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Empresas com licença-maternidade estendida diminuem; 380 mil mulheres foram

Empresas com licença-maternidade estendida diminuem; 380 mil mulheres foram demitidas após retorno A licença-maternidade estendida perdeu espaço nas empresas

Empresas com licença-maternidade estendida diminuem; 380 mil mulheres foram
Empresas com licença-maternidade estendida diminuem; 380 mil mulheres foram demitidas após retorno

  • A licença-maternidade estendida perdeu espaço nas empresas. Os afastamentos acima de 120 dias caíram de 11% em 2023 para 8% em 2026.

  • Entre os pais, também houve queda na adesão à licença-paternidade ampliada. Cresceu o número de trabalhadores que utilizaram apenas os cinco dias previstos em lei.

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  • Dados do eSocial mostram que mais de 380 mil mulheres foram demitidas após o retorno da licença-maternidade entre 2020 e 2025.

Demissões após licença-maternidade atingem mais de 380 mil mulheres em cinco anos

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O Brasil registrou uma queda no número de empresas que oferecem licença-maternidade estendida. É o que mostra um levantamento da Receita Federal, obtido pelo g1 com exclusividade. Leia também: Mercosul-UE: em visita ao Brasil, missão europeia busca acelerar efeitos

O número de empresas participantes do Programa Empresa Cidadã caiu de 30.545, em 2024, para 8.862, em 2025 — uma redução de cerca de 71%. Em 2026, o total permaneceu praticamente estável, com 8.858 empresas cadastradas.

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Segundo a Receita Federal, a queda ocorreu após uma auditoria realizada em 2024, que resultou na exclusão de 22.207 empresas do programa. As organizações foram retiradas por irregularidades cadastrais ou incompatibilidade com o regime tributário exigido para acesso ao benefício fiscal.

  • 🔎 Criado em 2008, o Programa Empresa Cidadã permite que empresas ampliem a licença-maternidade de 120 para 180 dias e a licença-paternidade de cinco para 20 dias. Em contrapartida, podem deduzir do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) o valor pago às funcionárias durante os dois meses adicionais.

Série histórica das empresas participantes do Programa Empresa Cidadã — Foto: Arte g1 Mais de politica

Entre os setores econômicos, a maior presença de empresas cadastradas está na indústria de transformação, com 1.994 participantes. Em seguida aparecem o comércio e a reparação de veículos automotores e motocicletas, com 1.966 empresas.

Também se destacam os setores de informação e comunicação, com 1.065 organizações, e as atividades financeiras, de seguros e serviços relacionados, com 1.026 empresas.

Antes da auditoria, o programa vinha registrando crescimento ao longo da última década. A série histórica mostra que, em 2010, havia 10.947 empresas participantes. O número continuou aumentando nos anos seguintes até atingir o pico de 30.545 organizações em 2024. Leia também: Conservadoras fazem formação política com cartilha cor-de-rosa, bolo e oração

Os dados da Receita vão ao encontro de um levantamento da VR. Com base em cerca de 4 milhões de trabalhadores formais que utilizam os serviços de RH Digital da companhia, o estudo aponta queda na adesão às licenças ampliadas.

Segundo o levantamento, os afastamentos superiores a 120 dias representaram 8% do total até o primeiro trimestre de 2026. O percentual era de 10% em 2025 e 2024, e de 11% em 2023.

Em números absolutos, foram registrados cerca de 400 casos de licença estendida nos três primeiros meses de 2026, ante 1,6 mil em 2025 e 2024, e aproximadamente 1,5 mil em 2023.

Já a licença-maternidade padrão, de 120 dias, concentrou a maior parte dos afastamentos no período analisado, representando 76% dos casos. Foram 3,9 mil registros até março de 2026, 12,6 mil em 2025, 11,5 mil em 2024 e 10,4 mil em 2023.

Entre os pais, os dados mostram um leve aumento no número de afastamentos após o nascimento dos filhos, embora a adesão à licença-paternidade estendida também esteja em queda.

Esses desligamentos podem indicar dispensa discriminatória ou ausência de políticas de retenção da mão de obra feminina, especialmente diante da falta de ações que incentivem o compartilhamento das responsabilidades de cuidado.
— Camilla de Vilhena Bemergui, auditora fiscal do trabalho.
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