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O ministro da Fazenda, Dario Durigan, defendeu as respostas do Brasil ao tarifaço aplicado pelo governo norte-americano e disse que a Europa reagiu de maneira abrupta, em entrevista à revista francesa Le Grand Continent. A entrevista foi concedida no início da última semana, quando Durigan esteve em Paris para participar da Reunião de Ministros de Finanças e Presidentes de Bancos Centrais do G7.
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Segundo ele, o Brasil não retaliou os Estados Unidos. “Simplesmente mantivemos nossas posições firmes, rejeitando qualquer tipo de interferência. Em determinado momento, nosso país enfrentava tarifas de 50%: um imposto de 10% aplicado globalmente, mais 40% adicionais”, relembrou.
“O que Lula disse a Trump e aos outros líderes na época foi que o Brasil tinha um déficit comercial com os Estados Unidos (importamos serviços, tecnologia e produtos farmacêuticos), assim como os Estados Unidos têm um déficit com a China. Se aplicarmos o mesmo raciocínio à relação entre nossos dois países, deveríamos ter sido nós a impor tarifas sobre as importações americanas no Brasil. Importamos a um preço alto, mas não adotamos essa postura hostil”. Leia também: Com Warsh no Fed, mercado precifica alta de juros nos EUA até dezembro
Em seguida, Durigan disse que talvez a diferença em relação à Europa seja que o Brasil demonstrou paciência para responder ao presidente americano Donald Trump. “Embora tenhamos contestado a decisão de nos impor tarifas, não retaliamos; pelo contrário, nos posicionamos politicamente como um país soberano que não merecia tal tratamento. A resposta europeia foi, sem dúvida, muito abrupta: tentar chegar a um acordo rápido com os Estados Unidos pode ter piorado a situação”, sustentou.
Questionado se as tarifas americanas também tinham o objetivo de exercer pressão para obrigar o governo brasileiro a tomar medidas no caso do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), Durigan assentiu, mas disse que essa estratégia não funcionou.
“O julgamento contra Bolsonaro prosseguiu mesmo com a imposição das tarifas, e Bolsonaro foi condenado apesar da pressão geopolítica”.
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Na visão do ministro, isso acabou fortalecendo a autonomia do Judiciário brasileiro, o que enviou um sinal importante para as empresas. “Porque não se trata apenas de política, mas também de previsibilidade jurídica: empresas do mundo todo querem poder levar suas disputas à Justiça e resolvê-las com confiança no sistema. Elas não querem um presidente com poderes excessivos decidindo unilateralmente o que é certo ou errado; por isso foi tão importante para nós deixar o processo legal seguir seu curso”.
Na entrevista, o ministro brasileiro ainda abordou a defesa do multilateralismo, tema recorrente dos discursos internacionais do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). “Não apoiamos a adoção de mecanismos unilaterais como os que estão surgindo em todos os lugares neste momento”, afirmou. Leia também: Irã acusa EUA de recuo em acordo e ameaça não assinar, diz emissora
Sobre as relações brasileiras com a China e a Europa, disse que o País não tem preconceitos e busca manter boas relações com o mundo inteiro, mas não quer que a China nem nenhum outro país inunde o Brasil com produtos manufaturados.
“Aplicamos esses mesmos princípios aos minerais críticos: priorizar a soberania e não repetir os erros do passado. Se nos limitarmos a exportar matérias-primas não processadas, como fizemos com minério de ferro, soja e cana-de-açúcar, acabaremos por aumentar o preço de um café expresso para os consumidores. É por isso que agora queremos subir na cadeia de valor e industrializar nossos minerais críticos”, disse.
Durigan ainda reforçou que o Brasil se encontra em uma posição de força, com vantagens geopolíticas, uma vez que investe em energia limpa e biocombustíveis, em um cenário de grandes incertezas impostas pela guerra no Irã e pelo fechamento do Estreito de Ormuz.
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Estadão Conteúdo
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