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Endometriose ganha destaque após novo desdobramento em endometriose: maior

Endometriose: maior estudo genético sobre a doença mostra ligação com enxaqueca e ansiedade Pesquisa publicada na Nature investigou por que as mulheres têm sintomas tão

Endometriose ganha destaque após novo desdobramento em endometriose: maior

Endometriose: maior estudo genético sobre a doença mostra ligação com enxaqueca e ansiedade Pesquisa publicada na Nature investigou por que as mulheres têm sintomas tão diferentes entre si, além de desvendar ligações entre a doença e outras condições A endometriose costuma ser lembrada pelas cólicas incapacitantes e dificuldade para engravidar. Mas um novo estudo endossa a tese, já defendida por muitos especialistas, de que ela pode estar ligada a muito mais do que isso.

E esse vínculo pode se originar ainda nos genes. Pesquisadores da Universidade de Yale, em colaboração com cientistas de diversos países, publicaram, este ano, o maior estudo genético já feito sobre a doença. Com dados de mais de 1,4 milhão de mulheres— 105 mil diagnosticadas com a doença— o estudo descobriu novas regiões do DNA ligadas à condição, bem como associações genéticas entre o quadro e outras doenças.

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O estudo, publicado na Nature, mostrou que a endometriose compartilha parte de sua base genética com outras condições que costumam aparecer nas mesmas pacientes, como infertilidade, cistos ovarianos, miomas uterinos, irregularidades menstruais, depressão e ansiedade. Ou seja, em vez de serem apenas consequências da doença ou coincidências clínicas, eles podem mecanismos biológicos desde a origem. Os autores demonstram, ainda, que o risco genético da endometriose interage com sintomas clínicos, como dor abdominal, enxaqueca e náusea.

As análises reforçam a relação entre esses sinais e a doença, mas o DNA sozinho não explica seu surgimento. Entre as mulheres que apresentam esses sintomas, é provável que outros fatores também estejam causando a condição, o que ainda precisa ser melhor estudado. Endometriose além do sistema reprodutor

A endometriose é uma doença caracterizada pelo crescimento de tecido semelhante ao endométrio— camada que reveste o interior do útero— em outras partes do corpo. A condição afeta cerca de 10% das mulheres em idade reprodutiva e costuma provocar cólicas menstruais intensas, fluxo menstrual abundante, dor durante a relação sexual e, em muitos casos, infertilidade. Hoje, porém, a endometriose deixou de ser vista apenas como um problema ginecológico. Leia também: 4 dicas para aumentar o consumo diário de fibras e ter mais saúde

Ela é considerada uma doença sistêmica crônica, já que seus efeitos podem alcançar diferentes órgãos e sistemas do organismo. Para ter ideia, estudos mostram que a condição está associada a alterações no metabolismo no fígado e das gorduras, inflamação sistêmica e mudanças na expressão de genes no cérebro, o que pode contribuir para a sensibilização da dor e para transtornos de humor. A doença também envolve uma pane do sistema imunológico.

Em vez de eliminar células semelhantes às do endométrio que se instalam fora do útero, o organismo permite sua permanência. Por sua vez, isso favorece o surgimento das lesões e a manutenção do processo inflamatório. “Uma mulher com endometriose tem risco aumentado de várias outras alterações imunológicas e inflamatórias, como síndrome do intestino irritável, bexiga dolorosa, fibromialgia, enxaqueca e outras doenças condições de fundo imunológico”, resume Carlos Alberto Petta, ginecologista, membro da Comissão Nacional Especializada em Endometriose da Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo).

“Mas não é como se a paciente tivesse passado na fila de vários problemas. É uma doença única atingindo diferentes órgãos. ”

Por que estudar a genética da endometriose? Com tanta diversidade de manifestações, os cientistas têm, há muitos anos, uma pulga atrás da orelha: por que as mulheres desenvolvem sintomas tão diferentes umas das outras? É justamente essa pergunta que o novo estudo procurou ajudar a responder.

E por isso os cientistas olharam para a genética em busca de explicações. Os pesquisadores analisaram o genoma de milhares de mulheres com endometriose de diferentes origens étnicas e nacionalidades e, como resultado, praticamente dobraram o número conhecido de regiões do DNA associadas ao risco de desenvolver a doença. Ao todo, foram identificadas 80 “endereços” do genoma relacionadas à endometriose, das quais 37 nunca haviam sido associadas à condição. Mais de saude

“Essas regiões nos ajudam a correlacionar sintomas e mostram que algumas pessoas desenvolvem sinais que outras não sentem por causa de seus genes, ainda que a doença seja a mesma”, explica Ciro Martinhago, médico geneticista, especialista pela Sociedade Brasileira de Genética Médica (SBGM). Além disso, ao incluir participantes de diferentes grupos populacionais, o estudo mostrou que, embora os principais mecanismos biológicos da endometriose sejam compartilhados entre populações, algumas variantes genéticas específicas podem influenciar a forma como a doença se manifesta em diferentes pessoas e regiões do mundo. Outros achados Nesse trabalho de formiguinha, mapeando as relações entre genes e endometriose, os pesquisadores também investigaram outras questões.

Entre elas, eles buscaram responder: alguns sintomas poderiam, na verdade, contribuir para o desenvolvimento da endometriose? E a adenomiose seria uma doença distinta ou apenas uma manifestação diferente da mesma condição?

Foi aí que, usando métodos estatísticos que permitem estimar possíveis relações de causa e efeito com base em informações genéticas, a equipe encontrou evidências de que a fadiga crônica pode aumentar a predisposição ao desenvolvimento da doença. A hipótese ainda precisa ser confirmada por novos estudos, mas abre uma nova linha de investigação. O estudo também mergulhou no mundo genético da adenomiose, doença que, muitas vezes, é confundida com o quadro. Leia também: Salmão norueguês ganha destaque após novo desdobramento em salmão norueguês

Daí, foram identificadas cinco regiões genéticas compartilhadas entre as condições. Ou seja, a base genética das duas doenças se correlaciona. Mas, essa semelhança não é total e, por isso, os cientistas consideraram que elas são, sim, condições distintas.

A adenomiose é uma doença em que o tecido que reveste a parte interna do útero (o endométrio) cresce dentro da parede muscular do útero (o miométrio), em vez de ficar só na camada interna, onde deveria estar. Vale lembrar que, na endometriose, o tecido cresce fora do útero (em ovários, trompas, intestino, bexiga, etc.) Dos pés à cabeça A endometriose é especialista em ultrapassar limites.

Como vimos, boa parte das mulheres com a doença sente seus efeitos em praticamente todo o corpo: intestino embolado, dores que migram, cansaço que não passa nem com noite bem dormida. Portanto, dá pra dizer que a lista de sintomas é bem mais longa (e bem mais chata) do que o nome “doença ginecológica” sugere. É por isso que ela passou a receber o título de “sistêmica“.

Ao mesmo tempo, nem todas as pessoas que vivem com o quadro apresentam sintomas. Assim, algumas descobrem a doença apenas durante exames ou cirurgias realizados por outros motivos. Mesmo assim, ela está lá, agindo dos pés à cabeça.

Literalmente. Não à toa, a doença é frequentemente associada à ansiedade, estresse e depressão. “E não só é uma consequência dos sintomas, como o convívio constante com a dor crônica, mas, aparentemente, algo que ocorre dentro do próprio organismo“, diz Petta.

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