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Entenda a 'caixa-preta' do filme de Bolsonaro e por que orçamento é difícil de

Crédito, Divulgação Legenda da foto, Detalhe do cartaz de Dark Horse , filme sobre Jair Bolsonaro com o ator Jim Caviezel Article Information Author, Pedro Martins Role

Entenda a 'caixa-preta' do filme de Bolsonaro e por que orçamento é difícil de
Um homem de expressão séria aparece em primeiro plano usando terno escuro e faixa presidencial verde e amarela, diante de um céu carregado de nuvens escuras.

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Legenda da foto, Detalhe do cartaz de Dark Horse, filme sobre Jair Bolsonaro com o ator Jim Caviezel
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    • Author, Pedro Martins
    • Role, Da BBC News Brasil em Londres
  • Published Há 21 minutos
  • Tempo de leitura: 9 min

A revelação de que o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) pediu a Daniel Vorcaro, do Banco Master, R$ 134 milhões para a produção do filme Dark Horse, em homenagem a seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, provocou discussões sobre quanto custa produzir um longa-metragem e se o valor solicitado ao banqueiro é alto ou baixo.

Leia no AINotícia: Tiros no Senado das Filipinas: Tensão em tentativa de prender senador

Flávio Bolsonaro admitiu que pediu R$ 134 milhões e que recebeu R$ 61 milhões de Vorcaro, mas a Go Up Entertainment, produtora do longa-metragem, e o deputado Mario Frias (PL-SP), roteirista da obra, disseram que não tiveram acesso à verba do banqueiro.

Vorcaro está preso, e sua defesa não esclareceu as doações até o momento. A Go Up afirmou ainda que não pode revelar de onde veio seu orçamento, senão quebraria contratos de confidencialidade com os envolvidos no projeto.

Profissionais ligados a grandes produções de cinema afirmam à BBC News Brasil, sob condição de anonimato, que R$ 134 milhões podem ser considerados exagerados para o orçamento de Dark Horse. Leia também: Como as redes sociais reagiram à divulgação dos áudios entre Flávio Bolsonaro e

Eles argumentam que os artistas envolvidos no projeto nunca ocuparam o panteão de Hollywood e, apesar de terem tido alguma relevância décadas atrás, estiveram relegados, nos últimos anos, a obras de menor relevo, a maioria delas de viés religioso ou patriótico americano.

É o caso de Jim Caviezel, que interpreta o ex-presidente. Seu projeto mais famoso foi Paixão de Cristo, dirigido por Mel Gibson, no qual interpretou Jesus. O longa-metragem arrecadou US$ 612,1 milhões nas bilheterias em 2004.

Desde então, no entanto, a carreira de Caviezel foi marcada por papéis e projetos menores. A exceção foi O Som da Liberdade, em 2023, que no Brasil mobilizou sobretudo evangélicos e bolsonaristas, mas que ainda assim teve uma bilheteria bem menor do que Paixão de Cristo, de US$ 250,5 milhões.

Em outras palavras, é difícil imaginar, na visão dos especialistas ouvidos pela BBC, que Caviezel tenha recebido um cachê multimilionário para interpretar Bolsonaro.

Um dos profissionais que conversaram com a reportagem, acostumado a contratar atores do primeiro escalão de Hollywood, diz que pagou recentemente a uma estrela de filmes de super-heróis US$ 2 milhões por um filme de repercussão internacional, com circulação em festivais e mostras. Mais de mundo

Uma bancada de cinema exibe baldes de pipoca e produtos promocionais diante de um pôster iluminado do filme A Paixão de Cristo. A imagem tem tons quentes e escuros, criando uma atmosfera dramática que remete ao clima intenso e religioso do longa-metragem.

Crédito, Getty Images

Produtora de Meu Passado me Condena e De Pernas pro Ar, arrasa-quarteirões nos anos 2000, a diretora Mariza Leão faz coro ao que dizem esses profissionais e acrescenta que uma boa maneira de avaliar a adequação do orçamento de um filme é pensar no que ele pode render nas bilheterias.

Ela lembra que sucessos recentes como Ainda Estou Aqui arrecadou pouco mais de R$ 100 milhões, alavancado pelo marco de ter vencido o primeiro Oscar do Brasil, ou seja, bem menos do que o valor que Flávio Bolsonaro pediu a Vorcaro para produzir Dark Horse.

Outro parâmetro de comparação seria a bilheteria somada de todos os 205 filmes lançados no ano passado, algo na ordem de R$ 215 milhões. "Não há parâmetro de nada igual na história do cinema brasileiro. Supondo que o mercado brasileiro seja o foco principal para recuperar esse investimento, estamos falando de uma conta que não fecha", diz a cineasta.

Avaliar o orçamento de Dark Horse, no entanto, não é uma tarefa fácil. Há uma série de minúcias relacionadas à produção que precisariam ser analisadas, e a maior parte delas pode ser impossível de descobrir, já que a feitura de um filme, principalmente daqueles que não se valem de recursos públicos, é um processo cheio de segredos, guardados por acordos de confidencialidade que, se quebrados, podem implicar multas milionárias.

As gravações do longa-metragem aconteceram nos Estados Unidos e no Brasil e foram encerradas em dezembro. Segundo a Go Up, o longa-metragem foi todo filmado em inglês e agora está em edição nos EUA. Não há previsão de estreia.

Montagem com cenas dos bastidores do filme Dark Horse.
Legenda da foto, Montagem com cenas dos bastidores do filme Dark Horse

Dark Horse custou mais caro do que filmes brasileiros do Oscar: o que isso significa?

Wagner Moura aparece no papel de um professor em O Agente Secreto. O ator fala em um telefone público vermelho, sob uma cabine amarela, com expressão séria e concentrada. Ao fundo, cartazes políticos antigos cobrem a parede, sugerindo um contexto de tensão política e ambientação histórica.
Legenda da foto, O ator Wagner Moura em cena do filme O Agente Secreto, que concorreu ao Oscar
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Em cena do filme Ainda Estou Aqui, a personagem Eunice Paiva, interpretada pela atriz Fernanda Torres, é vista sentada no banco traseiro de um carro antigo, observa pela janela, com expressão séria.
Legenda da foto, A atriz Fernanda Torres em cena de Ainda Estou Aqui, que venceu o Oscar em 2025

Quanto custa, afinal, um filme?

Flávio Bolsonaro com uma camiseta com a inscrição "O PIX é do Bolsonaro; o Master é do Lula".
Legenda da foto, Durante um evento da pré-campanha em Santa Catarina, Flávio Bolsonaro usou uma camiseta com a inscrição "O Pix é do Bolsonaro; o Master é do Lula".
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