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Durigan diz que Brasil teve paciência contra tarifaço dos EUA, ao contrário da

Ministro da Fazenda, Dario Durigan (Washington Costa/MF) Publicidade O ministro da Fazenda, Dario Durigan, defendeu as respostas do Brasil ao tarifaço aplicado pelo

Durigan diz que Brasil teve paciência contra tarifaço dos EUA, ao contrário da
Ministro da Fazenda, Dario Durigan (Washington Costa/MF)
Ministro da Fazenda, Dario Durigan (Washington Costa/MF)

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O ministro da Fazenda, Dario Durigan, defendeu as respostas do Brasil ao tarifaço aplicado pelo governo norte-americano e disse que a Europa reagiu de maneira abrupta, em entrevista à revista francesa Le Grand Continent. A entrevista foi concedida no início da última semana, quando Durigan esteve em Paris para participar da Reunião de Ministros de Finanças e Presidentes de Bancos Centrais do G7.

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Segundo ele, o Brasil não retaliou os Estados Unidos. “Simplesmente mantivemos nossas posições firmes, rejeitando qualquer tipo de interferência. Em determinado momento, nosso país enfrentava tarifas de 50%: um imposto de 10% aplicado globalmente, mais 40% adicionais”, relembrou.

“O que Lula disse a Trump e aos outros líderes na época foi que o Brasil tinha um déficit comercial com os Estados Unidos (importamos serviços, tecnologia e produtos farmacêuticos), assim como os Estados Unidos têm um déficit com a China. Se aplicarmos o mesmo raciocínio à relação entre nossos dois países, deveríamos ter sido nós a impor tarifas sobre as importações americanas no Brasil. Importamos a um preço alto, mas não adotamos essa postura hostil”. Leia também: Com Warsh no Fed, mercado precifica alta de juros nos EUA até dezembro

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Em seguida, Durigan disse que talvez a diferença em relação à Europa seja que o Brasil demonstrou paciência para responder ao presidente americano Donald Trump. “Embora tenhamos contestado a decisão de nos impor tarifas, não retaliamos; pelo contrário, nos posicionamos politicamente como um país soberano que não merecia tal tratamento. A resposta europeia foi, sem dúvida, muito abrupta: tentar chegar a um acordo rápido com os Estados Unidos pode ter piorado a situação”, sustentou.

Questionado se as tarifas americanas também tinham o objetivo de exercer pressão para obrigar o governo brasileiro a tomar medidas no caso do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), Durigan assentiu, mas disse que essa estratégia não funcionou.

“O julgamento contra Bolsonaro prosseguiu mesmo com a imposição das tarifas, e Bolsonaro foi condenado apesar da pressão geopolítica”.

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Na visão do ministro, isso acabou fortalecendo a autonomia do Judiciário brasileiro, o que enviou um sinal importante para as empresas. “Porque não se trata apenas de política, mas também de previsibilidade jurídica: empresas do mundo todo querem poder levar suas disputas à Justiça e resolvê-las com confiança no sistema. Elas não querem um presidente com poderes excessivos decidindo unilateralmente o que é certo ou errado; por isso foi tão importante para nós deixar o processo legal seguir seu curso”.

Na entrevista, o ministro brasileiro ainda abordou a defesa do multilateralismo, tema recorrente dos discursos internacionais do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). “Não apoiamos a adoção de mecanismos unilaterais como os que estão surgindo em todos os lugares neste momento”, afirmou. Leia também: Irã acusa EUA de recuo em acordo e ameaça não assinar, diz emissora

Sobre as relações brasileiras com a China e a Europa, disse que o País não tem preconceitos e busca manter boas relações com o mundo inteiro, mas não quer que a China nem nenhum outro país inunde o Brasil com produtos manufaturados.

“Aplicamos esses mesmos princípios aos minerais críticos: priorizar a soberania e não repetir os erros do passado. Se nos limitarmos a exportar matérias-primas não processadas, como fizemos com minério de ferro, soja e cana-de-açúcar, acabaremos por aumentar o preço de um café expresso para os consumidores. É por isso que agora queremos subir na cadeia de valor e industrializar nossos minerais críticos”, disse.

Durigan ainda reforçou que o Brasil se encontra em uma posição de força, com vantagens geopolíticas, uma vez que investe em energia limpa e biocombustíveis, em um cenário de grandes incertezas impostas pela guerra no Irã e pelo fechamento do Estreito de Ormuz.

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