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Eleições no Peru: Roberto Sánchez vira sobre Keiko Fujimori com 93% das urnas

Peru encerra votações do segundo turno da eleição presidencial

Eleições no Peru: Roberto Sánchez vira sobre Keiko Fujimori com 93% das urnas

Peru encerra votações do segundo turno da eleição presidencial.

Com 93,9% das urnas apuradas, Roberto Sánchez assumiu a dianteira da corrida presidencial e está à frente de Keiko Fujimori no número de votos do segundo turno das eleições presidenciais do Peru.

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Sánchez está com 50,012% dos votos, enquanto Fujimori tem 49,988%. Devido à pequena diferença, o resultado da eleição permanece indefinido.

De acordo com a contagem oficial do órgão eleitoral do país, após várias horas com a apuração apontando para a candidata conservadora conquistando a Presidência, o deputado de esquerda virou às 14h58 (horário de Brasília). Leia também: Mulher atropela sogra em Joaçaba após saída de delegacia

A candidata conservadora era apontada como favorita pelas pesquisas de boca de urna, mas já era esperado que o deputado crescesse no fim, já que ele é forte nas zonas eleitorais rurais, as últimas a serem contabilizadas.

Keiko, filha do ex-presidente condenado Alberto Fujimori, foi a primeira colocada no primeiro turno, com 17,2% dos votos válidos. Sánchez conquistou 12% dos votos válidos na primeira votação.

As seções eleitorais foram fechadas às 17h locais (19h no horário de Brasília), após uma jornada sem maiores incidentes, ao contrário do caótico primeiro turno, marcado por falhas técnicas e denúncias de fraude.

Primeiro turno fragmentado

O país foi às urnas em meio a um cenário político fragmentado, com um recorde candidatos à presidência no país, 35 ao todo. Mais de noticia

Lucas Berti, cientista político, pesquisador sobre o Peru no Observatório Político Sul-Americano e coordenador-executivo do Grupo de Relações Internacionais e Sul Global, afirma que, de fato, o que aconteceu nessas eleições no país não vem de um "vácuo".

“É um sintoma de um processo de deslegitimação institucional que vem acontecendo nos últimos anos no país. E isso, na medida em que os presidentes eleitos não conseguem governar", afirmou.

9 presidentes em 10 anos

O Peru contabilizou 9 presidentes em 10 anos. Para se ter ideia, os mandatos presidenciais no Peru são de 5 anos. Ou seja, em uma estabilidade democrática, o país teria apenas dois presidentes neste mesmo período. Porém, a realidade foi outra e alguns líderes não duraram nem 5 dias no cargo. Leia também: Salvador Celebra Tríduo de Santo Antônio com Fé e Tradição Junina no Pelourinho

“Nestes anos, a liderança que mais durou foi a de Dina Boluarte, que ficou no poder por quase três anos. Mas, ao desagradar a oposição liderada pela coalizão fujimorista de Keiko no Congresso, também caiu”, diz Berti

Além disso, vale destacar o artigo 113 da Constituição peruana, que afirma que um presidente pode ser derrubado por “incapacidade moral ou física permanente”- e quem avalia esse diagnóstico são os parlamentares.

Então, por exemplo, se o Congresso não gosta simplesmente de uma lei que o presidente tenta passar, eles podem acionar esse artigo, votar e, em menos de 24 horas, derrubar um presidente que foi eleito pela maioria da população.

Para o cientista político Berti, essa facilidade do processo demonstra a fragilidade institucional em jogo no Peru. De acordo com ele, nos últimos anos, a coalizão fujimorista, de maioria absoluta no Congresso, vem articulando poderes, seja no Legislativo, nos tribunais ou no sistema judiciário.

Desde 2008, a filha de Alberto Fujimori lidera essa corrente fujimorista ao fundar o partido Fuerza Popular e tenta chegar ao Poder Executivo no Peru. Só que isso não acontece, explica Berti.

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