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Encontro em Belém debate sobre os direitos da natureza em meio ao avanço

Encontro em Belém debate sobre os direitos da natureza em meio ao avanço do petróleo na Amazônia Participantes destacaram impactos em comunidades tradicionais e

Encontro em Belém debate sobre os direitos da natureza em meio ao avanço do
Encontro em Belém debate sobre os direitos da natureza em meio ao avanço do petróleo na Amazônia

Participantes destacaram impactos em comunidades tradicionais e defenderam o reconhecimento da natureza como sujeito de direitos.


  • O MPF, lideranças tradicionais e o jurista Ramiro Ávila Santamaria reuniram-se nesta terça-feira (17) em Belém. Eles discutiram a defesa da Amazônia contra a exploração de petróleo e mineração.

  • Segundo o procurador Felício Pontes Júnior, o Brasil está atrás de outros países. O Equador foi o primeiro a reconhecer a natureza como sujeito de direitos em 2008.

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  • Santamaria visitou indígenas no Oiapoque, que enfrentam ameaças da exploração de petróleo. A intenção é levar o caso ao Tribunal Internacional dos Direitos da Natureza.

Evento debate direitos de povos tradicionais e proteção de territórios, no Pará

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Representantes do Ministério Público Federal, lideranças indígenas e quilombolas e um dos principais juristas do mundo sobre direitos da natureza se reuniram na terça-feira (17) em Belém para discutir caminhos na defesa dos povos, territórios e do meio ambiente.

O encontro ocorre em um momento considerado estratégico para a Amazônia, em meio aos debates sobre a exploração de petróleo na margem equatorial e o avanço da mineração em territórios tradicionais.

A discussão reuniu especialistas nacionais e internacionais em direitos da natureza, além de movimentos sociais, com o objetivo de aproximar conhecimentos jurídicos e saberes tradicionais.

A proposta é fortalecer a defesa dos rios, das florestas e dos territórios amazônicos diante de grandes empreendimentos e dos desafios socioambientais

Moradora do Quilombo do Abacatal, em Ananindeua, Vanuza Cardoso destacou os impactos enfrentados pela comunidade, que tem mais de três séculos de história e sofre com a expansão urbana e obras de infraestrutura. Mais de noticia

“O progresso que vem, mas que não planeja a vida de quem está no entorno desse progresso. É sim possível que a natureza seja sujeito de direitos, porque a gente só vê a natureza ser violentada, ser agredida”, afirmou a liderança quilombola.

Segundo o procurador regional da República Felício Pontes Júnior, o Brasil ainda está atrás de outros países da América Latina no reconhecimento dos direitos da natureza.

“O Brasil ainda sai atrasado em relação a outros países da América Latina com relação ao reconhecimento dos direitos da natureza. Hoje o direito brasileiro ainda tenta incorporar saberes desses povos originários para que isso entre no nosso ordenamento jurídico”, disse.

Defender a foz do Amazonas é defender o planeta, aponta jurista equatoriano no MPF em Belém.— Foto: MPF Leia também: Boi Caprichoso anuncia primeira tuxaua trans do Festival de Parintins

O Equador foi o primeiro país do mundo a reconhecer a natureza como sujeito de direitos, em 2008. Desde então, mais de 50 países passaram a adotar algum tipo de reconhecimento legal dos direitos naturais.

Um dos participantes do encontro é o jurista equatoriano Ramiro Ávila Santamaria, considerado uma das maiores autoridades mundiais no tema. Ele integra o movimento que propõe reconhecer ecossistemas como sujeitos de direito.

Além do debate, Santamaria visitou povos indígenas do Oiapoque, no Amapá, que enfrentam ameaças relacionadas à exploração de petróleo na foz do Amazonas.

“As comunidades indígenas têm muitas dificuldades de sobreviver. Elas têm sofrido muito pelo desmatamento, pela falta de proteção, e agora há um sério risco com o petróleo, que afeta todo o ecossistema, que é muito frágil, e as comunidades podem passar fome”, afirmou o jurista.

Em meio aos debates sobre o avanço da exploração petrolífera e mineradora em territórios tradicionais, o reconhecimento dos direitos da natureza é apontado como um possível caminho para fortalecer a proteção dos povos e dos ecossistemas.

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