Corinthians decide não renovar contrato de Memphis
Ler matéria →O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, assinou uma ordem executiva na última segunda-feira, que reformula radicalmente o calendário vacinal infantil do país. A medida, tomada no Salão Oval da Casa Branca em Washington, D.C., reduz o número de vacinas obrigatórias de 17 para 11 e reclassifica outras seis, gerando preocupação na comunidade científica por se basear em hipóteses sem comprovação sobre a relação entre vacinas, autismo e riscos de morte.
As Mudanças no Calendário Vacinal Americano
O decreto presidencial flexibiliza a aplicação de diversos imunizantes que antes eram mandatórios. Entre as mudanças, vacinas contra hepatite B, hepatite A, meningococo B, meningococo ACWY, dengue e anticorpos contra o vírus sincicial respiratório (VSR) passam a ser recomendadas apenas para grupos considerados de alto risco. Essas são doenças reconhecidas como graves e algumas delas letais na primeira infância.
Além disso, a ordem estabelece que as vacinas contra hepatite A, hepatite B, rotavírus, doença meningocócica, gripe e COVID-19 agora ficam sujeitas ao que o governo denominou “decisão clínica compartilhada”. Isso significa que a escolha pela vacinação será feita caso a caso, em conjunto entre o médico e a família.
Outra alteração notável diz respeito à vacina tríplice viral (MMR), que protege contra sarampo, caxumba e rubéola. O novo padrão estabelecido pelos Estados Unidos não é mais a aplicação de uma dose combinada para as três doenças, mas sim a administração de doses únicas para cada uma delas.
As Alegações Presidenciais e a Ciência
Para justificar as profundas alterações, o presidente Trump e o secretário de Saúde, Robert F. Kennedy Jr., fizeram uma série de afirmações durante a cerimônia de assinatura do decreto. Eles levantaram a hipótese, sem citar um único estudo científico ou apresentar provas, de que vacinas estariam ligadas ao aumento de casos de autismo e a mortes. Leia também: EUA resgatam Doutrina Monroe: Domínio nas Américas é reafirmado após 13 anos
Sobre a vacina tríplice viral (MMR), o presidente declarou que, “juntas, poderia haver uma possibilidade de que sejam bastante letais e, separadamente, parece que não são letais de forma alguma, mas apenas muito eficazes”. O secretário de Saúde, Robert F. Kennedy Jr., foi além e citou uma chance de “5% de risco” na versão combinada, também sem apresentar qualquer estudo, instituição ou fonte para o número. O Dr. Jay Bhattacharya, diretor do National Institutes of Health (NIH), estava presente no Salão Oval durante a assinatura do documento.
Consenso Médico Contrária às Mudanças
Especialistas em infectologia e imunizações têm rebatido as alegações do governo, afirmando que elas repetem argumentos antigos do discurso antivacina e carecem de embasamento científico. Segundo o infectologista Alexandre Naime Barbosa, chefe do Departamento de Infectologia da Unesp, não existe evidência alguma de que combinar antígenos na mesma vacina aumente o risco de morte ou de efeitos adversos graves. Pelo contrário, a combinação de vacinas é uma estratégia segura e eficaz, que permite proteger contra mais doenças com menos injeções.
A ligação entre vacinas e autismo, um dos pontos levantados pelo presidente, já foi amplamente descartada por órgãos regulatórios do mundo inteiro, sem qualquer evidência que a sustente. Além disso, a vacina tríplice viral (MMR) é utilizada há décadas em todo o mundo, com sua segurança bem estabelecida. A infectologista Monica Levi, presidente da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm), aponta que as vacinas isoladas contra sarampo, caxumba e rubéola praticamente não são mais fabricadas, sendo a versão combinada um padrão há quase 30 anos.
Contexto de Saúde Pública: Surto de Sarampo
O contexto dessas alterações ocorre em meio a um cenário delicado de saúde pública no país. Os Estados Unidos enfrentam atualmente um surto de sarampo, uma doença altamente contagiosa e potencialmente grave, que já soma mais de 2.400 casos confirmados. A doença é prevenida justamente pela vacina tríplice viral, cuja flexibilização pode agravar o cenário epidemiológico. Mais de noticia
O que se sabe até agora
- O presidente Donald Trump assinou uma ordem executiva em que reformula o calendário vacinal infantil dos EUA.
- O número de vacinas obrigatórias foi reduzido de 17 para 11.
- Seis vacinas foram reclassificadas, passando a ser recomendadas apenas para grupos de risco ou por decisão médica compartilhada.
- As alterações são baseadas em hipóteses sobre ligação de vacinas com autismo e risco de morte, sem respaldo científico.
- Especialistas refutam as alegações, afirmando que não há evidências que as sustentem e que vacinas combinadas são seguras.
- O decreto foi emitido em meio a um surto de sarampo nos Estados Unidos, com mais de 2.400 casos confirmados.
Perguntas frequentes
Qual o impacto das mudanças no calendário vacinal?
As mudanças significam que menos vacinas serão obrigatórias para crianças nos EUA, e outras terão sua aplicação sujeita à decisão médica compartilhada. Isso pode resultar em menor cobertura vacinal e maior risco de surtos de doenças preveníveis, como o sarampo.
Há risco na aplicação de vacinas combinadas como a tríplice viral?
Não há evidência científica que comprove que a combinação de antígenos em uma única vacina, como a tríplice viral (MMR), aumente o risco de morte ou efeitos adversos graves. Especialistas reforçam que as vacinas combinadas são seguras, amplamente testadas e utilizadas globalmente há décadas, oferecendo proteção eficaz com menos aplicações. Leia também: Discord: ANPD Suspende Transmissões Ao Vivo Após Suicídio Induzido de Adolescente
Existe relação comprovada entre vacinas e autismo?
Não, a comunidade científica e os principais órgãos regulatórios de saúde em todo o mundo refutaram repetidamente qualquer ligação entre vacinas e o desenvolvimento de autismo. Inúmeros estudos foram conduzidos e não encontraram evidências que suportem essa hipótese.
A decisão presidencial de reformular o calendário vacinal infantil, ignorando o vasto corpo de evidências científicas e as recomendações de organizações de saúde globais, representa um desafio significativo para a saúde pública. A comunidade médica alerta que medidas como essa podem minar a confiança da população nas vacinas, essenciais para a prevenção de doenças graves e o controle de surtos, como o de sarampo que atualmente afeta o país. O debate reacende a importância de políticas de saúde baseadas em ciência para proteger a saúde coletiva e individual.
Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui orientação médica. Consulte um profissional de saúde.






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