Doenças respiratórias em crianças no inverno: a importância de prevenir O VSR é o maior causador de internações infantis por síndrome respiratória aguda grave (SRAG) no inverno. A vacinação e cuidados simples são fundamentais
O inverno de 2025 marcou a saúde infantil no Brasil com um alerta já observado por profissionais de saúde: as crianças estão cada vez mais vulneráveis às doenças respiratórias. Dados do sistema InfoGripe, da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), apontam mais de 150 mil casos de síndrome respiratória aguda grave (SRAG) ao longo do ano, com impacto especialmente entre bebês e crianças menores de dois anos. Mais da metade dos casos confirmados teve origem viral, sendo o vírus sincicial respiratório (VSR) o principal agente.
Leia no AINotícia: Saúde em Foco
Nas crianças pequenas, o VSR causou 40% a 46% das internações por SRAG, consolidando-se como o maior causador de bronquiolite e uma das principais razões de ocupação de leitos pediátricos no país. Em alguns períodos do inverno, as hospitalizações de bebês por VSR foram mais de 30% superiores às registradas no mesmo período de 2024. No estado de São Paulo, bronquiolite aguda e bronquite aguda estiveram entre as principais causas de internação pediátrica entre 2020 e 2025, com mais de 60% dos casos de SRAG concentrados em crianças com menos de dois anos. Leia também: Saúde em Foco
No Sabará Hospital Infantil, foram registradas 1.076 internações por doenças respiratórias e mais de 16 mil atendimentos no pronto-socorro em 2025. Essas doenças bagunçam a vida familiar, pois alteram a rotina e geram estresse constante. O clima mais seco, aliado à permanência em ambientes fechados e pouco ventilados, favorece a circulação de vírus como o VSR, a influenza e o rinovírus.
Bebês e crianças pequenas, por terem vias aéreas mais estreitas e imunidade ainda em desenvolvimento, evoluem com maior rapidez para quadros graves. Vacinação: a principal arma de defesa A vacinação é a arma mais forte contra isso.
A campanha da gripe, de março para crianças de 6 meses a 6 anos, pode reduzir em até 60% os casos graves. A recente chegada da imunização contra o VSR, especialmente para os grupos mais vulneráveis, também representa um avanço importante. Manter a caderneta de vacinação em dia é mais do que uma recomendação médica: Mais de saude
é um compromisso com a saúde e o futuro das crianças. “ Cada dose aplicada é uma barreira contra o agravamento da doença.
É um gesto simples, mas que pode evitar dias de internação e preservar a infância”, afirma Dr. Francisco Ivanildo de Oliveira Junior, Gerente de Qualidade Assistencial e Serviço de Controle de Infecção Hospitalar do Sabará Hospital Infantil. A prevenção das doenças respiratórias começa dentro de casa, com atitudes simples como manter ambientes ventilados, higienizar as mãos, limpar brinquedos, evitar aglomerações, garantir boa alimentação e hidratação e evitar exposição à fumaça de cigarro. Além disso, é essencial reconhecer os sinais de alerta. Leia também: Será que seu intestino está inflamado? Conheça os principais sinais
Tosse e coriza são comuns, mas dificuldade para respirar, respiração acelerada, chiado no peito, febre alta ou persistente, recusa alimentar e sonolência excessiva exigem avaliação médica imediata. Proteger a infância é uma responsabilidade coletiva O inverno não precisa ser sinônimo de hospitais lotados e famílias aflitas.
Informação de qualidade, vacinação em dia e atenção aos sinais do corpo das crianças são ferramentas poderosas. Proteger a infância é uma responsabilidade compartilhada e começa com escolhas simples, feitas todos os dias. *Francisco Ivanildo de Oliveira Junior é Gerente de Qualidade Assistencial e Serviço de Controle de Infecção Hospitalar do Sabará Hospital Infantil.

