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Eduardo Leite explica por que alertas não previram, inicialmente, inundação

Em um vídeo agora apagado das redes sociais, o governador Eduardo Leite, no final da noite de terça-feira (21), apresentava a projeção dos sistemas de alerta

Eduardo Leite explica por que alertas não previram, inicialmente, inundação do

Em um vídeo agora apagado das redes sociais, o governador Eduardo Leite, no final da noite de terça-feira (21), apresentava a projeção dos sistemas de alerta hidrológicos do Rio Grande do Sul. O governador dedicou sua publicação a um rio: o Taquari. Segundo Leite, as informações apontavam para a superação da cota de alerta, mas sem projeção de ultrapassar a cota de inundação.

“É claro que essas informações ainda podem alterar, mas é importante mencionar que, neste momento, não há previsão de cota de inundação para o Taquari”, alertou. Nas primeiras horas da manhã de quarta-feira (22), o Vale do Taquari inundou mais uma vez.s Leia mais: Defesa

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Civil emite alerta vermelho para alto risco de inundação nos rios Taquari e Caí Rios Taquari, Jacuí e Caí amanhecem acima da cota de inundação no Rio Grande do Sul Esse é o quarto ano consecutivo com eventos similares na região.

Contudo, a mudança repentina entre previsões chamou a atenção. O Sul21 procurou especialistas do Instituto de Pesquisas Hidráulicas (IPH) da UFRGS, a Defesa Civil do Rio Grande do Sul e a Prefeitura de Lajeado para entender: por que, mais uma vez, o Estado foi pego de surpresa com a cheia do Taquari e a inundação das cidades do Vale? A previsão meteorológica e hidrológica para o Governo do Estado é realizada pelo Centro de Monitoramento da Defesa Civil Estadual (CMDEC).

Inicialmente, a reportagem informou que o Serviço Geológico Brasileiro (SGB), junto com o IPH, fazia uma segunda análise das duas previsões, mas o SGB informou, em nota de esclarecimento (ver ao final), que não faz a revisão de modelos meteorológicos e não tem contrato com o governo estadual. Em contato com a reportagem, a Defesa Civil do RS indicou que o CMDEC observou o andamento das chuvas no território gaúcho e que, no início da noite de terça, foi publicado alerta laranja para elevação do rio Taquari, no trecho de Encantado até Taquari. De acordo com as equipes do Centro, essa elevação começou a ser percebida quando modelos hidrológicos analisados pela Defesa Civil e por outros órgãos oficiais convergiam para essa tendência. Leia também: Governo estima que 47,3% das exportações brasileiras são atingidas por tarifas

Com a persistência das chuvas nas cabeceiras da bacia do Taquari-Antas, ao final da noite e início da madrugada de quarta, identificou-se que as cotas estimadas seriam alcançadas antes do previsto pelos modelos hidrológicos. Na manhã de quarta, foram emitidos outros oito alertas para os municípios de Estrela, Muçum, Cruzeiro do Sul, Roca Sales, Santa Tereza, Lajeado, Arroio do Meio e Encantado, em razão do risco de inundação do rio Taquari. Todos os avisos foram classificados como de risco Muito Alto (Vermelho) e permaneceram vigentes até o início da manhã de quinta-feira (23).

Questionada sobre o que explicaria o sistema não ter identificado a situação de inundação antes e qual seria a diferença no planejamento caso já se soubesse que o rio Taquari iria superar a cota, a Defesa Civil do RS não respondeu até a veiculação da reportagem. Já os professores do IPH, Fernando Meirelles e Fernando Dornelles, explicam que são duas as previsões que o IPH têm: meteorológicas e hidrológicas. As duas partes constroem a previsão do nível das águas, com uma matriz numérica sendo aplicada para cada ponto do território.

“ Nós partimos de um dado observado de vazão de nível de chuva”, comenta Meirelles. “Pega qualquer modelo hidrológico para eventos extremos e é assim.

Assim que se calcula a elevação de um rio”. Contudo, o professor entende que o modelo tem um “calcanhar de Aquiles” nessa projeção, que é a incerteza meteorológica. “É uma previsão e não uma certeza.

Todo modelo tem um grau de incerteza”, reitera Meirelles. A base para a previsão são os modelos alemão e estadunidense que fazem uma previsão global. A projeção meteorológica, entretanto, mudou, tanto a quanto a localização da chuva. Mais de noticia

“ Aí que está a incerteza”, pontua Dornelles, que diz que essas são as duas áreas em que o sistema padece de certeza. Dornelles explica que a previsão hidrológica não apontava chuva em duas sub-bacias da bacia Taquari-Antas, onde choveram entre 60 mm e 70 mm.

“ Se a chuva tivesse acontecido 50 km para o norte, poderia não ter superado a cota de inundação”, comenta o professor. Dornelles questiona qual é o aprendizado deste último evento:

“será que a gente não faz alguma manipulação da previsão meteorológica para alimentar a previsão hidrológica? ”. Para Fernando Meirelles, a solução “sempre vai ser monitoramento”. Leia também: Polícia prende um dos líderes do Comando Vermelho no RJ

“Isso é um problemaço para nós, é um problema grande para o Rio Grande do Sul”, avalia. Para ele, falta uma rede de monitoramento gaúcha para não sermos surpreendidos, demandando um grande adensamento para uma melhor cobertura. Fernando Dornelles, do outro lado, entende que “não tem ganho muito grande” em fazer o downscale, isto é, aplicar um modelo regional de monitoramento, o que inclusive existe no Brasil.

“Melhora um pouco, mas não existe uma solução em vista para se fazer uma previsão do tempo”, compreende. “

O que nos resta é a gente ter menos população exposta. Deixar os rios subirem, mas não deixar que atinjam estruturas ou alguma população”, observa Dornelles. O vice-prefeito de Lajeado, Guilherme Cé (Novo), entretando, afirma que houve erro dos sistemas de previsão.

O vice-prefeito conta que o município “foi dormir” com uma informação que descartava a superação da cota de inundação do Taquari em Lajeado, mas diz que a equipe municipal estava achando “estranho” a certeza de descartar inundação. Na madrugada, por volta de 1h da manhã, o Serviço Geológico Brasileiro publicou uma atualização com uma projeção de que o rio iria bater 20 metros no município por volta das 6h. Diante do novo cenário, a prefeitura de Lajeado, junto com a Defesa Civil municipal, acionou o plano de contingência.

“ Claro que tu mobilizar um plano de contingência no meio da madrugada, quando as pessoas estavam contando com a ultima atualização e que os prestadores de serviços não estavam de sobreaviso, a gente teve uma dificuldade de mobilização”, avalia Cé. Às 3h, caminhões estavam acordando os moradores das cotas de 19 a 25 metros para levá-los a abrigos.

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