Sachê de nicotina não é alternativa segura ao tabagismo: entenda os riscos
Ler matéria →Epilepsia pode ter cura cirúrgica– e milhares de brasileiros ainda não sabem disso Para pacientes que não respondem aos medicamentos, a avaliação de um cirurgião pode mudar tudo— mas poucos chegam a essa etapa Quando se fala em epilepsia, a maioria das pessoas pensa imediatamente em medicamentos. E isso faz sentido. Os remédios antiepilépticos são a base do tratamento e permitem que muitos pacientes tenham controle adequado das crises.
Mas existe uma realidade pouco conhecida fora dos consultórios especializados: uma parcela significativa dos pacientes não responde adequadamente aos medicamentos. E, para alguns deles, a cirurgia pode representar uma oportunidade real de ficar livre das crises. Apesar dos avanços da medicina e dos resultados já consolidados em diversos estudos internacionais, milhares de brasileiros que poderiam se beneficiar dessa abordagem nunca chegam a ser avaliados por uma equipe especializada.
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O problema não é apenas médico. É também uma questão de informação. Quando a cirurgia passa a ser uma opção
A cirurgia não é indicada para todos os pacientes com epilepsia. Ela costuma ser considerada principalmente nos casos de epilepsia refratária, situação em que as crises continuam ocorrendo apesar do uso adequado de medicamentos. De forma geral, considera-se epilepsia farmacorresistente quando pelo menos duas tentativas de tratamento medicamentoso, corretamente indicadas e utilizadas, não conseguem controlar as crises. Leia também: Perder peso sem perder músculo: o desafio das canetas emagrecedoras
Nesses casos, a recomendação atual é que o paciente seja encaminhado para um centro especializado em epilepsia para avaliação. O objetivo é identificar se existe uma região específica do cérebro responsável pelo início das crises e se essa área pode ser tratada cirurgicamente com segurança. Esse processo envolve exames detalhados, incluindo ressonância magnética de alta resolução, eletroencefalograma prolongado e avaliações neurológicas especializadas.
O mais importante é entender que a avaliação não significa indicação automática de cirurgia. Significa apenas investigar se essa possibilidade existe. Uma mudança que pode transformar a vida
As crises epilépticas afetam muito mais do que a saúde neurológica. Dependendo da frequência e da intensidade, elas podem limitar estudos, trabalho, prática esportiva, direção de veículos e até atividades simples do dia a dia. O medo constante de uma nova crise faz parte da rotina de muitos pacientes e familiares.
Por isso, quando a cirurgia é bem indicada, seus benefícios vão muito além do controle clínico. Em determinados tipos de epilepsia focal, especialmente quando existe uma área cerebral claramente identificada como origem das crises, estudos mostram que cerca de 60% a 70% dos pacientes podem permanecer livres de crises após o tratamento cirúrgico. Para muitas pessoas, isso significa recuperar independência, retomar planos interrompidos e reduzir significativamente os riscos associados às crises, como acidentes, quedas e lesões. Mais de saude
Além disso, alguns pacientes conseguem reduzir a quantidade de medicamentos utilizados ao longo do tempo, sempre sob acompanhamento médico especializado. O maior obstáculo muitas vezes é chegar ao especialista Um dos principais desafios atuais não está na cirurgia em si, mas no caminho até ela.
Diversos estudos mostram que pacientes com epilepsia refratária costumam permanecer anos convivendo com crises antes de serem encaminhados para avaliação especializada. Em alguns casos, passam mais de uma década tentando diferentes combinações de medicamentos sem que a possibilidade cirúrgica seja discutida. A situação é agravada pela existência de poucos centros especializados e pela falta de informação entre pacientes, familiares e até profissionais de saúde que não atuam diretamente na área. Leia também: Sachê de nicotina não é alternativa segura ao tabagismo: entenda os riscos
Isso faz com que muitas pessoas convivam desnecessariamente com limitações que poderiam ser reduzidas ou até eliminadas. É importante destacar que nem toda epilepsia tem indicação cirúrgica. Mas todo paciente com crises persistentes apesar do tratamento adequado merece saber que essa avaliação existe.
A epilepsia continua sendo uma condição complexa e que exige acompanhamento especializado. Porém, a ideia de que as crises precisam ser aceitas para sempre já não corresponde à realidade de muitos pacientes. Para uma parcela deles, a cirurgia não é apenas mais uma alternativa terapêutica.
Pode ser a oportunidade de recuperar a liberdade de viver sem o medo constante da próxima crise. Cesar Cimonari de Almeida é neurocirurgião e membro da Brazil Health. (Este texto foi produzido em uma parceria exclusiva entre VEJA SAÚDE e Brazil Health)
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