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Emboscada, taça e nariz quebrado: como foi a passagem de Diniz como jogador do Corinthians

Quase 30 anos separam os dois momentos de Fernando Diniz no Parque São Jorge

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Emboscada, taça e nariz quebrado: como foi a passagem de Diniz como jogador do Corinthians

Quase 30 anos separam os dois momentos de Fernando Diniz no Parque São Jorge. De volta ao clube, o treinador fará a estreia no comando do Corinthians nesta quinta-feira (9), em Buenos Aires, contra o Platense (ARG), pela 1ª rodada da CONMEBOL Libertadores. A expectativa do técnico e dos torcedores é que a nova passagem de Diniz no clube tenha um caminho mais glorioso (e longo!) do que a primeira.

Diniz chegou no começo de 1997 ao clube alvinegro, que estava turbinado pelo dinheiro da parceria com o Banco Excel-Econômico. Foram contratados vários nomes de peso, incluindo Tulio Maravilha, Donizete Pantera e Antônio Carlos. Curiosamente, foi Diniz, o menos conhecido de todos eles, que teve talvez a recepção mais luxuosa.

A imprensa compareceu em peso ao evento realizado em uma cervejaria na capital paulista com direito a banda e jogadores em trajes de gala. “Ele era uma pessoa muito inteligente e tinha um nível de conversa bem diferente dos outros atletas”, disse Eduardo Rocha Azevedo, um dos empresários membros do Grupo de Apoio à Presidência do Corinthians, à ESPN. A expectativa era que o atacante Paulo Nunes (Grêmio) e o lateral André Luiz (São Paulo) também fossem apresentados, mas apenas Diniz compareceu.

André foi contratado logo em seguida, mas a negociação pelo gremista melou após o clube gaúcho ter feito mais exigências. André Hernan traz bastidores no Fala a Fonte desta terça-feira (7) Vindo do Palmeiras, Diniz foi reserva no Corinthians que tinha Marcelinho Carioca, Souza e Mirandinha.

Mesmo assim, ajudou na campanha do título do Paulistão de 97. “Era muito técnico, né? Tinha muita habilidade ali no meio campo.

Não era titular absoluto, mas sempre que ele entrava fazia jogadas e procurando ser o garçom daquele time”, disse Tulio à ESPN, lembrando que o meia sempre arrumava uma forma de deixá-lo na cara do gol. “Eu era o matador e ele sabia muito bem das minhas características. Me ajudou bastante”.

Mesmo com a conquista, Diniz não teve uma temporada fácil. Ele sofreu com lesões e até fraturou o nariz em uma dividida nos treinos na Fazendinha antes de uma partida contra o Coritiba. Apesar de não ser considerado um craque, o meia, que tinha 22 anos a época, impressionou os colegas pelo profissionalismo e a força de vontade.

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“ Com ele não tinha cansaço ou dorzinha. Era um cara que vivia intensamente o futebol. Leia também: A história do 'time de bairro' que Corinthians encara na estreia da Libertadores

Ele se cobrava muito, era dedicado e chegava mais cedo na concentração”, contou o ex-goleiro Ronaldo à ESPN. Fernando Diniz foi apresentado em entrevista coletiva nesta terça-feira (7) Mas com a saída de Marcelinho para o Valencia (ESP), Diniz passou a jogar mais vezes. No entanto, o time caiu muito de produção no segundo semestre e o técnico Nelsinho Baptista foi trocado por Joel Santana.

No auge da crise, após uma derrota para o Santos por 1 a 0, na Vila Belmiro, em outubro, a delegação alvinegra viveu momentos tensos. Diniz estava no ônibus que sofreu uma emboscada e foi apedrejado por integrantes da Gaviões da Fiel na Rodovia dos Imigrantes. Alguns jogadores se machucaram na ação.

Naquela mesma partida, Rincón e Mirandinha trocaram agressões físicas no vestiário após uma expulsão do atacante e foram separados pelo goleiro Ronaldo. Joel foi demitido pouco tempo depois, mas a crise permaneceu até o fim do Brasileiro. O Timão, sob o comando de Candinho, escapou do rebaixamento apenas na última rodada após vencer o Goiás.

Na temporada seguinte, Vanderlei Luxemburgo assumiu a equipe e promoveu uma limpa no elenco. Fernando Diniz foi apresentado em entrevista coletiva nesta terça-feira (7) Diniz foi dispensado junto com outros 16 jogadores, mas após o time sofrer cinco derrotas seguidas (a última delas para o Palmeiras em Ribeirão Preto) foi reintegrado ao grupo.

Foi em 1998, que o meia-atacante balançou as redes pela primeira vez em amistoso contra a Caldense-MG, que terminou com goleada alvinegra por 4 a 1. No mês seguinte, anotou o único gol oficial pelo Timão na primeira fase da Copa do Brasil na vitória por 3 a 0 contra o Itabaiana, em Aracaju. Aos 43 minutos do segundo tempo, ele fez uma bela jogada pela esquerda, cortou o marcador e acertou um chute cruzado no lado direito do goleiro.

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Pouco utilizado por Luxa, Diniz ficou até a final do Paulistão daquele ano, que terminou com derrota para o São Paulo. O meia entrou em campo no segundo tempo da semifinal contra a Portuguesa, que teve a polêmica arbitragem de Javier Castrilli. Após disputar 50 jogos em um ano e meio, Diniz foi para o Paraná e viu muitos dos antigos colegas de time faturarem o bicampeonato brasileiro (98 e 99), o Paulistão (99) e o Mundial de Clubes (2000). Mais de esporte

“ Um cara que trabalha muito e dedica do seu tempo de treinador também para ajudar essa molecada que vem na ‘nhaca disgramada’. Ele vai ajudar muito no Corinthians também, essa é a certeza que eu tenho”, diz Ronaldo.

O que ex-companheiros falam sobre Diniz? Ronaldo Giovanelli “Falar sobre Fernando Diniz é muito fácil. É um cara que vive intensamente o futebol, viveu intensamente o futebol.

Na época que jogávamos juntos, ele era um cara que se cobrava muito, um cara dedicado que chegava mais cedo, na concentração também fazia os trabalhos de alongamento. Pelo menos no tempo que esteve com a gente, foi um profissional acima de qualquer suspeita. Sempre foi um cara esforçadíssimo.

‘ Ah, não foi craque’. Ninguém foi craque naquela época, só que o Diniz se destacava pela força de vontade, competência que tinha também de estar ali no Corinthians e fazer a diferença no dia-a-dia”. Leia também: Abel Ferreira, do Palmeiras, é suspenso por seis jogos pelo STJD por expulsões

“Como treinador é a mesma coisa, a cobrança, a intensidade, viver aqueles 90 minutos como se fossem os últimos da própria vida”. Tulio Maravilha “ O Corinthians fez uma grande equipe [em 1997].

Contratou vários jogadores. Com a minha chegada, eu, o Mirandinha, o Donizete, o Fábio Augusto...esses jogadores se juntaram à base do Corinthians naquela época, que tinha o Ronaldo, o goleiro, Marcelinho Carioca, o Souza, que era o meia, e o próprio Neto, que estava em fim de carreira, mas também fazia parte daquele grupo. E a gente lembra que o Diniz também foi contratado nessa leva e se destacou aí bastante.

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Era um meia atacante, muito técnico, né? Tinha muita habilidade ali no meio campo. Não era titular absoluto, mas sempre que entrava, que precisava, ele fazia jogadas e sempre procurando ser o garçom daquele time”.

“ Desejo muita sorte, gosto muito dele como pessoa, como ser humano, técnico do futebol. E eu torço por ele, porque ele joga o futebol bonito, né?

Futebol técnico, ousado, corajoso. É disso que o nosso futebol brasileiro está precisando. Ele é um treinador de personalidade, gosta de desafios, e tenho certeza que se os jogadores pegarem rapidinho a maneira dele de jogar, os seus métodos, os seus esquemas táticos, o Corinthians tem grande chance de dar uma decolada e voltar a dar alegria à torcida”.

“ Uma coisa eu tenho certeza: não vai ter aquele estilo retranqueiro. O Diniz pode perder de 10, mas vai atacar com 11.

Ele é ousado, corajoso, tanto dentro como fora da Neo Química Arena. A torcida pode ficar tranquila que ele vai colocar o time bastante ofensivo”. Onde assistir a Platense x Corinthians?

Platense x Corinthians, nesta quinta-feira (9), às 21h (de Brasília), pela CONMEBOL Libertadores, terá transmissão ao vivo e exclusiva no plano premium do Disney+. Próximos jogos do Corinthians: Platense (F) - 09/04, 21h (de Brasília) - CONMEBOL Libertadores, com transmissão no plano premium do Disney+ Palmeiras (C) - 12/04, 18h30 (de Brasília) - Brasileirão Santa Fe (C) - 15/04, 21h30 (de Brasília) - CONMEBOL Libertadores, com transmissão no plano premium do Disney+

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