo um tour pelas estações para mostrar a um grupo de pesquisadores estrangeiros algo que só existe na capital paulista: máquinas criadas para distribuir PrEP e PEP, os comprimidos que vêm revolucionando o combate à Aids, gratuitamente.
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São as chamadas profilaxias pré e pós-exposição ao HIV, feitas com antirretrovirais capazes de reduzir em até 99% o risco de infecção pelo vírus. A primeira pode ser tomada diariamente ou sob demanda, antes de uma relação sexual que possa expor o usuário ao HIV. Já a segunda é indicada por 28 dias para quem já se expôs ao vírus e busca impedir que a infecção se estabeleça.
"Eu brincava que a PrEP precisava estar nos bebedouros e, em uma dessas brincadeiras, falei: 'Gente, vamos colocar em uma máquina como aquelas de refrigerante'", conta a idealizadora do projeto, Maria Cristina Abbate, coordenadora do Programa Municipal de IST/Aids de São Paulo, órgão ligado à prefeitura.
"A ideia é que as pessoas não precisem se dirigir a uma unidade de saúde. São os serviços de saúde que têm de se colocar na rotina delas." Leia também: As mulheres vítimas de violência doméstica que mataram seus companheiros: 'Ele

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Embora não substitua o uso do preservativo— já que previnem apenas a infecção pelo HIV, e não outras infecções sexualmente transmissíveis (ISTs), como sífilis, HPV, clamídia e gonorreia —, a PrEP oferece uma camada adicional de proteção e tem sido associada à redução de novos diagnósticos do vírus.
Um estudo publicado no The Lancet HIV, uma das revistas científicas mais respeitadas da área, mostrou que a implementação em larga escala do medicamento foi acompanhada por uma redução de cerca de 40% nas transmissões de HIV.
Além dos postos de saúde, em São Paulo a PrEP e a PEP também podem ser obtidas nas estações Brás, Consolação, Luz, Santana e Vila Sônia, entre as mais movimentadas da cidade. Cada usuário pode levar até três frascos com 30 comprimidos, quantidade suficiente para meses de uso.
Após dois anos de testes, a iniciativa, agora consolidada e em expansão, será um dos temas da 26ª Conferência Internacional sobre Aids, que começou no Rio de Janeiro no domingo (26/7). Mais de mundo
O evento, realizado a cada dois anos, reúne profissionais de saúde, pesquisadores e formuladores de políticas públicas de diversos países que trabalham para combater o HIV.
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Anonimato e facilidade de acesso
A iniciativa, que ganhou as páginas de jornais estrangeiros como o The Telegraph, um dos principais do Reino Unido, chama atenção internacionalmente porque, embora a PrEP e a PEP sejam distribuídas gratuitamente em dezenas de países, só em São Paulo elas podem ser obtidas em pleno metrô.
O modelo é considerado inovador por facilitar o acesso e oferecer quase um anonimato ao usuário. Embora ele não deixe de constar dos registros do SUS e ainda receba uma ligação de um médico, não é preciso lidar presencialmente com ninguém, muito menos com profissionais que não são especializados no tema.
A estratégia é bem-vista por especialistas porque ajuda a vencer uma das principais barreiras ao uso desses medicamentos: o preconceito ainda ligado ao HIV, que faz com que até formas de prevenção sejam vistas com desconfiança e leva algumas pessoas a evitar buscá-las em unidades de saúde tradicionais por receio de serem associadas à promiscuidade.
Ricardo Vasconcellos, que acompanha o tema de perto desde que participou dos primeiros estudos sobre o medicamento no Brasil, há cerca de uma década, diz que "uma das maiores dificuldades para fazer com que a PrEP e a PEP cumpram seu objetivo como política pública de saúde é o acesso".


Como funcionam as máquinas?
E o resto do Brasil?

O que as máquinas não conseguem fazer
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