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Crédito, Getty Images
- Author, Iara Diniz
- Role, Da BBC News Brasil em São Paulo
- Published Há 1 hora
- Tempo de leitura: 12 min
AVISO DE CONTEÚDO SENSÍVEL: esta reportagem contém menções a violência e suicídio.
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Durante cerca de dois meses, João (nome fictício), 36 anos, manteve conversas com o ChatGPT que, segundo a Polícia Civil do Espírito Santo, indicavam um possível plano para matar o próprio filho, de 8 anos, cometer ataques e tirar a própria vida.
Nas mensagens trocadas com a ferramenta de inteligência artificial, o agricultor pesquisou sobre os efeitos de determinadas substâncias tóxicas no corpo, confessou ter oferecido dinheiro para que uma pessoa matasse a criança e disse que se sentia bem ao ver pessoas sofrerem.
"Queria saber de onde vem essa vontade de matar as pessoas. Eu gosto da sensação de ver outra pessoa sofrer", relatou o agricultor em outra mensagem. Leia também: Qual a importância das Colinas de Golã e por que decisão da Colômbia
As conversas acenderam um alerta no sistema de segurança da IA, levando a OpenAI— criadora do ChatGPT— a comunicar a interação ao FBI, que entrou em contato com as autoridades brasileiras.
O caso chegou até a Polícia Civil do Espírito Santo no dia 16 de junho, por meio do Laboratório de Operações Cibernéticas, o Ciberlab, braço tecnológico do Ministério da Justiça e Segurança Pública no combate a crimes cibernéticos.
Três dias depois— e um dia antes da data em que, segundo a polícia, o plano seria colocado em prática— o agricultor foi preso quando saía de casa na zona rural de São Gabriel da Palha, um município de pouco mais de 30 mil habitantes localizado a 200 km da capital, Vitória.
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"Priorizamos esse caso em função da gravidade e por supostamente o pai planejar a execução do filho até o dia 20", disse à BBC News Brasil o delegado Brenno Andrade, titular da Delegacia de Crimes Cibernéticos e responsável pela investigação.
João* foi preso preventivamente no dia 19 de junho. Na quinta-feira (13/8), ele foi solto após a Justiça conceder um habeas corpus apresentado pela defesa, ao entender que houve demora excessiva na conclusão da investigação policial. O agricultor ficou detido por 54 dias.
A prisão preventiva não tem prazo fixo previsto em lei. Quando o investigado está preso, porém, a investigação deve ser concluída em prazo razoável. Leia também: Ele contou ao ChatGPT que queria matar o filho e foi preso — conversas com IA
No caso do agricultor, a Justiça considerou que, após mais de 50 dias de prisão, o inquérito ainda não havia sido concluído pela polícia nem havia denúncia apresentada pelo Ministério Público. Mantê-lo preso poderia caracterizar constrangimento ilegal.
A Justiça também impôs medidas cautelares ao agricultor, como o uso de tornozeleira eletrônica e a proibição de se aproximar ou manter contato com o filho e com a mãe da criança.
Segundo o delegado Brenno Andrade, o suspeito não tinha relação de afeto e nem contato com a criança. Ele apenas pagava uma pensão, e esse teria sido um dos motivos para planejar o crime.
"Ele não queria mais pagar a pensão [.] Em uma das conversas, ele fala em tirar a própria vida. Mas ele não queria, digamos assim, essa 'encheção de saco' da mãe dele, avó da criança, ser cobrada pela pensão. Então, ele pensou em também matar o próprio filho."
A Polícia Civil do Espírito Santo informou que aguarda o resultado de laudos periciais— de objetos apreendidos na casa do agricultor— para concluir o inquérito.

Pesquisa sobre ataques e tentativa de burlar a IA
O que o ChatGPT respondeu?


Um novo caminho para a polícia
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