Sam Neill ganha destaque após novo desdobramento em sam neill: o que se sabe
Ler matéria →Efeito Neymar: atletas recorrem à terapia que usa o próprio sangue para recuperar lesões Usada por Neymar e Cristiano Ronaldo, a terapia chamado de PRP ganhou fama como uma espécie de “injeção da recuperação”; entenda como ela age e se é eficaz
Poucos tratamentos despertaram tanta curiosidade no esporte quanto o plasma rico em plaquetas, mais conhecido pela sigla PRP. Nos últimos anos, diversos atletas de elite recorreram à terapia em momentos importantes, como Neymar e Rafael Nadal, passando também por Cristiano Ronaldo, Rodrigo Garro e o jovem Estevão. A popularidade tem ajudado, assim, a criar a imagem de que ela seria uma solução quase milagrosa para acelerar a recuperação de lesões.
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Mas a realidade é bem mais complexa. O PRP é produzido a partir do próprio sangue do paciente. Após um processo de centrifugação, obtém-se uma concentração de plaquetas e de substâncias chamadas fatores de crescimento, que participam dos mecanismos naturais de reparo dos tecidos.
A ideia por trás do tratamento é simples: utilizar elementos do próprio organismo para estimular processos de recuperação em determinadas lesões musculares, tendíneas, ligamentares ou articulares. + Por que tantos atletas usam PRP? Leia também: Prescrições do editor ganha destaque após novo desdobramento em prescrições
No esporte de alto rendimento, tempo é um recurso valioso. Cada semana longe das competições pode representar perda de desempenho, títulos e até prejuízos financeiros. Por isso, qualquer tratamento que ofereça a possibilidade de melhorar a recuperação naturalmente desperta interesse de atletas, equipes médicas e clubes.
Casos de jogadores de futebol e de grandes nomes do tênis que recorreram ao PRP ajudaram a popularizar a técnica em todo o mundo. O problema é que, muitas vezes, criou-se a impressão de que a terapia seria responsável, sozinha, pelo retorno desses atletas às competições. Isso raramente corresponde à realidade.
A recuperação de um atleta de elite envolve uma combinação de fatores: fisioterapia intensiva, controle de carga, preparação física, nutrição, qualidade do sono, acompanhamento médico multidisciplinar e, em alguns casos, o uso de terapias complementares, entre elas o PRP. PRP serve para quê? A medicina baseada em evidências trouxe uma visão mais equilibrada sobre o tratamento.
Hoje sabemos que o PRP não funciona da mesma forma para todas as lesões. Existem situações em que os estudos mostram benefícios mais consistentes, como alguns casos de artrose inicial do joelho e determinadas tendinopatias crônicas. Em outras condições, os resultados são mais modestos ou ainda inconclusivos.
Isso significa que o fato de um atleta famoso ter utilizado PRP não quer dizer que o tratamento seja indicado para qualquer pessoa ou para qualquer lesão. Assim, a pergunta até deixou de ser “o PRP funciona? ” Mais de saude
, mas ainda é preciso responder “para quem ele funciona e em quais situações? ”. Mas, apesar desse impacto negativo, curiosamente, a popularização do PRP entre atletas também teve um efeito positivo.
Ela estimulou um enorme número de pesquisas e ajudou a impulsionar o desenvolvimento da medicina regenerativa. Hoje, sabemos que não existe apenas um tipo de PRP. As concentrações de plaquetas, a presença de células inflamatórias e a forma de aplicação podem variar bastante. Leia também: Saúde: Panorama com câncer, dores, Ozempic e crises convulsivas
Isso ajuda a explicar por que alguns pacientes apresentam resultados muito bons e outros, nem tanto. A tendência atual é caminhar para tratamentos cada vez mais personalizados, com indicações mais precisas e aplicações guiadas por imagem, sempre integradas a um programa adequado de reabilitação. O PRP continua sendo uma ferramenta interessante da ortopedia moderna, mas deixou de ser visto como um tratamento milagroso.
Talvez a maior lição deixada pelos atletas que utilizaram a terapia seja justamente essa: no esporte e na medicina, raramente existe uma solução única. A recuperação é quase sempre resultado de um conjunto de estratégias bem indicadas e cuidadosamente planejadas. O PRP pode fazer parte dessa equação.
Mas, como a própria ciência vem mostrando, seu maior potencial não está em ser usado por todos, e sim em ser usado da maneira certa, no paciente certo e no momento certo. Em outras palavras, o PRP é uma tecnologia promissora, mas ainda em evolução, que exige mais estudos de alta qualidade para definir com precisão quando, como e para quem ela realmente funciona. *Pedro Debieux Vargas Silva é ortopedista, pós-doutorado na Universidade de Connecticut e membro da Brazil Health.
(Este conteúdo foi produzido por meio de uma parceria exclusiva entre VEJA SAÚDE e Brazil Health)
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