
- Author, Olga Ivshina
- Role, BBC News Rússia
- Published Há 1 hora
- Tempo de leitura: 7 min
Por mais de 80 anos, ninguém sabia o que aconteceu com um prisioneiro de guerra soviético que escapou dos nazistas nas ilhas do Canal da Mancha e passou o resto da Segunda Guerra Mundial se escondendo das autoridades alemãs com uma família local.
Conhecido apenas pelo seu primeiro nome, Bokejon — ou, simplesmente, Tom — foi um entre cerca de 2 mil prisioneiros e trabalhadores forçados soviéticos levados para a ilha de Jersey, para construir fortificações nazistas.
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Após sua libertação, Tom e os demais prisioneiros de guerra sobreviventes foram enviados de volta para a União Soviética. Ele prometeu manter contato, mas nunca mais mandou notícias.
Até que a reportagem da BBC encontrou seus descendentes na Ásia central, muito longe de Jersey, no extremo leste do Uzbequistão.

Tom fugiu de um campo de trabalhos forçados dos nazistas em Jersey em 1943. Leia também: Como um império bilionário da moda virou palco de uma disputa familiar e de uma
Exausto, faminto e desesperado, ele bateu à porta dos fazendeiros locais John e Phyllis Le Breton. Eles sabiam dos riscos, mas o receberam e salvaram sua vida.
As condições nos campos eram rigorosas.
"Nós quebravávamos rochas na pedreira, das seis horas da manhã às seis da noite", escreveu Tom posteriormente no seu diário.
"Nossa comida consistia de sopa ao meio-dia e uma porção muito magra de pão e um pouco de manteiga na hora do chá. Não tínhamos café da manhã."
"Pelas menores razões, apanhávamos brutalmente... e, se não conseguíssemos trabalhar, ficávamos sem comida e apanhávamos de novo; eles nunca acreditavam que estivéssemos doentes", prossegue ele. Mais de mundo
Outra moradora de Jersey, Louisa Gould, foi deportada para o campo de concentração de Ravensbrück e morta na câmara de gás, por ter abrigado um fugitivo soviético chamado Fyodor Burriy. Seus vizinhos a delataram para as autoridades alemãs.

Crédito, Atlantic-Press/Ullstein bild via Getty Images
John e Phyllis Le Breton confiavam tanto no seu soldado fugitivo que permitiram que ele lesse para seus filhos e brincasse com eles, incluindo sua filha Dulcie. Leia também: Suspeito é morto após abrir fogo contra agentes do Serviço Secreto da Casa
"Nosso querido tio Tom, nós o amamos muito. Ele faz parte das minhas memórias da guerra e sua foto ainda está na minha cabeceira", declarou Dulcie, que faz 90 anos em junho.
"Mas ainda estou intrigada com o que aconteceu com ele depois da guerra."
Depois da libertação das ilhas do Canal, em maio de 1945, Tom e outros soviéticos sobreviventes foram enviados de volta para a URSS.
Três cartas chegaram a Jersey quando ele estava a caminho de casa, viajando pela Europa. Depois, veio o silêncio.

Os ex-prisioneiros de guerra que retornaram à União Soviética costumavam ser submetidos a controles e interrogatórios nos chamados campos de triagem NKVD.



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