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Endividamento não é transitório e virou regime, diz Kinea, que mexe no portfólio

Endividamento não é transitório e virou regime, diz Kinea, que mexe no portfólio
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O endividamento das famílias ganhou protagonismo nas ações recentes do governo, mas não será vencido de forma fácil – pelo contrário, tem tudo para se prolongar, o que deve afetar sensivelmente as projeções para alguns setores da Bolsa. “O consumidor brasileiro endividado não é um tema de um trimestre. É um regime”, afirma a Kinea Investimentos em relatório divulgado nesta terça-feira (19).

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Com base na avaliação, a casa ajustou o portfólio reduzindo exposição a setores de consumo discricionário e migrando para utilities, concessões e infraestrutura.

O diagnóstico parte de uma combinação que a Kinea classifica como inédita: a inadimplência sobe enquanto o desemprego está nas mínimas históricas. Em ciclos anteriores, emprego pleno e salários em alta tendiam a aliviar a pressão financeira das famílias, mas dessa vez o alívio não veio porque o problema não está no mercado de trabalho. O custo de manter o padrão de vida, ressalta a gestora, cresceu mais do que a renda estrutural do consumidor médio. Leia também: Junho marca 2º mês de saída de estrangeiro da Bolsa, mas saldo segue acima

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Para ilustrar o diagnóstico, a Kinea recorre ao filme sul-coreano Parasita, no qual uma família pobre consegue se infiltrar na rotina de uma família rica, ocupando um espaço que não tem como sustentar. A gestora usa a analogia para descrever o ciclo brasileiro de consumo dos anos 2000 e afirma que “a ocupação do novo espaço era concreta, mas a sustentação daquele espaço era mais precária do que parecia.” A ascensão foi real, mas apoiada em condições temporárias. Quando essas condições mudaram, a conta chegou.

A raiz do problema, segundo a análise, está em décadas de baixo crescimento de produtividade. Entre 1981 e 2024, o PIB brasileiro avançou em média 2,2% ao ano em termos per capita. O ciclo de expansão do consumo entre 2003 e 2013 foi real, reconhece a Kinea, mas apoiado em commodities, crédito e gasto público, sem ganhos estruturais de renda. Quando esse suporte cedeu, avalia a gestora, o padrão de vida incorporado pelas famílias ficou sem lastro.

Diante disso, a Kinea diz preferir empresas com fluxo de caixa longo, receitas indexadas e demanda inelástica, como saneamento, transmissão de energia e concessões, mantendo cautela com setores dependentes de uma retomada ampla do consumo. “Regimes, mais do que manchetes, são o que moldam portfólios”, conclui o relatório. Mais de economia

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Jornalista há quase 20 anos, editor de Investimentos no InfoMoney. Escreve principalmente sobre renda fixa e variável, alocação e o universo dos criptoativos

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